Igualdades

No tempo dos papas viajantes

Edison Veiga e Renata Buono
16dez2019_06h11

Foi-se o tempo em que ser papa era ficar encastelado no Vaticano. Paulo VI (1897-1978) foi o primeiro pontífice a andar de avião, em 4 de janeiro de 1964, e inaugurou o que o Vaticano chama de viagens papais da era moderna. Ganhou o apelido de “o papa peregrino”. Mas nenhum papa rodou tanto o mundo como João Paulo II (1920-2005). Pelo tempo de pontificado, porém, Francisco, o 266º papa, já bateu o polonês em número de viagens anuais. Paulo VI e João Paulo II foram os únicos papas, até agora, que já pisaram em todos os cinco continentes. 

Os 262 papas que antecederam Paulo VI não tinham as viagens em sua rotina. Em outubro de 1962, João XXIII causou espanto ao sair do Vaticano e percorrer de trem os menos de 200 km entre Roma e Assis. Paulo VI foi o primeiro a andar de avião e, depois dele, João Paulo II, Bento XVI e Francisco também se tornaram papas viajantes.

Considerando a duração do pontificado, Francisco é o papa que mais viaja. Desde 2013, quando assumiu o posto, fez 8,35 viagens por ano de pontificado. Papa por 26 anos, João Paulo II tem a segunda maior média, 7,7 viagens por ano. Depois estão Bento XVI, com 6,7, Paulo VI, com 1,5 viagem por ano de pontificado.

Em número absoluto de países visitados e dias fora do Vaticano, João Paulo II, porém, é imbatível até agora. Em 26 anos de pontificado, visitou 132 países. Francisco é o segundo: foi a 49 países; Bento XVI esteve em 25 países, e Paulo VI, em 19.



Excluindo a Itália, os países mais vezes visitados por um papa são Polônia e Estados Unidos. Terra natal de João Paulo II, a Polônia foi visitada 9 vezes por ele, 1 por seu sucessor, Bento XVI e 1 por Francisco. Já os Estados Unidos foram visitados 1 vez por Paulo VI, 7 por João Paulo II e 1 por cada um dos dois últimos papas.

João Paulo II foi o primeiro papa a pisar no Brasil – em 30 de junho de 1980. Ele voltaria outras 3 vezes – em 1 delas, ficaria apenas algumas horas, sem sair do aeroporto. Depois dele, o país foi visitado 1 vez por Bento XVI e 1 por Francisco.

A proporção de católicos apostólicos romanos no Brasil vem caindo de modo significativo nos últimos anos. Em 1970, os católicos eram 91,8% da população; em 2010, já haviam caído para 64,6% da população.

Depois da Europa, destino de 108 viagens dos quatro papas viajantes, a América é o continente mais visitado pelos pontífices: eles pisaram 71 vezes em países americanos. Depois vem a África, cujos países foram visitados 65 vezes. Países asiáticos foram destino de 42 viagens; da Oceania, 9.

Fontes: Vaticano; IBGE.

Nota metodológica: João Paulo I não foi incluído porque só ficou 33 dias no cargo.

Edison Veiga (siga @edisonveiga no Twitter)

É jornalista e escritor, mora em Bled (Eslovênia)

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

leia mais

Últimas Mais Lidas

No rastro da Covid-19

Como duas cidades brasileiras aplicam a metodologia do contact tracing para reconstituir o percurso do vírus e reduzir o contágio

A irreverência contra o ódio

Comediante alerta para a máquina de disseminação de mentiras na internet

Brasil precisa de um SUS no transporte público

Ônibus e trens ficaram ainda mais cheios na pandemia; contágio entre os mais pobres escancara abismo social no país

A Terra é redonda: Depois da pandemia

Especialistas discutem como ficam a saúde mental, a luta contra o racismo, a vigilância e a confiança na ciência no mundo pós-coronavírus

Polícia na porta, celular na privada

A prisão do juiz investigado sob suspeita de vender sentença por 6,9  milhões de reais – e que jogou dois telefones no vaso sanitário quando a PF chegou para buscá-lo

Na terra dos sem SUS

Nos Estados Unidos, mães de jovens negros mortos pela polícia enfrentam a epidemia, o desemprego e o racismo

Um idiota perigoso incomoda muita gente

Memórias e reflexões sobre o tempo em que voltamos a empilhar cadáveres por causa de um vírus

Mourão defende manter Pujol no comando do Exército

Vice afirma que general deve permanecer à frente da tropa até o fim do mandato de Bolsonaro, mas admite que não apita nas nomeações do presidente

Mais textos
1

A morte e a morte

Jair Bolsonaro entre o gozo e o tédio

2

Polícia na porta, celular na privada

A prisão do juiz investigado sob suspeita de vender sentença por 6,9  milhões de reais – e que jogou dois telefones no vaso sanitário quando a PF chegou para buscá-lo

3

Mourão defende manter Pujol no comando do Exército

Vice afirma que general deve permanecer à frente da tropa até o fim do mandato de Bolsonaro, mas admite que não apita nas nomeações do presidente

4

Contra a besta-fera

A luta dos cientistas brasileiros para combater o vírus é dura – vai de propaganda enganosa a ameaça de morte

5

Um idiota perigoso incomoda muita gente

Memórias e reflexões sobre o tempo em que voltamos a empilhar cadáveres por causa de um vírus

6

Na terra dos sem SUS

Nos Estados Unidos, mães de jovens negros mortos pela polícia enfrentam a epidemia, o desemprego e o racismo

8

Tudo acaba em barro

Um coveiro em Manaus conta seu cotidiano durante a pandemia

9

A solidão de rambo

Suspeitas de corrupção e conluio com as milícias desmontam Wilson Witzel

10

PCC veste branco

Traficante da facção usou 38 clínicas médicas e odontológicas para lavar dinheiro, comprar insumos para o tráfico e socorrer “irmãos” baleados