Igualdades

A vida na quarentena

Luigi Mazza e Renata Buono
06abr2020_13h43

A quarentena contra o coronavírus mudou a paisagem do mundo. Hoje, enquanto a Coreia do Sul lentamente retoma suas atividades, a Itália paralisa tudo. Os italianos, no entanto, demoraram a agir. E o mesmo parece acontecer nos Estados Unidos, novo epicentro da doença. Na Califórnia, um dos estados americanos mais afetados pelo vírus, o movimento de pessoas em parques e praças caiu 38% em março – contra 91% na Lombardia, na Itália. A situação não é muito melhor no Brasil. Em toda a América do Sul, só os venezuelanos têm sido mais flexíveis do que os brasileiros quanto ao isolamento. O =igualdades desta semana usa os dados de localização do Google para mostrar em que países a quarentena tem sido mais rígida, e onde ela está mais frouxa do deveria.

Na Itália, devido ao endurecimento da quarentena, o movimento de pessoas em farmácias e mercados caiu 85% entre os dias 10 e 29 de março. Já na Coreia do Sul, onde o isolamento social começa a ser afrouxado, houve um aumento de 11% no movimento nesse tipo de estabelecimento, entre os dias 16 e 29 de março.

Na região da Lombardia, epicentro da epidemia na Itália, o movimento de pessoas em parques e praças caiu 91% de 8 a 29 de março. Na Califórnia, uma das regiões mais afetadas dos Estados Unidos, o movimento caiu menos da metade disso: apenas 38%, entre os dias 11 e 29 de março.

Em Nova York, cidade americana que se tornou o novo epicentro da pandemia, o movimento de pessoas em restaurantes e cafés caiu 86%, de 10 a 29 de março. Já em Los Angeles, a queda foi de 57% no mesmo período.



O movimento nos escritórios em Tóquio, capital do Japão, caiu pouco e tardiamente: a redução foi de 27%, a partir de 22 de março. Em Londres, por outro lado, o isolamento veio mais cedo: a ida de pessoas ao trabalho caiu 62%, no período de 15 a 29 de março.

O uso do transporte público na Bolívia diminuiu 92%, no período de 23 de fevereiro a 29 de março. É muito mais do que no Brasil, onde essa queda foi de 62% no mesmo período.

Em Santa Catarina, estado brasileiro que mais teve redução de atividades, o movimento de pessoas em cafés e restaurantes caiu 80% de 15 a 29 de março. Nas farmácias e nos mercados, o movimento também caiu, mas nem tanto: diminuiu 49%, de 10 a 29 de março.

O movimento em locais de trabalho (como escritórios e prédios comerciais) no Pará e no Tocantins caiu 19%, no período de 15 a 29 de março. Na média do país inteiro, a queda foi de 34%.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os dois estados brasileiros com maior número de casos de Covid-19, o movimento em locais de trabalho caiu 37%, no período de 9 a 29 de março.

Fonte: Community Mobility Reports (Google).

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí, produtor da rádio piauí e diretor do podcast Foro de Teresina

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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