anais das redes

MBL perde engajamento no Facebook

Grupo é superado pelo rival MCC durante julgamento de Lula e tem quinto pior mês em interações na rede social em quase dois anos

Bruna de Lara
31jan2018_12h26

O Movimento Brasil Livre vem perdendo interações nas redes sociais. Os engajamentos com a página de Facebook do MBL no mês da condenação de Lula no TRF-4, evento mais esperado pelos grupos antipetistas desde o impeachment, caíram a menos da metade dos que haviam sido registrados em março de 2016, quando as marchas contra Dilma Rousseff mobilizavam o país. As 7 milhões de interações provocadas em janeiro deste ano representam uma diminuição de 30% em relação ao mesmo mês de 2017. Nos últimos trinta dias, em um período agitado na política nacional, o grupo registrou o quinto menor engajamento em quase dois anos.

Os dados foram obtidos por meio da plataforma Crowdtangle, uma startup que foi comprada pelo Facebook.

Os números mostram a dificuldade do movimento para manter a capacidade de mobilizar seguidores, depois do impeachment de Dilma Rousseff. A menor presença nas redes coincidiu com o baixo poder de mobilização do MBL nas ruas. No dia do julgamento do ex-presidente, menos de dois anos depois de ter sido um dos organizadores das manifestações de 13 de março de 2016, que reuniram centenas de milhares de pessoas pelo país, o MBL atraiu poucas centenas em Porto Alegre e em São Paulo.

Mesmo com a queda no buzz do MBL nas redes, o grupo ainda provoca mais interesse do que os movimentos do outro lado do espectro político. Na última semana, ele teve 2 milhões de interações a mais do que a página do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, e a da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, e 1,5 milhão a mais do que a do PT.



No Facebook, quem acabou liderando o ranking de interações foi um grupo que disputa espaço com o MBL no mesmo lado do espectro: o Movimento Contra Corrupção, o MCC, que obteve mais engajamentos do que qualquer outro movimento político na semana do julgamento de Lula. É a segunda ocasião, desde junho de 2017, em que o concorrente ultrapassa o número de interações do movimento cujos rostos mais conhecidos são Kim Kataguiri e Fernando Holiday. A primeira foi na véspera do Natal.

Presente no Facebook há oito anos, o MCC repetiu nos dias anteriores à condenação do petista uma vantagem que já havia registrado em abril de 2016, quando a Câmara dos Deputados autorizou o processo de impeachment de Dilma. Naquele mês, o MCC obteve 31,8 milhões de interações, quase o dobro das provocadas pelo MBL.

Já Kim Kataguiri viveu o movimento inverso. Neste mês de janeiro, a página de um dos coordenadores do MBL teve o maior engajamento desde sua criação, atraindo um número 80% maior de interações do que em março de 2016. Com isso, Kataguiri superou o também coordenador do movimento e vereador pelo DEM de São Paulo, Fernando Holiday pela primeira vez, depois de um ano com menor quantidade de interações. Ele superou o colega no dia do julgamento e prosseguiu à frente nos dias seguintes, graças também à polêmica com a filósofa Marcia Tiburi, que abandonou um programa de rádio em Porto Alegre ao descobrir que ele estaria presente.

Bruna de Lara

Bruna de Lara foi estagiária de jornalismo do site da piauí

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