Igualdades

Uma cidade nas calçadas de São Paulo

Marcella Ramos e Renata Buono
08jul2019_08h00

A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura de São Paulo fez 107,5 mil atendimentos de pessoas nas ruas de São Paulo em 2018. Se essas pessoas formassem uma cidade, ela seria do tamanho de Paulínia, o 76º município mais populoso do estado.  Esse número não representa a quantidade de pessoas que de fato vive nas ruas, pois muitas estão em situação de rua momentaneamente, mas voltam para suas casas no fim do dia ou do mês. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da capital mapeia essa população por meio de abordagens e questionários. Com base nesse levantamento, a piauí fez as comparações visuais desta semana.

 

 

A prefeitura de São Paulo identificou 107.578 pessoas nas ruas da capital em 2018. Isso não quer dizer que elas moraram o ano todo na rua, mas estiveram nas ruas em algum momento. É o dobro da população em situação de rua em Nova York (63.498) em dezembro de 2018. E 21,6 vezes a de Tóquio (4.977) em julho do mesmo ano.

 

Em comparação com a população, foram abordadas nas ruas em São Paulo 883 pessoas por cem mil habitantes, enquanto nas ruas de Nova York há 736 por cem mil e em Tóquio, 53 por cem mil.

 

 

Além de formar uma população igual à do 76º município mais populoso do estado, o total de pessoas identificadas nas ruas de São Paulo é equivalente à quantidade de empregados da BRF dentro e fora do Brasil (105 mil).



 

 

Ao todo, 15 mil pessoas declararam estar nas ruas por causa do desemprego. Essa quantidade é próxima ao número de funcionários da Havan (16 mil).

 

 

Das pessoas que deram um motivo para estarem nas ruas de São Paulo, o desemprego foi o mais frequente, citado por uma em cada três. Oito anos antes, em 2010, a maioria citou problemas com a família. A frequência também foi de uma para três.

 

 

Nas ruas da capital paulista, foram identificados seis vezes mais homens (92 mil) que mulheres (15,5 mil).

 

 

Uma em cada seis pessoas abordadas pela prefeitura admitiu ter dependência química. O principal problema é o alcoolismo, citado por 12 mil pessoas, enquanto menos da metade declararam ser usuários de crack (5,1 mil).

 

 

301 pessoas declararam ter ensino superior completo. Para cada diplomado, há 4,4 analfabetos (1.322). E para cada formado no ensino médio (4.419), 5,4 que não passaram do ensino fundamental (23.903)

 

 

A prefeitura identificou também 4.576 crianças de 0 a 14 anos nas ruas em 2018. Para cada uma delas, encontrou 7 adultos de 35 a 44 anos (31.693) na mesma situação.

 

Fontes: Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Cidade de São Paulo; Coalition for the Homeless; Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão; Havan; BRF; IBGE.

* Texto alterado às 12h27 para esclarecer que nem todas as pessoas abordadas vivem nas ruas de São Paulo permanentemente

 

Marcella Ramos (siga @marcellamrrr no Twitter)

Repórter e coordenadora de checagem da piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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