questões de família

O herdeiro

Um filho não reconhecido de Bruno Caloi e uma dívida de 350 milhões de reais

Thais Bilenky
De tempos em tempos, Bruno Caloi fazia chegar à casa de Fabio Milantoni, seu filho fora do casamento, uma nova bicicleta de sua fábrica. Mas não foi o pai, e sim os amigos que ensinaram o menino a andar de bike. Hoje, Milantoni possui um modelo que comprou de segunda mão, de um colega
De tempos em tempos, Bruno Caloi fazia chegar à casa de Fabio Milantoni, seu filho fora do casamento, uma nova bicicleta de sua fábrica. Mas não foi o pai, e sim os amigos que ensinaram o menino a andar de bike. Hoje, Milantoni possui um modelo que comprou de segunda mão, de um colega FOTO: EGBERTO NOGUEIRA_IMÃ FOTOGALERIA_2019

Fabio Milantoni falava pouco com o pai. Até completar 25 anos, estimava ter visto Bruno Antonio Caloi pouco mais de uma dúzia de vezes, em cafés ou restaurantes, geralmente em shopping centers ou aeroportos. Nessas raras ocasiões, cumprimentavam-se com um aperto de mão, antes de cuidarem de assuntos práticos, como as necessidades do dia a dia. Despediam-se com outro aperto de mão. Uma vez por mês, Caloi telefonava para a mãe de Fabio, Eunice Milantoni, pedindo notícias dela e do filho. Costumava indagar se os dois tinham alguma conta ou dívida pendente. Também mensalmente, enviava 1,5 mil reais à pequena família em Taubaté, distante 130 km de sua fábrica de bicicletas em São Paulo.

Em 2005, sem nenhum aviso prévio, Caloi parou de ligar. O envio regular da mesada também cessou. Fabio Milantoni e a mãe ficaram apreensivos. Sem ver alternativa, o filho resolveu fazer algo que até ali tinha sempre evitado: telefonar para a sede das Bicicletas Caloi. Foi atendido pela secretária pessoal do pai, mas a funcionária informou apenas que o chefe não estava, negando-se a dizer onde seria possível encontrá-lo. Milantoni desconfiou de que algo grave pudesse ter ocorrido. Ao consultar os jornais na internet, descobriu que Caloi tivera um derrame.

O rapaz decidiu então ligar para um outro número de telefone, que também guardava havia um bom tempo em sua agenda, sem nunca tê-lo utilizado. Era o número do celular de Caloi. “Uma moça atendeu. Leila era o nome dela. Ela quis saber quem eu era. Eu respondi”, contou Milantoni numa conversa recente, no escritório de seu advogado, nos Jardins, em São Paulo.

Leila de Castro era a segunda mulher de Bruno Caloi. Eles viviam no Rio de Janeiro com as duas filhas, Bruna e Giselle. Do primeiro casamento, com Iracy Ambrósio Caloi, nasceram Bruno Júnior, Ricardo, Mara Hilda, Marília Amélia e Maricy, que moravam em São Paulo. Entre um e outro casamento, Caloi tinha se envolvido com Eunice Milantoni, sua secretária, quase vinte anos mais nova.



Para evitar comentários na fábrica, Eunice deixou o emprego, mas ela e seu ex-chefe mantiveram o relacionamento ainda por uma década, até que Fabio nasceu, em 1979. Depois disso, Caloi procurou se manter a uma distância segura da ex-secretária: não se afastava tanto que pudesse dar margem a reclamações, nem se aproximava em demasia, evitando um comprometimento maior.

No telefonema, Milantoni disse a Leila de Castro que queria ver o pai doente. Ela respondeu que não era possível. Dias depois, Castro ligou de um telefone fixo para o rapaz. Fez um batalhão de perguntas e disse que duvidava da história de Milantoni. Não acreditava que ele fosse filho do empresário. O rapaz anotou o número do telefone e descobriu, na internet, que a chamada havia sido feita do Rio de Janeiro, “de uma oficina de ar-condicionado ou automotiva, não sei bem”, ele contou.

Sem avisar a mãe, Milantoni pegou o carro e dirigiu 420 km de Taubaté até o Rio. Na oficina, apresentou-se a Castro. “Ela tremia de nervosismo”, lembrou. A mulher do empresário tentava evitar que a filha Bruna, que se encontrava na loja, se inteirasse do que estava ocorrendo. “Eu disse que não sairia dali enquanto não falasse com meu pai.” Castro se deu conta da gravidade da situação e acabou revelando à filha a identidade do visitante. Mas se recusou a deixar que ele se encontrasse com o pai. Milantoni, que tinha estacionado nas proximidades da loja, passou a noite no carro e voltou à carga no dia seguinte. Castro, então, capitulou.

Um enfermeiro surgiu com Caloi, numa cadeira de rodas, do lado de fora da oficina, onde Milantoni havia sido orientado a esperá-lo. No lugar do homem de porte atlético e postura altiva dos encontros no passado, o rapaz se deparou com um sujeito frágil, bastante envelhecido, de voz fraca e movimentos limitados. Caloi, que se aproximava dos 80 anos de idade, não conseguiu sequer estender a mão para cumprimentar o filho.

Leila de Castro não presenciou o reencontro, mas a filha Bruna, sim. Ela os conduziu até uma sala apertada nos fundos da loja. “A gente até ficou um pouco sem saber o que falar”, lembrou Milantoni. Passados alguns minutos, a filha entrou na sala novamente e deixou o celular em cima da mesa. “Era a Leila que tinha ligado. Eu, ingênuo, não percebi que ela estava escutando a conversa pelo aparelho. Estava desesperada e não queria me deixar sozinho com ele.”

Caloi falava com dificuldade, por causa do derrame. “Você está vendo meu estado, não consigo fazer mais nada por você”, disse ao filho, conforme relatou Milantoni. “Estou desse jeito, dependo completamente das pessoas.” Bruna entrou mais uma vez, pegou o telefone da mesa e o posicionou próximo ao ouvido do pai. “Deu para ouvir a Leila dizer a ele que não era para conversar comigo enquanto ela não chegasse.” Não passou muito tempo até que a mulher de Caloi irrompesse na sala, ordenando que o levassem embora imediatamente. Também insistiu para que Milantoni partisse. “Pega um ônibus e vai embora”, falou, jogando 150 reais sobre a mesa. “Eu recusei o dinheiro”, ele me contou.

Meses depois, em outubro de 2006, Milantoni ligou novamente para aquele número de celular guardado em sua agenda. Dessa vez um enfermeiro atendeu, colocando a chamada em viva-voz para que Caloi pudesse conversar com o filho. O empresário já quase não conseguia pronunciar as palavras. A doença estava em estágio avançado.

Dois dias depois de falar com seu pai pela última vez, num dia normal de trabalho no escritório da construtora em que é assistente financeiro, Milantoni deparou-se com a notícia na internet: “Morreu Bruno Caloi.”

 

Fabio Milantoni nasceu na capital paulista, mas quando ainda era bebê de colo se mudou com a mãe para Taubaté, onde viviam os pais dela. O avô morreu quatro dias depois da chegada do neto, e a avó, cinco anos mais tarde. “Éramos eu e minha mãe mesmo”, ele disse, descrevendo sua infância e adolescência. Os dois moravam numa casa antiga que Bruno Caloi tinha ajudado a comprar, de dois quartos “mal-ajambrados”, na descrição de Milantoni.

Eunice complementava a renda administrando uma pequena loja de bebidas. A vida do menino era regrada: de casa para a escola, da escola para casa. Por volta dos 7 anos, Milantoni entrou para o time de futebol organizado pela igreja do bairro, mas a atividade durou pouco tempo. Era um garoto tímido, com poucos amigos na rua. “Eu não tive uma infância de viagens, parques de diversão. Só fui conhecer o Playcenter depois de velho.” Estudou em escola pública até a metade do ensino médio. Na sala de aula, tampouco se destacava: tinha desempenho mediano, segundo disse. Chegou a se afastar dos estudos por algum tempo. Afinal, contou, formou-se em administração pela Unip (Universidade Paulista) em São José dos Campos, a 50 km de sua cidade.

Não foi o pai, mas os amigos – e os pais dos amigos – que ensinaram o menino a andar de bicicleta. De tempos em tempos, Bruno Caloi fazia chegar à casa do filho, num caminhão, alguma nova bicicleta de sua fábrica. Hoje Milantoni possui um modelo para adultos que comprou de segunda mão, de um colega do trabalho. Raramente deixa Taubaté, mas quando o faz é para descer a serra de carro e passar o fim de semana em Ubatuba, no litoral Norte paulista, onde um amigo tem casa. Milantoni nunca aprendeu a nadar e prefere observar o mar sentado na areia.

 

O empresário Bruno Antonio Caloi, pai de Milantoni, era neto de Luigi Caloi, um imigrante italiano que em 1898 fundou com o cunhado, Agenor Poletti, uma importadora de bicicletas em São Paulo. Quando morreu, em 1924, Luigi deixou a empresa para os filhos: Guido, Henrique e José Pedro. Os dois últimos abandonaram o negócio, mas Guido persistiu no empreendimento de importação. Foi só depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1949, que ele afinal decidiu manufaturar no país os produtos que importava, abrindo uma fábrica de bicicletas no bairro do Brooklin, em São Paulo. Quando morreu, em 1955, seu filho Bruno assumiu a empresa. Nas décadas seguintes, a Caloi atravessaria tempos áureos. Inventaria novos modelos, inauguraria uma fábrica em Manaus em 1975 e lançaria a campanha publicitária “Não esqueça a minha Caloi”, em 1978, que ajudou a fazer da marca a mais popular do país no ramo de bicicletas.

Meio-irmão de Milantoni, Bruno Antonio Caloi Júnior, conhecido como Tito, contou que foi dele a inspiração para criar o bordão publicitário. Jovem ainda, enfiou na cabeça que queria ganhar uma moto no Natal. Para garantir o presente, espalhou pela casa vários bilhetes com a mensagem: “Não esquece minha cinquentinha.” Caloi usou o mote para promover seus produtos.

Tito sempre foi muito próximo ao pai. Desde criança, frequentava a fábrica na Marginal Pinheiros, onde costumava pedalar entre as prensas. Chegou a posar para um catálogo da marca. Frequentemente acompanhava Caloi em eventos de ciclismo, dentro e fora do país. E também num compromisso semanal, em São Paulo, no campo de futebol da fábrica. Aos domingos, a pelada reunia soldadores, ferramenteiros, gerentes e o próprio empresário. Alto e forte, Bruno Caloi vestia a camisa número 5, de volante. Na arquibancada, o filho vibrava.

Foi nos anos 1990 que Tito – 22 anos mais velho que Milantoni – entrou em campo nos negócios da empresa, depois de se formar em administração pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Tornou-se diretor de marketing da companhia, cargo que ocuparia por muitos anos, além de braço direito do pai. A Caloi vivia seu auge. Além das linhas de montagem em São Paulo e Manaus, internacionalizou-se com a abertura de uma fábrica na Flórida, nos Estados Unidos. Também patrocinava eventos e atletas, entre eles o ciclista norte-americano Lance Armstrong, heptacampeão do Tour de France. Os rankings internacionais apontavam-na como uma das dez maiores fabricantes de bicicletas do mundo.

No Brasil, entretanto, a economia cambaleava, depois do fracasso de sucessivos planos de controle da inflação. Com a abertura do país ao mercado externo, durante o governo de Fernando Collor, fabricantes estrangeiros de bicicletas entraram no país com preços baixos. A Caloi passou a enfrentar concorrência pesada. Muitas outras empresas brasileiras se viram em dificuldades, e algumas começaram a quebrar. No final da década de 1990, gigantes do varejo fecharam as portas: Mesbla, Lojas Brasileiras, Hermes Macedo. Ao encerrar as atividades, em 1999, a rede de lojas de departamento Mappin, um dos principais clientes da Caloi, devia 5 milhões de reais (em valores da época) à fabricante de bicicletas, contabilizou Tito.

De acordo com o relato do filho, as dificuldades não assustavam Bruno Caloi. Sempre que o caixa fechava o mês no vermelho, o empresário dobrava a aposta. Em vez de diminuir despesas, contraía novos empréstimos. Em vez de reduzir, expandia as operações. Em julho de 1998, bateu à porta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tomando um empréstimo vultoso em troca da emissão de cerca de 16 mil debêntures (títulos de dívida) transferidos ao banco. Apelou também a credores externos e, segundo a família, tirou dinheiro do próprio bolso mais de uma vez.

“A década de 1990 foi muito cruel: houve uma tempestade perfeita de concorrência desleal através de informalidade ou subfaturamento das importadas”, argumentou Tito. “Você pegava financiamento estratosférico, o câmbio era mudado com uma canetada. Tivemos dificuldades.” Os sócios chegaram a duvidar da capacidade administrativa de Bruno Caloi. Desde 1997 – antes mesmo, portanto, de recorrerem ao BNDES – vinham contando com a consultoria profissional de Edson Vaz Musa, executivo que havia presidido a multinacional Rhodia. Durante dois anos, os consultores tentaram sanar as contas da fábrica de bicicletas. Em vão. Musa diagnosticou que a única saída para a Caloi seria se reestruturar, ao custo estimado de 10 milhões de reais, apostando na possibilidade de vir a ser vendida.

Ocorre que Bruno Caloi não tinha mais de onde tirar dinheiro. Segundo Tito e seus advogados, o BDNES a essa altura já não estava disposto a fazer novos empréstimos para a empresa, e tampouco os financiadores estrangeiros, que viam com preocupação a situação no Brasil. Os cofres da família, por sua vez, estavam vazios. A solução, depois de 101 anos de gestão familiar, foi vender a indústria, que trocou de mãos em 1999. O comprador foi o próprio Edson Musa.

Até então, duas companhias brasileiras controlavam a Bicicletas Caloi: a BAC Cinco (iniciais do empresário acompanhadas do número de filhos do primeiro casamento) e a Gible (iniciais das filhas e da segunda esposa). Por meio delas, Bruno Caloi passou suas ações para Musa. Os imóveis da empresa em São Paulo foram transferidos para outro CNPJ, o da Caloi Norte, baseada em Manaus, que também concentrou a operação empresarial. No Amazonas, a fábrica na Zona Franca contava com incentivos fiscais. Posteriormente, o controle tanto da BAC Cinco quanto da Gible, que havia inicialmente permanecido com a família Caloi, foi transferido para offshores fora do país.

Pelo negócio, Bruno Caloi recebeu 1,8 milhão de reais em sessenta prestações de 30 mil reais, em valores da época. As parcelas foram depositadas em uma offshore do empresário, que estava muito endividado no Brasil, segundo disseram seus próprios advogados. A família não explicou se isso ocorreu de forma prevista em lei. Segundo dois advogados ouvidos pela piauí, o procedimento é no mínimo incomum. “Não é ilegal, desde que ele declare à Receita. Se havia execução em curso, o valor que ele recebeu seria penhorado. Ou se recebeu lá fora, os credores deveriam perseguir os bens no exterior”, disse Maria Eugênia Finkelstein, professora de direito societário na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Transações realizadas mediante pagamentos no exterior estão sujeitas a discrição maior”, completou Luís André Azevedo, docente de direito societário na Fundação Getulio Vargas. “Em acordos de venda de empresas, o mais usual é que o pagamento seja feito no Brasil.”

Além desse pagamento, ficou acertado que Musa colocaria à venda o terreno de 107 mil m2 da fábrica, na Marginal Pinheiros. Quando fechasse o negócio, a família Caloi teria direito a uma porcentagem do valor – como o imóvel tinha duas matrículas, receberia 5% por uma e 20% por outra. A empresa – que no seu período áureo contou com quase 2 mil funcionários – reduziu a duzentos o número de empregados em São Paulo. A maior parte da mão de obra passaria a se concentrar em Manaus.

Desde o início, contudo, não estava claro a quem caberia pagar a dívida da empresa com o BNDES, que naquele momento, com juros e correção monetária, chegava a quase 35 milhões de reais. Pelo contrato, competia a Musa, o comprador, “empenhar os melhores esforços” na negociação com o banco. Abriu-se assim uma brecha: a família Caloi entendia que a dívida agora era de Musa; o empresário, entretanto, mostraria que discordava.

“Qualquer advogado sabe que não se deve colocar uma cláusula de ‘melhores esforços’ nesse tipo de contrato, porque abre muita brecha”, afirmou Maria Eugênia Finkelstein. Segundo a advogada, esse tipo de transação de venda estava engatinhando naquela época. Hoje os contratos amadureceram. “De fora, me parece que foi um contrato nos primórdios desse tipo de operação que acabou mal escrito, mal negociado, subavaliado e admitiu uma cláusula de ‘melhores esforços’ que hoje é totalmente evitada.”

O advogado Luís André Azevedo, da FGV, afirmou que, “em geral, quando o comprador assume o compromisso firme de quitar a dívida, isso impacta o preço final da transação. Em vez de Musa pagar hipotéticos 100 reais à família, ele repassa 40 reais, sendo que os outros 60 reais são para quitar o BNDES. Nesse caso, como o preço da venda já foi módico, deveria ter sido uma obrigação do Musa resolver a questão com o banco.”

Meses depois de o contrato ter sido assinado, o problema veio à tona. “O Edson Musa procurou o senhor Bruno e avisou: ‘Não consegui negociar com o BNDES’”, afirmou o advogado da família, Pedro Gomes, que acompanhou a conversa de Tito com a piauí. Logo em seguida, o banco entrou com ações na Justiça contra a família Caloi, a BAC Cinco e a Gible para cobrar a dívida – mas não contra o novo proprietário. O BNDES não acreditava que a Caloi iria sair do buraco e queria receber em dinheiro.

Foi então que, segundo o advogado Pedro Gomes, Musa propôs um novo acordo: “Bruno Caloi, eu assumo a dívida com o BNDES, mas não estou mais obrigado a te dar a porcentagem da venda do terreno.” O contrato entre eles foi renegociado.

Em 2005, Musa conseguiu vender o terreno para a VR Benefícios, empresa de vale-refeição do empresário paulistano Abram Szajman, por 6,5 milhões de reais em valores da época, relataram os advogados da família Caloi. De acordo com eles, o preço ficou abaixo das expectativas dos antigos proprietários – embora naquele momento, por causa da renegociação feita com Musa, eles não tivessem direito a nenhum centavo do negócio. Nessa mesma época, Bruno Caloi sofreu um derrame.

 

Por meio de offshores em nome de Bruno Caloi, advogados do empresário entraram com um processo na Justiça contra a empresa de Musa, que havia feito a venda do terreno na Marginal Pinheiros, e contra a VR, a fim de anular o preço. “A VR disse que nem sabia que a Caloi existia. Fizemos um laudo avaliando o terreno em mais de 50 milhões de reais. Era uma projeção por área construída”, afirmou Gomes.

Essa estranha disputa sobre o valor de um terreno do qual a família abrira mão seria usada mais tarde, num renovado embate judicial entre o novo proprietário da marca de bicicletas e os Caloi. Estava em questão, mais uma vez, a dívida da empresa.

Em 2013, Musa conseguiu fazer um acordo com o BNDES para pôr fim à cobrança que pesava sobre a marca que ele passara a administrar. Àquela altura, a dívida, nas contas da defesa de Fabio Milantoni, chegava a cerca de 200 milhões de reais, com inflação e juros cobrados pelo BNDES.

Musa negou dar publicidade ao valor acertado até mesmo para a família Caloi. O BNDES, porém, informou à piauí que a Jelling, empresa de Musa à frente da negociação, pagou 27,7 milhões de reais para sub-rogar a dívida da Caloi com o banco – ou seja, com o pagamento, assumiu os títulos de crédito oferecidos pela empresa ao BNDES, podendo então cobrá-los dos herdeiros.

Com o acordo, o BNDES conseguiu reaver uma parte do montante que lhe era devido. Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa do banco disse que “a Caloi estava sendo executada pelo Sistema BNDES desde 2000 e, apesar dos esforços, os processos ainda estavam em primeira instância e não havia ativos suficientes para fazer face ao montante total da dívida”. Segundo o banco, “ao final, o valor assumido e já integralmente pago pela Jelling permitiu ao Sistema BNDES recuperar integralmente o montante do principal financiado atualizado à época do pagamento”. O BNDES, por fim, disse que “a negociação da dívida seguiu os procedimentos regulares para casos desse tipo e respeitou todos os parâmetros legais impostos” ao órgão.

Assim que se livrou da pendência com o BNDES, Musa passou a cobrar a dívida dos filhos de Bruno Caloi. “Aí pintou a possibilidade de fazermos um acordo”, disse o advogado Pedro Gomes. A família, segundo ele, foi procurada pelos representantes de Musa. “Vamos passar uma régua nisso tudo, chega. Vocês param de encher o saco com esse negócio do terreno e nós paramos também”, teriam dito, segundo Gomes. Em outubro, procurei mais uma vez Ruy Janoni Dourado, o advogado de Musa, relatando a versão da família Caloi para o imbróglio. Ele afirmou não ter autorização para fazer comentários. Pedi então para conversar com Edson Musa. Dourado afirmou que seu cliente não poderia falar, pois estava em período sabático no exterior, depois de ter concluído a venda da Caloi para o grupo canadense Dorel Industries.

Engenheiro formado pelo ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Musa é orgulhoso de sua trajetória. “Eu fiz uma carreira, sem falsa modéstia, uma carreira de sucesso, graças certamente a algum talento, muita sorte e à formação que eu tive como gente e homem”, disse a um site de ex-alunos da instituição, em 2016. Em uma entrevista ao jornal O Povo, do Ceará, em 2007, fez críticas à administração familiar que o precedeu na Caloi. “Os filhos, as filhas estavam na empresa, os genros e sobrinhos. Você acaba criando atividades para o genro ocupar. Havia pouco do profissionalismo que é necessário para tocar os negócios. Tudo era feito de forma muito amadora e não profissional”, afirmou. Ele próprio, contudo, nomeou o filho Eduardo Musa como presidente da Caloi. Na entrevista, disse ainda que a fábrica de Manaus recebeu melhorias, depois que ele assumiu. “Mas a de São Paulo era mal localizada, com qualidade das pessoas muito ruim em termos de formação. Muita gente estável, sem ânimo para fazer as coisas, além do que era uma enorme construção que só trazia custos.”

 

Pouco depois de sua viagem ao Rio para ver o pai doente, em 2005, Fabio Milantoni mandou um e-mail para Tito, identificando-se como um amigo de Bruno Caloi, de quem pedia notícias. Tito ficou desconfiado e quis saber mais detalhes sobre a pessoa com quem estava falando. Milantoni, então, revelou sua identidade. “Eu disse: ‘Sou filho dele e quero marcar um encontro com você para a gente conversar.’ Para mim aquele seria o momento de estabelecer uma proximidade com todos. Essa história não ia ficar oculta para sempre.” Tito não quis muita conversa e disse ao meio-irmão, de cuja existência acabara de ser informado, que ele deveria tratar diretamente com seu pai.

A revelação de que havia um filho desconhecido de Bruno Caloi causou forte impacto nos cinco irmãos de São Paulo. De início, todos duvidaram que o pai pudesse ter mantido em segredo uma terceira família. “Primeiro, você toma um banho de água fria. Como assim? Tenho um irmão?”, descreveu Tito. “Eu estudei no Santo Américo, uma escola católica. Até quando fui morar fora, nos Estados Unidos, meu pai e minha mãe me colocaram em colégio de padre. Tudo isso só para dizer que a gente tinha uma cultura de família, valores, princípios. Então, foi um choque.”

Ainda em 2005, pouco antes de Bruno Caloi morrer, Milantoni decidiu iniciar um processo de reconhecimento de paternidade – em sua certidão de nascimento, os nomes do pai e dos avós paternos estavam em branco. “Eu tentava estreitar laços, mas Tito não queria, ninguém queria. Assim a ação foi seguindo seu curso”, afirmou. Para Tito, o processo aberto por Milantoni “machucou bastante” a família. “Meu pai era muito, muito reservado. Uma época ele falou que resolveria [essa questão com o filho], meio que desconversou, não me deu informação nenhuma. Logo depois, veio a falecer, então a gente ficou meio traído, vamos dizer.”

Telefonei para Giselle Caloi, uma das duas filhas do empresário que moram no Rio. Solicitei uma entrevista com ela e Bruna, sua irmã. Giselle disse que seu advogado procuraria a reportagem e falaria em nome das duas, o que nunca aconteceu.

Dos sete filhos de Caloi, Maricy, uma das filhas do primeiro casamento, foi quem se mostrou mais disponível a algum diálogo com o meio-irmão recém-descoberto. Das vezes em que se encontraram, Maricy falava “coisas aleatórias, sem ser especificamente sobre o processo”, contou Milantoni. Era menos fria que os demais irmãos, ele disse, acrescentando não saber, contudo, “o quanto ela era verdadeira”. “Não sei até onde eles estão unidos, e até onde é teatro.” Para ele, a distância mantida pela família tem um motivo. “É receio de dividir herança, é claro”, disse. Maricy Caloi não quis falar com a piauí.

Tito confirmou que Maricy sempre se mostrou mais disposta a falar com Milantoni. Houve ocasiões em que os três se encontraram para um café. As conversas não evoluíram para um acordo. “A expectativa que ele tinha era muito irreal, achava que meu pai tinha deixado muita grana e, na verdade, não”, argumentou Tito.

A família sustenta, inclusive nos autos, que Bruno Caloi não deixou patrimônio. “Até falei para ele: o que meu pai me deixou foi uma vara de pescar”, disse Tito. “Fui lá, pesquei, ralei, trabalhei e hoje eu tenho um barco para pescar. Você quer uma participação da minha vara de pescar ou do meu barco? Parece que você está querendo do meu barco, que não é um transatlântico, mas um barquinho. Com ele posso manter minha família. Tenho cinco filhos, quatro netos. Trabalhei para isso. E é isso que eu acho que ele não entende.” Tito, que foi casado com Ana Maria Diniz, filha do empresário Abilio Diniz, abriu em 2009 uma marca própria de bicicletas, a Tito Bikes.

 

Em 27 de setembro de 2017, a Justiça encerrou a ação – iniciada doze anos antes – em que reconheceu Fabio Milantoni como filho biológico de Bruno Antonio Caloi. O sobrenome do pai foi incluído nos documentos de Milantoni. “Deu para ver um sorriso” no rosto de sua mãe, ele contou, depois dessa conquista. Mas a batalha de sua vida ainda não estava encerrada. Restava tentar garantir sua parte na herança do empresário, algo que ele reivindicava havia anos em outros processos judiciais.

Não demorou, contudo, até que surgissem notícias também desse front.

Apenas dois dias depois de conhecer o resultado da ação de paternidade, Milantoni recebeu uma intimação. A Justiça o avisava que, a partir daquela data, uma vez que ele também era um herdeiro de Bruno Caloi, passaria a responder, junto com os meios-irmãos, pela cobrança do BNDES relativa à antiga dívida da empresa de seu pai. O montante chegava a 247 milhões de reais, em valores atualizados até aquela data, com juros e correção monetária. Era o efeito da decisão de Musa de repassar aos filhos de Caloi o passivo do banco.

Essa era toda a herança a que o filho recém-reconhecido teria direito: ao abrir o inventário do pai, Milantoni descobriu que Bruno Caloi, ao morrer, não havia deixado patrimônio algum para ser dividido postumamente entre os familiares. Nada, coisa alguma.

E o que já parecia ruim, piorou. Os filhos reconhecidos do empresário em São Paulo tinham feito um acordo com Musa. Pelos termos negociados, a família Caloi afinal abria mão de questionar o valor da venda do terreno na Marginal Pinheiros. Em troca, o empresário concordava em anistiar a dívida.

Milantoni, entretanto, não aderiu à proposta do credor. Seu advogado à época, Ricardo Jobim, sobrinho do ex-ministro Nelson Jobim, contestou os termos do documento. Para o advogado, era necessário fixar a remuneração da defesa de Milantoni – a dele próprio, portanto –, coisa que a composição amigável entre os sete irmãos e Musa não fizera. Além disso, Jobim acrescentava outro argumento. “A presente decisão é obscura quanto ao artigo 844, parágrafo 3º do Código Civil”, protestou. O artigo 844 determina que, caso um dos codevedores resolva a transação com o credor, os demais devedores terão sua dívida extinta – ou seja, uma vez que os irmãos negociaram com Musa, a dívida de Milantoni também deixava de existir.

O que aconteceu foi justamente o contrário. Por causa do recurso movido por Milantoni – cuja renda bruta declarada é de 1,5 mil reais por mês –, ele passou a responder sozinho pela cobrança milionária.

O filho não reconhecido de Bruno Caloi desfez o acerto com Jobim, e o processo em que era intimado a saldar a dívida continuou a se arrastar na Justiça. No início de 2019, ele assistia à tevê quando apareceu na tela o criminalista Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele estava dando uma entrevista. Eu falei para a minha noiva: ‘Nossa, é de um advogado desses que eu preciso.’ É um processo complexo e estou lidando com pessoas que… que… como posso dizer? Que têm poder. Para eu combater no mesmo nível, teria que ser um advogado de peso.”

Milantoni encontrou o número do telefone de Zanin na internet e ligou para o escritório do criminalista. Dias depois, o advogado retornou a ligação. Marcaram um encontro e, uma semana mais tarde, Zanin e sua sócia e esposa, Valeska Teixeira Martins, apresentaram um relatório com o resumo e a linha do tempo de todo o processo até aquele momento. “Nossa, é um sonho”, comemorou Milantoni. Como ele é beneficiário da Justiça gratuita, os advogados só serão remunerados caso vençam o litígio.

A área destinada a receber visitas no escritório Teixeira, Martins & Advogados é dividida em algumas salas de reunião; as portas, escuras, ficam fechadas. No ambiente designado para a entrevista, dezesseis cadeiras estofadas estavam dispostas ao redor de uma mesa retangular comprida e escura. Ao centro, uma pilha de papel e lápis estava à disposição para se tomar notas, ao lado de um telefone fixo. Zanin escutou seu cliente responder às perguntas da reportagem em silêncio, com raras e breves interrupções, em tom de voz baixo. Ao ouvir o elogio que Milantoni lhe dirigiu, esboçou um sorriso, mas logo retomou a expressão de seriedade, sem desviar o olhar do cliente.

Em junho de 2019, Zanin e Teixeira Martins entraram com uma peça para defender Milantoni, em que acusam Bruno Caloi de ter acobertado seu patrimônio por meio de sucessivas fraudes financeiras. Eles alegam que, usando offshores fora do país, o empresário fez manobras que impedem os advogados de identificar os bens deixados e, portanto, de realizar o cálculo da herança à qual seu cliente teria direito. Mencionam que um perito encarregado de calcular o valor integral de toda a sociedade Bicicletas Caloi chegou, em um primeiro laudo feito em 2007, a 70 milhões de reais. Apenas um ano depois, o valor foi rebaixado para 17 milhões de reais; e finalmente, em 2009, para 3 milhões de reais. Para a defesa de Milantoni, essa sequência de valores decrescentes pode ser tomada como um indicativo de ocultação de patrimônio.

Para corroborar sua tese, os advogados citam um trecho do processo movido pelo BNDES em 2011 – depois, portanto, do acordo de Bruno Caloi com Edson Musa, feito em 1999, e antes do acerto deste com os demais herdeiros, em 2017. Diz o trecho: “Através de alterações societárias e da mais completa confusão patrimonial, Bruno Antonio Caloi manipulou suas empresas de forma fraudulenta, abusando escancaradamente da personalidade jurídica. Essas manobras resultaram no esvaziamento das Bicicletas Caloi, deixando-a numa pobreza franciscana.”

Para Zanin e Teixeira Martins, Musa foi usado por Caloi em tais transações. Eles definem Musa como um “preposto” de Bruno Caloi “para o esvaziamento das Bicicletas Caloi, transferência da marca e dos principais ativos para a Caloi Norte e para offshores que tinham como beneficiário final o próprio Bruno Antonio Caloi”.

No mesmo documento, a dupla de advogados sustenta que o prazo para a cobrança da dívida original do BNDES já prescreveu. “O embargante [Milantoni] vem buscando desconstruir toda a malha negocial alinhavada pelos seus meios-irmãos e terceiros ao longo dos anos, antes e depois do falecimento do executado Bruno Antonio Caloi, que envolveu uma gama de operações comerciais escusas e transferências societárias por meio de pessoas interpostas, com utilização de offshores sediadas em famosos paraísos fiscais como Bahamas, Panamá e Uruguai, tudo com o fito de esvaziar sociedades, transferir bens e esconder o patrimônio dos membros da família Caloi, em detrimento do direito do embargante de receber o seu devido quinhão.”

Bruno Antonio Caloi Júnior, o Tito, reage às acusações. Durante a conversa que tivemos, retirou do bolso um documento e me mostrou. “Por ironia ou coincidência, eu estava falando com um amigo meu de cujo filho sou padrinho. Na época em que meu afilhado nasceu, 1989, dei para ele uma cautela de 1 milhão em ações da Caloi. E meu amigo, na semana passada, achou o papel. Agora que o menino vai casar, aos 30 anos, eu disse: ‘Desculpa, hoje em dia isso aí é um mico, não vale nada.’” Com a cautela de ações da Caloi em mãos, Tito continuou: “Meu pai deixou isso aqui. Um monte disso aqui. Se o Fabio quiser, dou para ele.”

Antonio Rocha Azevedo, que também é advogado de Tito, estava presente durante a entrevista. Quando seu cliente terminou de contar a história do papelório sem valor, Azevedo bateu a mão na mesa. “O Fabio ainda ousa falar que o Musa é laranja deles”, disse. “A família Caloi brigou por anos seguidos com o comprador da fábrica, como poderiam ser aliados?” Tito contou então que, quando abriu sua própria marca de bicicletas, em 2009, pretendia intitulá-la Tito Caloi. Como a marca Caloi, contudo, não pertence mais à sua família, a Caloi Norte o notificou. “Em quinze dias, tirei a marca do site e mudei para Tito Bikes. Tive que pagar uma indenização de 100 mil reais.”

 

A cada dia, a desejada herança de Milantoni se converte em dívida crescente, com a correção de juros e inflação. Hoje se aproxima de 350 milhões de reais, nas contas dos advogados de ambos os lados. Para Milantoni, a persistência na cobrança é uma forma de intimidação. “Não tem outro motivo”, disse. Ele não se convence de que não é de seu direito uma parte do patrimônio do pai que, afetivamente, nunca teve. Por essa razão, rejeitou um acordo extrajudicial proposto pela família para encerrar os processos com um pagamento de cerca de 300 mil reais, segundo uma pessoa a par da negociação. Se somente o terreno da Caloi foi avaliado em 50 milhões de reais, sua parcela “não pode ser tão pequena”, insistiu.

O advogado de Edson Vaz Musa afirmou que “não há lógica” na ideia de que a cobrança é um modo de forçar Milantoni a desistir de buscar sua parte no patrimônio de Bruno Caloi. “Não posso falar sobre o que ele imagina, até porque, se ele tem esse tipo de suposição, isso diria respeito aos irmãos dele, aos outros herdeiros. Não temos nada a ver com isso, pelo contrário, nós brigávamos com a família Caloi inteira”, respondeu Ruy Janoni Dourado.

 

Fabio Milantoni mora com a noiva no apartamento próprio dela, de 60 m2, em Taubaté. Quando perguntei se tinha planos de ter filhos, o assistente financeiro respondeu que ainda não pensava no assunto.

Não mencionou a menina de 13 anos que nasceu de um relacionamento anterior. Dos 1,5 mil reais que ganha mensalmente, apenas um terço entra na sua conta, pois do salário é descontada a pensão da filha, fora os impostos. Voltei ao assunto em um telefonema em novembro. Seu advogado explicou que ele não falou da criança porque entendeu que a pergunta se referia à família com a noiva. Seu contato com a filha não é frequente. “A gente tem uma relação dentro das minhas possibilidades”, disse Milantoni, encerrando o assunto.

Thais Bilenky

Repórter na piauí. Na Folha de S.Paulo, foi correspondente em Nova York e repórter de política em São Paulo e Brasília

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