=igualdades

Para os exportadores, festa do arroz

Luiza Ferraz e Renata Buono
17set2020_19h30

Uma das possíveis explicações para a alta no preço dos alimentos da cesta básica é o aumento da exportação desses produtos, graças à valorização do dólar. De janeiro a agosto de 2019, o Brasil exportou 665 mil toneladas de arroz. No mesmo período deste ano, a exportação quase dobrou: o país enviou 1,15 milhão de toneladas de arroz para outros países. Para tentar compensar, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu, na quarta-feira (9) passada, zerar a alíquota do imposto de importação do produto. Foi estabelecida uma cota de 400 mil toneladas que poderão entrar no país sem a taxa. A medida tem validade até 31 de dezembro. O presidente Jair Bolsonaro chegou a pedir “patriotismo” por parte dos donos de supermercados para reduzir os preços dos alimentos nas gôndolas. “Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro”, disse Bolsonaro a apoiadores durante uma viagem a Eldorado, em São Paulo. Segundo ele, está descartada uma possível intervenção no aumento dos preços por meio de decretos.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que monitora mensalmente o preço dos itens que compõem a cesta básica em 17 capitais brasileiras, em agosto o preço do arroz subiu em todas as cidades em relação ao mesmo período do ano passado, e um pacote de 10 quilos chegou a custar 45 reais na cidade do Rio de Janeiro – um aumento de aproximadamente 14% acima da inflação. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a agosto o preço d arroz registrou variação de 19,25%. Só em relação a julho, o aumento já foi de 3,08%, o que explica as medidas do governo agora.

Luiza Ferraz (siga @lz_ferraz no Twitter)

Estagiária de jornalismo na piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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