vultos da República

A viagem do vagão

Como Eduardo Bolsonaro acabou virando quase tudo o que não era

Thais Bilenky
Eduardo, com seus livros: “Se você ficar lendo só as grandes imprensas, você vai ter uma visão de mundo. Se conseguir sair disso e ler autores como Olavo, vai descobrir outro mundo”
Eduardo, com seus livros: “Se você ficar lendo só as grandes imprensas, você vai ter uma visão de mundo. Se conseguir sair disso e ler autores como Olavo, vai descobrir outro mundo” CRÉDITO: DIEGO BRESANI_2020

“Ai, meu Deus! Eu escondo esse álbum dele! Deus me livre!” Heloísa Wolf Bolsonaro, mulher de Eduardo, o filho Zero Três do presidente da República, está zangada com o marido. Ele acaba de pegar o book de fotos que fez quando tentou ser modelo na adolescência para mostrá-las à piauí. “Tu vai vazar?”, ela questiona, insistindo que não quer ver as imagens publicadas na imprensa. Nelas, Eduardo aparece com a pele bronzeada e o cabelo loiro em formato tigela, à la Nick Carter, o integrante bonitinho dos Backstreet Boys. Em uma das fotos, está apenas de sunga vermelha, recostado em uma mureta com as pernas cruzadas, em pose insinuante. “Coisa brega!”, reclama Heloísa. Eduardo olha para o seu segurança e dá um sorrisinho, como quem se diverte com o incômodo da mulher. Conta que nunca mostrou à imprensa o álbum de modelo. “Não me chama de homofóbico, mas nessa época sempre tinham uns caras que queriam ou me comer ou dar para mim”, diz ele. Vigilante, Heloísa observa: “Essa tua frasezinha foi anotada, Eduardo.”

O casal está em seu apartamento funcional, na Asa Norte de Brasília, numa quarta-feira do início de fevereiro. Heloísa, gaúcha de Novo Hamburgo, é psicóloga, tem 28 anos e acompanha de perto a entrevista do marido. Quando ela intervém, antecipando alguma resposta, ele reage: “Muito obrigado, minha senhora.” Ele gosta da fama. Na verdade, Eduardo Nantes Bolsonaro, 35 anos, o deputado federal mais votado da história, adora a fama. Ele saboreia o prazer de mostrar as fotos do book, apesar dos protestos de Heloísa. Orgulha-se do número de seguidores no Facebook (2,7 milhões), no Twitter (1,8 milhão), no Instagram (2,9 milhões). A repercussão nas redes sociais é, para ele, um termômetro fundamental do seu desempenho público.

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Thais Bilenky

Repórter na piauí. Na Folha de S.Paulo, foi correspondente em Nova York e repórter de política em São Paulo e Brasília

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