cartas

O leitor que bota os pingos nos is e descreve minuciosamente por que não gostou da edição passada

MENOS LEITE

Esta edição (piauí_70, julho) está muito boa, só não assino a versão impressa porque o valor por um ano representa pouco menos de 50% do valor de doze caixas de leite e, hoje em dia, os jornalistas não podem se dar a esse luxo.

nota da redação: E você já fez amigos bebendo leite, Mayara? Assine logo!

MAYARA CRUZ, Sorocaba (SP)

CHEIRO DE PIAUÍ

Após três meses de assinatura, confirmo: ler esta revista é a melhor forma de aproveitar o tempo. Com matérias que versam sobre o inusitado, o banal e o enigmático e que reverenciam o insignificante e “irreverenciam” o “importante”, piauí comprova ser a mais fascinante revista publicada no Brasil.



MAICON ANTONIO PAIM, Bagé (RS)

CHEIRO DE PIAUÍ

Sou assinante da revista há mais de três anos e fico muito feliz mensalmente quando chega à minha casa um mundo cheio de novas ou velhas ideias. Podem dizer que as pessoas leem pouco e que a internet faz com que deixem para lá o cheiro do papel e a sensação de folhear um livro ou uma revista. No entanto, sempre serei uma leitora à moda antiga. Não costumo ter muito apego a coisas, à exceção da revista, que guardo com muito carinho após a leitura. Obrigada, minha revista predileta.

GORETTE LIRA, Corrente (PI)

CHEIRO DE PIAUÍ

Até uma amiga nos apresentar, eu não os conhecia, e foi em uma entediante aula de física que as devidas apresentações foram feitas. Ao ver a capa da piauí e o seu formato, logo me interessei. A partir daí foi só folhear algumas páginas que fiquei impressionado e encantado com o todo que está na piauí! Agora, sempre que posso, em minhas manhãs eu procuro saber como está a revista!

CAIO SCARDINI NEVES, Serra (ES)

ESCRAVINHOS

Mais uma revista a serviço de americanos e europeus. Com tanta gente dita de talento, por que dar mais notícias de lá que de cá? piauí é o retrato do Estado atrasado. Dê notícias de nosso Brasil, e não do Brazildeles! E por que tudo em inglês? Por que não escrever em português brasileiro? Depois reclamam de nossos políticos.

BENEDITO CELSO DE ARAÚJO FRANCO_, Conselheiro Lafaiete (MG)

PARESTESIA NÃO, FORMIGAMENTO

Os textos curtos da seção Esquina são quase tão bons quanto as grandes reportagens de piauí. Às vezes conseguem traduzir de modo preciso as mutações da opinião geral da sociedade. Em “Parestesia não, formigamento” (piauí_70, julho), Clara Becker espelha uma tendência bem atual do brasileiro: a de tentar resolver problemas de saúde de modo autônomo, sem a participação do médico. Assim, a iniciativa da Anvisa de “traduzir” as bulas de medicamentos foi saudada como um movimento positivo, pois a linguagem criada pela ciência farmacológica seria, na verdade, uma força a serviço das trevas (termo usado no texto), e a convocação de uma doutora em linguística seria a necessária iluminação (e, creio, aliada poderosa do dr. Google).
Lamento ser o portador de uma má notícia: nem sempre basta traduzir uma bula para que a cura chegue mais rápido. A ciência continua estudando os medicamentos mesmo depois de anos de seu lançamento, e a prática médica continuada, atenta e meditada (ars curandi) gera um olhar ao mesmo tempo mais flexível e mais profundo, que pode contradizer informações tidas como verdadeiras.
Talvez sem saber, a repórter dá um exemplo disso na própria matéria. Como está na linguagem da obscuridade, me permito traduzir: “Estudos em laboratório e em seres vivos mostram que o remédio ebastina é um antialérgico eficaz e sem efeitos adversos no sistema nervoso.” Não é uma verdade inquestionável: algumas pessoas que tomam esse remédio sentem uma sonolência que pode ser incompatível com as tarefas cotidianas. Não falo apenas como médico com mais de vinte anos de profissão; falo como portador de urticária que, ao tomar uma dose do medicamento, teve que cancelar uma tarde de consultório e deitar.

nota da redação: Prezado dr. Felippi, devemos confessar que nossa repórter ingeriu ebastina e dormiu sobre o computador no momento em que escrevia a Esquina.

JOSÉ LUIS FELIPPI, Vacaria (RS)

DE CHORAR

Parabéns pelas bem-humoradas sátiras! A política praticada no Brasil é de chorar. Vocês conseguem transformar o fel em mel!

BOSCO FERREIRA, Santo André (SP)

TOUCHDOWN EM BELÉM

Sou assinante da revista há uns três anos e gosto muito dela, tanto pelo teor quanto pelo formato das reportagens. O que me chamou a atenção na revista deste mês foi um dos textos da seção Esquina, sobre um time de futebol americano que existe na capital paraense (“Touch-down em Belém”, piauí_70, julho). Fiquei especialmente tocado pela menção ao tradicional clube Bancrévea, que frequentei quando era mais novo (minha mãe era sócia, até comemorei aniversário lá). Fiquei feliz em saber que ele ainda vive, ainda que precariamente, e que é personagem da insólita empreitada de construir um time desse esporte ianquenas terras amazônicas.
Ah, sim, gostaria de sugerir uma pequena correção no texto. O Paysandu e o Remo não estão, ambos, na série C. O primeiro está, ao passo que o segundo (para minha tristeza) luta para disputar a série D do Campeonato Brasileiro.

nota da redação: Fabrício, acabamos de cair para a série D.

FABRICIO POTIGUAR, Belém (PA)

DIÁRIO DA DILMA

É uma festa prazerosa ler piauí. Entre outros, o Diário da Dilma é excelente. Então eu gostaria de lhes passar uma sugestão: que tal gravar o diário em stream-ing de áudio e colocar no site? E, é claro, na voz do humorista Gustavo Mendes. Quando leio o diário, fico imaginando a voz da Dilma. E o Gustavo faz isso com perfeição – e basta a voz. Ah, sim: a sugestão, se aceita, terá um preço considerável (para não dizer alto): uma assinatura anual da revista.

nota da redação: Obrigado pela dica, prezado Heringer. Mas não seja modesto. Iremos presenteá-lo com uma viagem à Ilha de piauí.

LUIS CARLOS HERINGER, Manhumirim (MG)

DIÁRIO DA DILMA

A melhor Dilma é a da piauí. E ela deve ter inveja.

PAULO SÉRGIO SCARPA, Recife (PE)

O RIVAL DE CHÁVEZ

Com relação a “O candidato TOCOCHA” (piauí_69, junho), devo destacar que, embora tenha gostado muito do artigo, ficou pelo menos uma lacuna, que pode ser mal interpretada. Na página 47, deveria constar que inclusive o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou, solidariamente a Chávez, petróleo para contornar a crise na PDVSA. Aliás, a respeito desse episódio, Fernando Henrique justificou-se a contento.

RENATO NUNES RANGEL, São Paulo (SP)

PRECONCEITO ÀS AVESSAS

Ouvimos sempre a reclamação de que Lula sofre preconceito. E é verdade. FHC também (e não é de hoje), só que “às avessas”. A carta de Marcos dos Santos (Cartas, piauí_70, julho) a respeito do artigo sobre o livro de Tales Ab’Sáber (“O povo pop no poder”, piauí_69, junho) demonstra isso. Como é que Lula e FHC puderam chegar à Presidência? Afinal, um é o “ignorante e despreparado” que não completou nem o ginásio. O outro, com vários títulos acadêmicos, segundo o livro, tem “imenso impacto de personalidade” apenas sobre “dois ou três departamentos de universidade e três ou quatro bairros ricos de São Paulo”. Pelo jeito, mais da metade dos eleitores brasileiros (a maior parte povão, é claro), em duas eleições, já no primeiro turno, se identificou com os ricos de três ou quatro bairros da elite de São Paulo. Está na hora de FHC também começar a reclamar, até porque, se depender do PSDB, morre sem qualquer socorro.

JOSÉ ROBERTO PEREIRA DA SILVA, Campinas (SP)

A DOAÇÃO DA LAVOURA

A piauí me proporcionou um parque de diversões na cabeça! Ri comigo mesma, como a sorridente garota do Caco Galhardo (“Sapato velho”, piauí_70, julho), e cheguei a chorar, tal qual o Raduan Nassar. Devorada a edição, voilà: fechei a revista e respirei serena e agradecida, inspirada pela pintura do Giacobbe. Parabéns,piauí!

LIANA WEBER PEREIRA, Campo Grande (MS)

A BRASÍLIA DE SARLO

Desejo cumprimentar entusiasticamente Beatriz Sarlo. Que formidável sua capacidade de recriar impressões de viajante a uma Brasília que nascia!

CARLOS EDUARDO AFFONSO FERREIRA, Salvador (BA)

A DOAÇÃO DA LAVOURA

Maravilha! Raduan Nassar incrível. Brilhante o texto de Rafael Cariello (“Depois da lavoura”, piauí_70, julho). Aguardo ansiosamente piauí todo mês nas bancas. E não faço coro aos leitores que deploram o fim da Esquinasem assinatura. Por favor, continuem a identificar o autor de cada textículo (revisor, cuidado!). Para os descontentes, sigam a minha sugestão: quando tinha tempo para palavras cruzadas, eu costumava riscar as palavras que apareciam no banco no fim da página. A lápis, please. Depois vocês passem a borracha e vejam se acertaram o texto com o autor.

GERALDO MAGELA MAIA, Belo Horizonte (MG)

A BRASÍLIA DE SARLO

Beatriz Sarlo é deleitável como a goiabada que ela come à mercê do rio Paraná. Esse artigo (“Viagem ao futuro do passado”, piauí_70, julho) é uma descrição de uma daquelas viagens que todo jovem quer fazer: desbravar lugares ainda desconhecidos para si e para todos. Nossa hermana desde cedo se mostra curiosa pelo mundo e fiel a sua ideologia.

BRUNA PEREIRA, São Sebastião do Paraíso (MG)

CONSÓRCIO NO PLANALTO

Eu confiava no Demóstenes (“Doutor & professor”, piauí_70, julho). Ele chegou a ir ao Programa do Jô e, depois da entrevista, tive certeza de todas as suas qualidades. Só tinha reticências quanto ao seu partido. E essa intuição estava certa. Será que ele enganou todo mundo mesmo?

ISAURA PAPAROTTI, Santo André (SP)

INFLUÊNCIA NO ENEM

Após dois meses de recessão, vocês voltaram com tudo! Fala sério! Muito boa a edição deste mês (piauí_70, julho). Assinei, em janeiro, a piauí por um ano e quase me arrependi. Maio e junho foram inférteis. Vou prestar vestibular no final do ano e de nada vocês estavam me adiantando. Mario Sergio Conti mostrou quem realmente é com o posfácio de Notícias do Planalto (“Escândalos da República 1.2”, piauí_70). E uma salva de palmas pro Bernardo Esteves (“Cooperação conturbada”, piauí_70)! Vamos nesse passo que, em novembro, a redação do Enem terá a influência de vocês.

PEDRO LORANDI DEMARCHI, Santos (SP)

TROTSKISMO INFILTRADO

Sinto que há uma burocracia trotskista instalada na revista. Tanto na matéria “Escândalos da República 1.2” quanto naquela que se chama “Cooperação conturbada” (piauí_70, julho), há referências a uma suposta “casta stalinista” e à “burocracia stalinista” da Wikipédia. Não se esqueçam de que, numa de suas últimas cartas lidas em Congresso, Lênin se refere a Trotsky como alguém com preocupações meramente administrativas (ou seja, um burocrata). Lendo Stálin: Um Novo Olhar, de Ludo Martens, pode-se ver como o partido aumentou no tempo de Stálin, assim como ele sempre privilegiou a base em detrimento da cúpula. No caso da Wikipédia, na qual já tentei contribuir, o que existe é uma patota arrogante, que centraliza tudo numa cúpula, apagando ou se apropriando das contribuições dos outros. Eu contribuí com um artigo sobre o filme de Caetano Veloso, assim como sobre a maldição da família Hemingway e sobre o poeta D. A. Levy. Os artigos e notas sobre Caetano e Hemingway foram apagados, mas um dos sabidos da patota reescreveu o artigo sobre o poeta beatnik, apropriando-se dele. Suponho que é isso o que está acontecendo na Wikipédia.

LÚCIO EMÍLIO DO ESPÍRITO SANTO JÚNIOR, Bom Despacho (MG)

NOTÍCIAS DA PLANÍCIE

O excelente artigo “Escândalos da República 1.2”, de Mario Sergio Conti (piauí_70, julho), atualiza seu grande livro Notícias do Planalto. Concordo com o autor: ter deixado que os leitores tirassem suas conclusões tornou o livro mais forte. A direita e a esquerda que descubram e disputem a história oficial. E, já que o artigo atualiza o livro, algo também permaneceu em aberto aqui. No artigo, Conti afirma que foi demitido “de pronto” da redação de Veja. Mas numa entrevista ao Roda Viva em 1999, ano de lançamento do livro, quando indagado sobre uma possível retaliação que poderia sofrer na revista, Conti afirmou que continuava trabalhando normalmente na empresa.

RESPOSTA DE MARIO SERGIO CONTI: Devido ao conteúdo de Notícias do Planalto, fui demitido da Editora Abril depois da entrevista ao Roda Viva, que foi feita quando da publicação do livro.

MARCELO SILVA SOUZA, São Paulo (SP)