história pessoal

O senhor Licitra

Meu pai deixou o país como exilado político, mas também escolheu me abandonar

Josefina Licitra
“Lembro-me de duas coisas”, disse minha mãe. “Que, no dia seguinte à partida dele, você parou de fazer xixi na cama. E que o seu temperamento mudou. Antes você era uma menina alegre”
“Lembro-me de duas coisas”, disse minha mãe. “Que, no dia seguinte à partida dele, você parou de fazer xixi na cama. E que o seu temperamento mudou. Antes você era uma menina alegre” ILUSTRAÇÃO: PEDRO FRANZ_2017

Acabo de receber um e-mail de Juan Cruz Ruiz, um dos fundadores do jornal espanhol El País. Há alguns anos, Juan Cruz organizou um livro de entrevistas com escritores no qual teve a gentileza de me incluir, e desde então trocamos mensagens esporádicas. Mas este e-mail não trata – como tantos outros – de temas editoriais. O assunto é “Seu pai”, e diz o seguinte: “Tomando o café da manhã em Pozuelo, fui cumprimentado por uma senhora. E em seguida, por um senhor. O senhor Licitra! Seu pai tem um belo sorriso. Beijos!”

Pozuelo é um município nos arredores de Madri, cidade onde meu pai mora desde que deixou a Argentina, como exilado político, em 1978. A senhora mencionada é a mulher do meu pai. Os dois conhecem Juan Cruz pelos textos do jornal; certamente foram eles que o abordaram.

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Josefina Licitra

Josefina Licitra, jornalista argentina, é autora de El Agua Mala: Crónica de Epecuén y las Casas Hundidas, da editora Aguilar

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