Igualdades

Privilégio longe do fim

Emily Almeida, Amanda Rossi e Renata Buono
02dez2019_09h02

Os negros passaram a ser a maioria dos estudantes na universidade pública, segundo dados divulgados pelo IBGE em novembro. São, exatamente, 50,3% dos universitários na rede pública. Por mais que seja algo inédito, ainda é menos do que a presença de negros na população brasileira, 56%. Além disso, a desigualdade persiste em cursos universitários mais concorridos, na rede privada e em outros níveis de ensino. Na classificação do IBGE, a população negra inclui os que se autodeclaram pretos ou pardos. Negros também têm menos empregos com carteira assinada e ganham menos. O =igualdades desta semana mostra um retrato ainda muito desigual da educação e do mercado de trabalho entre negros e brancos no Brasil.

Se dividirmos a sociedade brasileira em 10 grupos de renda, os negros representam 3 de cada 4 pessoas no grupo mais pobre. Na outra ponta, no grupo dos mais ricos, os negros são 1 de cada 4 pessoas.

O rendimento médio dos trabalhadores brancos é de R$ 2,8 mil mensais. Já dos trabalhadores negros é R$ 1,6 mil. A cada R$ 7 recebidos por um trabalhador branco, um trabalhador negro ganha apenas R$ 4.

Os negros representam a menor parcela dos trabalhadores registrados. Em 2018, a cada 100 pessoas com carteira assinada, 44 eram negras e 55 brancas. A proporção já foi mais desigual. Em 2009, era de 35 negros e 64 brancos.

Os cargos de chefia e com os maiores salários são ocupados por uma maioria branca. Em 2018, para cada 7 pessoas brancas ocupando um desses cargos, havia apenas uma negra.

Estudantes negros passaram a compor maioria nas instituições de ensino superior da rede pública do país (50,3%) em 2018. Entretanto, seguiram sub-representados, visto que representavam 56% da população naquele ano. Já na rede privada, os negros são 47% dos universitários.

A desigualdade também se manifesta em outros níveis de ensino. De cada 100 estudantes que frequentaram o ensino fundamental na rede pública em 2018, 65 eram negros e 34 brancos. Na rede privada, 42 eram negros e 57 brancos.

A taxa de analfabetismo entre os negros de 15 anos ou mais é mais de duas vezes a registrada entre os brancos nessa faixa etária (3,9% x 9,1%).

 

Fontes: Relação Anual de Informações Sociais (RAIS); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dados abertos: Acesse o documento do IBGE e a planilha que serviram de base para a reportagem.

 

Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

Repórter da piauí

Amanda Rossi (siga @amanda_rossi no Twitter)

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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