a dança dos números

Veja os últimos resultados de Datafolha e Ibope

Acompanhe a atualização diária das pesquisas eleitorais

José Roberto de Toledo
01out2018_22h47

*

Os números do gráfico acima são atualizados diariamente. A reportagem abaixo foi publicada na segunda-feira, 1 de outubro, após a publicação de pesquisa Datafolha que mostrou crescimento de Bolsonaro entre as mulheres.

*

Mesmo após o #EleNão, o crescimento de Bolsonaro foi maior entre as mulheres do que entre os homens: seis pontos percentuais em cinco dias, segundo o Ibope (contra três pontos no eleitorado masculino). Embora a diferença esteja diminuindo, ainda há um fosso de gênero entre os bolsonaristas: o capitão reformado tem 39% entre homens e 24% entre mulheres. No eleitorado total, Bolsonaro chegou a 38% dos votos válidos. A seis dias do primeiro turno, está a “um Ciro” de ser eleito presidente (o candidato do PDT tem 13% dos válidos).

A pesquisa do Ibope começou no sábado, dia em que as manifestações do #EleNão levaram centenas de milhares de mulheres às ruas de dezenas de cidades de todas as regiões do Brasil para protestar contra a misoginia do candidato do PSL, e continuou no domingo. A despeito do crescimento de Bolsonaro no eleitorado feminino, 51% das eleitoras dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Uma hipótese para explicar a falta de impacto eleitoral do movimento #EleNão é que apenas as mulheres que já eram contra Bolsonaro participaram e ficaram sabendo dos atos. As manifestações não tiveram cobertura ao vivo das emissoras de tevê aberta e receberam pouca cobertura nos telejornais. No Jornal Nacional, por exemplo, foram quatro minutos, contra onze dedicados à alta hospitalar de Bolsonaro e a entrevista de sua ex-mulher negando tudo o que havia acusado o ex-marido de ter feito e que ficou registrado no processo de separação de ambos.

Outra razão para o crescimento de Bolsonaro é o aumento explosivo da rejeição de Fernando Haddad, do PT, que chegou a 38%. É um reflexo da campanha negativa feita pelos adversários no horário eleitoral gratuito e dos ataques que o petista sofreu nos dois últimos debates entre candidatos a presidente. À medida que mais eleitores o identificam ao PT, Haddad é mais rejeitado. Isso também estancou o crescimento do petista, que oscilou de 26% para 25% dos votos válidos (ele tem 21% nos votos totais).

Os ataques a Haddad e ao PT tendem a se intensificar na reta final do primeiro turno. A pesquisa do Ibope não registrou eventuais efeitos eleitorais, por exemplo, da delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, tornada pública nesta segunda-feira pelo juiz Sérgio Moro.

O crescimento em soluços de Bolsonaro (cresce e para, cresce e para) e a interrupção do crescimento de Haddad aumentam a possibilidade de vitória do candidato do PSL no primeiro turno – embora essa probabilidade ainda seja pequena. Para que isso ocorresse, seria necessário, por exemplo, que Ciro, Alckmin e Marina transferissem metade de seus votos diretamente para Bolsonaro. Não é provável mas não é impossível.

As novas pesquisas dirão. Haverá Datafolha nesta terça, Ibope na quarta, Datafolha na quinta, e Ibope e Datafolha no sábado.



José Roberto de Toledo (siga @zerotoledo no Twitter)

Editor-executivo da piauí, foi repórter e colunista de política na Folha e no Estado de S. Paulo e presidente da Abraji

Leia também

Últimas Mais Lidas

Juventude na mira do crime

Assassinatos de adolescentes de 10 a 19 anos subiram 91% em 2020 no Ceará

A variável Lula

Ao anular condenações de ex-presidente, Fachin abre caminho para não julgar Moro

Desigualdade que mata

Estudo inédito mostra que pobres, negros e pessoas de baixa escolaridade correm risco maior de morrer por Covid na cidade de São Paulo

Na estrada da agonia

Sem UTIs suficientes contra Covid, cidades do interior sofrem para transferir pacientes para capitais - que também estão lotadas

A polícia não pode tudo

Decisão do STJ obriga policial a gravar em áudio e vídeo autorização do morador para entrar numa casa

Mais textos
2

Do Einstein para o SUS: a rota letal da covid-19

Epidemia se espalha para a periferia de São Paulo justamente quando paulistanos começam a abandonar isolamento social

4

Pedra e poesia

Um dia com artistas na Cracolândia

5

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – falta de compostura

Quem seria responsável por pretender induzir deliberadamente manifestações na entrega dos prêmios aos quais concorrem filmes de tendências diversificadas?

6

O popular exaltado

Aristóteles e Sêneca analisam o sujeito que cospe, berra, xinga, faz discurso em cima do caixote e se julga permanentemente ultrajado. Suas frases prediletas são “Não tem cabimento” e “Disso a imprensa não fala”

7

Incompreendido e injustiçado

As pesquisas de Jared, o caçador, para provar que os gambás são legais

8

Polenta combina com tudo (menos com pressa)

Polenta de Dona Carolina

A verdade é que a Cozinha Transcendental de piauí e a redação da piauí compartilham a mesma equipe e isso explica o nosso silêncio dos últimos dias. Estamos preparando a edição de aniversário, e é facil deduzir que todos estamos grudados nas nossas telas, teclados e mouses e não sobrou um tempinho para nosso querido fogão. Quer dizer, quase. Ontem roubamos 15 minutos e fizemos uma polenta relâmpago, só para não deixar a semana passar em brancas nuvens.

A diferença entre uma receita rápida e uma feita às pressas é total, o que torna importante reconhecer e aceitar que, exceto por milagre (e milagre mesmo, desses que pressupõe intervenção divina), comida feita às pressas não fica como deveria.

9

Dormir, nunca mais

A misteriosa moléstia que há séculos mata de insônia membros de uma família veneziana, quando eles chegam aos 50 anos

10

A chance perdida pelo futebol brasileiro

Detesto a expressão, mas vou usar: semana passada, o futebol brasileiro perdeu uma grande oportunidade para – desculpem – fazer história. Não creio que a torcida do Real Garcilaso seja mais ou menos racista do que quase todas as outras do planeta – o que inclui as nossas. Não vi o jogo, mas é bastante provável que o time peruano tenha entrado em campo com mais negros que o Cruzeiro. E sou capaz de apostar que, se na saída do estádio os imbecis que imitaram macacos encontrassem Teófilo Cubillas – o maior jogador peruano de todos os tempos, e negro –, todos pediriam autógrafos e produziriam selfies abraçados ao ídolo.