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Um basta à sinonímia opulenta!

| Edição 114, Março 2016

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#FORASINONIMIAOPULENTA

Tive a honra de ter a repórter Julia Duailibi como uma das avaliadoras de meu TCC. No dia da banca, Julia leu um comentário extremamente cuidadoso, com algumas correções ao meu trabalho que equivaliam a uma aula inteira sobre apuração, texto e jornalismo. Em “O plano Temer” (piauí_113, fevereiro), senti que estava em mais uma aula da repórter. Não só pelo cuidado com a apuração e com o texto, mas também pelo humor fino e por tratar de forma interessante um tema que nos é empurrado, diariamente, goela abaixo. Só tenho uma crítica, que poderia chamar de uma “quase vingança”: no segundo parágrafo, a palavra “Câmara” se repete três vezes. Deveriam ter substituído por algum sinônimo. Parabéns pela reportagem!

IGOR UTSUMI_SÃO PAULO/SP

NOTA DO DEPARTAMENTO DE ESTILO: Nunca mais nos esqueceremos da conversa que tivemos com um dos maiores intelectuais brasileiros, cujo nome só não revelamos por se tratar de uma pessoa discreta. Ele nos falava do horror que nutria pelo fenômeno da “sinonímia opulenta”, uma expressão dele, essa nossa estranha ojeriza à repetição de palavras. Mencionou um discurso de Rui Barbosa em que, para não repetir a palavra “chicote”, o homem sacou da cartola uma boa dezena de substitutos: açoite, látego, muxinga, relho, vergalho, vergasta, chibata, rebenque. Aquilo lhe parecia ridículo. De fato. Portanto, imbuídos de missão civilizatória, lançamos, aqui e agora, esta tardia e necessária campanha de libertação nacional: #ForaSinonimiaOpulenta. Junte-se a nós e se repita como se não houvesse amanhã!

 

RAZÕES DO ATRASO

Impressionante a persistência do repórter Rafael Cariello em sua busca por Nathaniel Leff (“À procura de Leff”, piauí_112, janeiro). As ideias elaboradas pelo economista para explicar a situação de subdesenvolvimento do Brasil parecem plausíveis. Leff, de forma brilhante, põe em xeque uma interpretação bastante difundida e aceita no meio acadêmico: a da teoria da dependência. Essa hipótese, defendida por muitos pensadores de esquerda influenciados pelo marxismo, justifica nosso atraso a partir das relações entre a Colônia e a Metrópole. Para Leff, o caminhar trôpego do mercado interno brasileiro se explica pela geografia e pelos altos custos de transporte de mercadorias dentro do país. Uma vez que as ideias do economista americano podem ser vistas como uma alternativa à clássica interpretação esquerdista, só nos resta esperar que – logo, logo – os pseudopolitólogos e cientistas sociais habitués da seção de cartas venham acusar a revista de uma deriva à direita no espectro ideológico. Aguardo, ansiosamente, as análises por parte do nosso senso comum politizado.

GUSTAVO VENTURELLI_FLORIANÓPOLIS/SC

 

Parabéns pelo resgate da figura do historiador econômico Nathaniel Leff. A explicação que ele oferece para o “atraso” do Brasil em relação aos Estados Unidos remete aos trabalhos de Vianna Moog (Bandeirantes e Pioneiros) sobre as dificuldades de penetração no interior do país, cercado de norte a sul pela serra litorânea – ao contrário das planícies de até 100 quilômetros de extensão entre o litoral dos Estados Unidos e a primeira cadeia de montanhas. A isso se soma a semelhança de clima entre o norte da Europa e as antigas colônias britânicas, algo bem diferente do clima tropical brasileiro, ao qual os europeus estavam pouco habituados. Nosso país criou uma nova civilização, como dizia Darcy Ribeiro. Os Estados Unidos, por outro lado, produziram apenas uma “Nova Inglaterra”. O Brasil não chega a ser uma completa jabuticaba, mas tampouco se pode julgá-lo a partir dos padrões consagrados por modismos ideológicos. A pesquisa de Leff é digna de estudo – justamente para tentar explicar a nossa teimosia em desafiar esses padrões.

FRANCISCO DI GIORGI_SÃO PAULO/SP

 

RAZÕES DO BEIJO

A excelente capa da edição de janeiro de piauí relembra a famosa e histórica foto de Régis Bossu que captou o beijo na boca entre o líder soviético Leonid Brejnev e o presidente da então Alemanha Oriental Erich Honecker. O beijo entre Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e terceiro na linha sucessória, é o verdadeiro beijo da morte. A capa com os próceres do PMDB, esse partido furta-cor que dá sustentação a todos os governos e mantém o PT no poder, faz a síntese da bagunça que é a política brasileira.

LUIZ THADEU NUNES E SILVA_SÃO LUÍS/MA

 

Foi de extrema felicidade a escolha da capa de janeiro, em que Eduardo Cunha e Michel Temer, representantes do lado mais podre da política brasileira, emulam o famoso beijo entre Leonid Brejnev e Erich Honecker em 1979, durante a comemoração dos 30 anos da Alemanha Oriental. De um lado, Brejnev: o último dinossauro da nomenklatura soviética, responsável por dirigir aquele império, já falido, entre 1964 a 1982. Do outro, Erich Honecker, que montou aquela que talvez fosse a mais sanguinária polícia secreta do bloco comunista – a Stasi –, além de ter sido responsável direto pelo assassinato de pelo menos 138 alemães que simplesmente queriam atravessar para o outro lado do muro, para Berlim Ocidental.

Esse tipo de “beijo fraterno socialista”, que ficou mundialmente famoso ao ser reproduzido, num grafite, sobre o Muro de Berlim, tem origem na Igreja Ortodoxa Russa, e deveria simbolizar a irmandade e a aliança entre os estados do bloco socialista – um mundo que ruiu exatos dez anos depois daquele beijo.

DIETER BRODHUN_RIO DE JANEIRO/RJ

 

INTERESSES

A reportagem de Consuelo Dieguez “Esperando João” (piauí_112, janeiro) é brilhante. Todo mundo querendo passar a perna no João Gilberto. Creio que a gravadora EMI, o banqueiro Daniel Dantas e a senhora Cláudia Faissol estejam interessados em tudo, menos na preservação de parte importante da cultura musical brasileira.

JOSÉ LUIZ FELIX DA CUNHA_MONTES CLAROS/MG

 

DÚVIDAS

A todos os mestres em línguas, aos especialistas em gramática, estudiosos da pontuação, professores de literatura, trago uma dúvida: de que trata o artigo do filósofo Ruy Fausto (“Massacre no canal Saint-Martin”, piauí_111, dezembro 2015), uma vez superada a barreira – aparentemente impenetrável aos não iniciados – de vírgulas e travessões?

FERNANDO SANCHES_SÃO PAULO/SP

 

Tenho percebido uma queda de qualidade nos textos da revista e na escolha dos temas abordados. A edição de dezembro veio com uma enorme e maçante matéria do senhor André Singer que, de crítica, só tinha o título (“O lulismo nas cordas”, piauí_111, dezembro 2015). Vocês não acham que é um despropósito comparar Lula com Roosevelt? Ou sou eu que estou ficando maluco? Eu, hein!? Não vou renovar a assinatura.

AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT_SÃO PAULO/SP

NOTA MENDICANTE DA REDAÇÃO: Antes de qualquer gesto drástico, Aguinaldo, suplicamos que leia a carta do colega Gustavo Rigonato mais adiante. Que o exemplo dele toque o teu espírito, transbordando-o de clemência.

 

PODCASTS

Sempre acompanhei, atento, os podcasts da repórter Paula Scarpin, que costumavam trazer reflexões sobre os textos da revista. Hoje me sinto um noivo abandonado. O que houve?

PEDRO LOPES_GOIÂNIA/GO

NOTA DA REDAÇÃO: Aguarde, Pedro. Qual uma diva do bel canto, Paula está apenas descansando a voz maviosa. Em breve ela tornará a nos encantar. Não há curió (“A vida competitiva dos curiós”, piauí 113_fevereiro 2016) que se lhe compare.

 

TRÊS PINGUINS E A CONTA

Sempre tive interesse pela revista, mas tinha preguiça de comprar. Até que em outubro passado ganhei o exemplar daquele mês de uma amiga da faculdade. Pronto: foi amor à primeira vista. Praticamente engoli a revista e não via a hora de a próxima edição sair, depois comprei a edição de novembro e não teve jeito: virei assinante. Mesmo com textos grandes, não tive preguiça nenhuma de ler. Eram matérias bem escritas, com temas variados, sobre os quais eu nunca havia parado para pensar. Por exemplo: “A vida competitiva dos curiós” (piauí_113, fevereiro). Como assim existe competição entre passarinhos? Enfim, escrevo para parabenizar e agradecer, pois sou estudante de jornalismo, e a revista tem me ajudado muito. (A propósito: rola um pinguim? Já tenho um local reservado para ele aqui, ao lado do Darth Vader.)

JACKSON MEIRA DE VASCONCELOS_SÃO PAULO/SP

 

Sou leitor assíduo e assinante da piauí. Tenho filhas gêmeas que disputam incessantemente um pinguim que adorna minha geladeira – já bastante desgastado e combalido devido à belicosidade das meninas. Peço à piauí que me ajude a resolver a querela, pois não tenho recursos para arcar com duas psicoterapias, além da assinatura da revista. Por favor me enviem dois pinguins, antes que aconteça uma tragédia familiar – um único pinguim novo, pela diferença e preciosidade que representaria, apenas acirraria o combate.

RAFAEL DE TILIO_RIBEIRÃO PRETO/SP

NOTA DO DEPARTAMENTO DE BUSINESS PLAN: Nas longas madrugadas em que nos debruçamos sobre planilhas Excel que teimam em só trazer notícias ruins, por vezes discutimos se não seria o caso de trocar toda a redação por um call center dedicado a anotar pedidos de pinguins de porcelana. Além de a conta fechar, o bônus de final de ano seria mais gordo. Contudo, enquanto o pessoal insistir em fazer jornalismo, cada tostãozinho terá de ser alocado em viagens, apurações, revisões e checagens. Espero que as meninas compreendam.

 

PIAUÍ DE DIREITA? PIAUÍ DE ESQUERDA?

Quando recebi a revista este mês, comecei a leitura, como de costume, pela seção de cartas. Queria dizer que achei brilhante a disposição das mensagens enviadas à redação: ora criticando a revista por ser de “esquerda”, ora por ser de “direita” – vocês conseguiram mostrar assim, nas entrelinhas, como o país está polarizado. E provaram também que a revista se mantém plural, capaz de acomodar múltiplas visões de mundo. A cada mês fico mais contente com a leitura, e devo continuar assinando a revista por muito tempo ainda.

GUSTAVO RIGONATO_AMERICANA/SP

 

Tenho acompanhado a revista desde abril de 2014. Sou leitor de outras publicações, mas a que aguardo com maior ansiedade é a piauí. Na seção de cartas da edição 111, debateu-se sobre a possibilidade de esta revista ser de direita ou de esquerda. As pessoas esquecem que aquilo de que precisamos no país é de boa gestão, e não de ideologia. Ora, se o texto contiver guinadas à esquerda ou à direita, sou lúcido o suficiente para perceber, entender o que está sendo dito e tirar minhas próprias conclusões. A pluralidade enriquece o pensamento.

DENIS MELLO_SANTO ANDRÉ/SP

 

RELEITURAS

A Esquina “Folia abençoada” (piauí_113, fevereiro) relata os esforços da igreja Projeto Vida Nova para “ocupar datas de celebrações com origens pagãs”, como o Carnaval – e usar a oportunidade para pregar o evangelho e os valores cristãos. Creio que seria indicado avisar o pessoal do “evangelismo estratégico” que o Natal também é uma festa com origem pagã.

LUCIANO MARINO_CUIABÁ/MT

 

NOTA HUMORÍSTICA DA REDAÇÃO

“Macacos me mordam! Matei o motoqueiro!” (Cartas, piauí_113, fevereiro) HUAHAHAHAHAHA. Piauí, assim você me mata (de rir, é claro).

JORGE ROCHA NETTO_CAXIAS DO SUL/RS

NOTA TRIUNFANTE DA REDAÇÃO: Perdeu, leitor Paulo Vianna da Silva (Cartas, piauí_113, fevereiro)! Para quem estava distraído, este incréu duvidou de nós, desafiando-nos a publicar uma piada politicamente correta que fosse engraçada. Mal sabia ele que iríamos anestesiar a cobra (matar nunca!) e mostrar o pau.