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Sempre viva

O breve percurso da fotógrafa Valda Nogueira

Armando Antenore
“Valdinha encarava o ato de fotografar como uma chance de ser feliz”, afirma João Roberto Ripper, autor do retrato acima. Ele costumava documentar comunidades tradicionais com a colega
“Valdinha encarava o ato de fotografar como uma chance de ser feliz”, afirma João Roberto Ripper, autor do retrato acima. Ele costumava documentar comunidades tradicionais com a colega FOTO: JOÃO ROBERTO RIPPER


Na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, prolifera uma flor conhecida pela população local como pé-de-ouro. Com pétalas brancas e ovaladas, lembra as margaridas, apesar de ser consideravelmente menor. Tem, no máximo, 5 mm de diâmetro e aparece uma vez por ano, em fevereiro. Na mesma região, há outras flores nativas e igualmente pequeninas: a jazida, a sedinha, a guarda-chuva, a brejeira, a pimentinha… São cerca de quatrocentas variedades, todas pertencentes à família das Eriocaulaceae. Depois de colhidas, preservam a cor e a forma originais durante muito tempo – às vezes, décadas ou séculos. O fenômeno se dá porque, em vida, tais flores quase não retêm água. Assim, quando mortas (e secas), se diferenciam pouco de quando vicejavam. Não à toa, recebem o nome genérico de sempre-vivas e, com frequência, assumem funções decorativas. Estão em buquês, colares, bolsas, anéis e brincos.

Nenhum país reúne tantas espécies de sempre-vivas quanto o Brasil. Das 1 200 identificadas no mundo, 70% encontram-se aqui. O Cerrado de Minas concentra boa parte delas. Carioca, a fotógrafa Valda Nogueira não sabia praticamente nada disso quando, em 2015, subiu pela primeira vez a Serra do Espinhaço. Ela viajou para lá com a intenção de visitar o Quilombo de Raiz, onde moram 31 famílias de negros. Chegou à tardinha, em companhia de outro fotógrafo, João Roberto Ripper, e da antropóloga Elisa Cotta de Araújo. Além de documentar os hábitos do vilarejo, o trio pretendia ministrar uma oficina gratuita de fotografia para os quilombolas.

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Armando Antenore

Editor da piauí

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