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Ossos e ofícios

| Edição 22, Julho 2008

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 UM MILHÃO DE FLASHES

Numa sexta-feira do mês passado, por volta das oita horas da noite, fui até o ponto final do 2113 Castelo-Taquara, na Nilo Peçanha, para voltar para casa após um dia de estudo no meu curso preparatório para uma longa viagem.
Mais ou menos três pontos depois, vejo um rosto conhecido entrar no 2113. Minha outrora professora, Carolina Larriera, também carregava um saco de pipoca, e entrava no ônibus com aquele seu característico semblante de leveza. Percorreu-me um ímpeto de chamá-la para sentar-se ao meu lado, pois sempre tive uma vontade grande de saber mais sobre a jornada dela até a ONU, a experiência no Timor Leste e no Iraque.
A conversa no 2113 não aconteceu. Tive medo de ela não me reconhecer, fiquei tímida, sabe-se lá. Recolhi-me junto a minha pipoca, e deixei-a recolhida junto à dela. Fiquei questionando o que ela estaria fazendo aqui no Rio, depois de tudo o que aconteceu com o Sérgio Vieira de Mello. Fiquei questionando o que teria acontecido com a sua carreira na organização, após a tragédia no Iraque.
De repente, fiquei triste. Na sexta-feira anterior, eu havia, pela primeira vez, notado que uma pequena praça no Leblon, ali quase na divisa com a Gávea, possui uma plaqueta que diz Memorial Sérgio Vieira de Mello — ou algo assim. Esta praça está na rota do 2113.Tentei imaginar qual seria o sentimento de uma mulher, numa sexta-feira despretensiosa, ao ver que um homem, outrora muito real, outrora muito seu, havia se tornado uma placa em uma pequena praça pública no Rio de Janeiro.
Após ler o excerto de Samantha Power (piauí_21, junho 2008), entrei num profundo silêncio. Fiquei arrependida de haver silenciado quando pude conversar com a Carolina. Fiquei com raiva do silêncio dos homens lacrimosos na hora em que as lamentações ainda poderiam ser evitadas pela ação. Fiquei penalizada com o silêncio final do Sérgio quando seus verdadeiros amigos cavavam com as mãos para chegar até ele. Senti compaixão pelos vários silêncios que deve haver dentro da Carolina. E nesse momento passei pela praça.
No documentário En route to Baghdad [título em inglês de A Caminho de Bagdá], lembro-me de que alguém diz que Vieira de Mello era um dos poucos que logravam refletir esse símbolo que a ONU desejava ser. A ONU — ou os homens que a compõem —, por sua vez, não soube retribuir à altura, no momento de maior urgência. Samantha Power teve a sensibilidade de mostrar um outro lado da história. E, não por menos, esse lado tido como menos importante pelos grandes homens lacrimosos, foi o fio condutor da história que ela conta, até o momento final em que toda a identificação que resta ao Sérgio é sua aliança e o pingente com a inicial de sua noiva. Daquela que lutou até o último momento, daquela que foi silenciada, e a quem Samatha Power deu voz.
Se alguém aí porventura conhecer a Carolina, mande-lhe um abraço de uma aluna que a admirou silenciosamente.

MONIQUE FRANÇA, Rio de Janeiro (RJ)

PADRE CERÚLEO

O padre voador nos diz muito sobre um tipo brasileiro que, da noite para o dia, acha-se capaz de realizar isto e aquilo sem qualquer estudo, treinamento ou preparação. Inspirado no Darwin Awards (e como seleção para o nosso candidato nacional a esse galardão), proponho que se institua aqui o Prêmio Padrinho Baloeiro, o qual distinguirá anualmente aqueles cuja incompetência e ausência de autocrítica produzam resultados lastimáveis para si e os demais.

JOÃO FRANCISCO DUARTE JR, Campinas (SP)

“Os aeróstatos não serão de grande préstimo enquanto se não acharem os meios de dirigir seu rumo.” (piauí_21, junho 2008.) Bárbaro! Maravilhoso!O Obama misterioso, a Amazônia ameaçada, o aquecimento global, o petróleo que não pára de subir, o MST, os ladrões, os tarados… o que falta, para resolver tudo isso e mais além? “Os aeróstatos…” O rumo, meus irmãos, o rumo…

IOLANDA GABRIELA DE OLIVEIRA AZEVEDO, São João da Boa Vista (SP)

ELETROCHOQUE ANTIDEPRESSIVO

A segurança e a eficácia da eletroconvulsoterapia estão avassaladoramente comprovadas e só há polêmica por desinformação e ignorância, inclusive entre médicos. Vítimas, como Austregésilo Carrano, de uma “pseudomedicina” contam com nossa compreensão e respeito. Uma ilustração do século XIX para um tratamento que surgiu no século XX é desinformativa. São realizadas sessões de eletroconvulsoterapia também na Santa Casa de São Paulo, no Hospital do Servidor Público de São Paulo e no Hospital São Paulo, todos gratuitos e ligados, não por acaso, a instituições de ensino médico (piauí_21, junho 2008).

MOACYR ALEXANDRO ROSA, COORDENADOR DO SETOR PARTICULAR DO SERVIÇO DE ECT, HOSPITAL DAS CLÍNICAS, FACULDADE DE MEDICINA DA USP, São Paulo (SP)

AULA DE ANATOMIA

O osso ausente nas pernas do nosso “mais-novo-futuro-herói” sul-africano Oscar Pistorius não é o “perônio” (piauí_21, junho 2008). Recentemente, houve uma mudança na Nomina Anatomica e termos antigos foram abandonados. O “perônio” agora atende pelo nome de fíbula, a “rótula” virou patela e “omoplata”, escápula.

PEDRO OLIVEIRA PORTILHO, Rio de Janeiro (RJ)

PAIZÃO

O desenho em pastel (abaixo) foi inspirado em uma foto publicada na piauí_20, maio 2008. Somos assinantes da revista desde a primeira edição e, como presente por tantas e belas reportagens, a modesta homenagem de minha filha Marina, que é estudante de artes visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul a todos vocês.

INÁCIO KNAPP, Porto Alegre (RS)