carta do México

Os 43 que faltam

Como um grupo de estudantes desapareceu num estado dominado pelo tráfico

Carol Pires
Artistas plásticos mexicanos retrataram os 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa que desapareceram em setembro, depois de atacados por policiais e homens armados à paisana
Artistas plásticos mexicanos retrataram os 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa que desapareceram em setembro, depois de atacados por policiais e homens armados à paisana

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No dia em que 43 de seus companheiros desapareceriam, Uriel Alonso Solís ia até a porta do ônibus e voltava. Estava hesitante. Naquela sexta-feira amena, os calouros da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, do povoado de Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero, iriam a uma cidade vizinha, Iguala, fazer boteo – as ações em que arrecadam dinheiro para manter as atividades da escola.“Eu me sentia culpado por eles. No meu povoado, vários pais chegaram a me apontar na rua porque eu tinha incentivado seus filhos a ir”, disse-me Alonso, ao relembrar os pormenores daquela noite de 26 de setembro de 2014, nove semanas antes.

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Carol Pires

É jornalista, roteirista, colaboradora do New York Times e colunista da Época online. Foi repórter da piauí de 2012 a 2016

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