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poesia

Penhascos e Gralha

O encontro de seu Candonga com Conde Draklo, Múmia roxa, Sombra Grinalda e tocheiro Libório

Zuca Sardan | Edição 15, Dezembro 2007

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PENHASCOS

As freirinhas, mesmerizadas pelos sopros do sacão que se exalavam no fi acre, foram aspiradas pela janela. E agora… O fiacre arranca!… Se destampa do convento a tod’abrida… e segue pela noite terrível entre relâmpagos, raios e trovões, pelos penhascos escarpados rumo à tenebrosa torre em brumas envolta… Passemos a objetiva pro interior do fiacre. Apoiado à janela, de fraque trajado, contemplando melancólico os contornos confusos dos vultos que se agitam no saco de seda preta jogado diante do banco, o Conde Draklo conversa com a sinistra Sombra Grinalda.

GRINALDA, fundo suspiro: Ai!… Conde Draklo!… Sinto um pouco de… melancolia…
DRAKLO ajeita o monóculo: Excelente!… A melancolia aumenta o prazer, Grinalda.
GRINALDA gira os olhos: Ai!… Tomara que sim… Dúvidas cruéis me sobressaltam.
VOZES, chorosas, saindo do sacão: Soltai-nos… Piedade… Abre-se a portinhola do teto, aparece a carantonha do postilhão:
POSTILHÃO, alvoroçado: Já se vislumbra a Torre, Excelência.
DRAKLO estala os dedos: Apressa, pois, o galope, rapaz… Plac-Plac-Plac!…
GRINALDA, sôfrega: Podes avistar a Torre nesta noite tenebrosa, Juvenal?…
POSTILHÃO, risonho: Iluminada pelos relâmpagos, Dona Grinalda.
VOZES, chorosas: Piedade… Soltai-nos… Soltai-nos…
POSTILHÃO, comovido: Excelência… poderia-vos exortar a uma ação piedosa?… Concederíeis graça, por mim, vosso fi el postilhão… a uma pobre alma inocente?…
DRAKLO, magnânimo: Dize lá, Juvenal!!… Qual é a graça?…
POSTILHÃO, furtiva lágrima: Excelência!… Concedei-me… uma freirinha!…
DRAKLO, severo: Nem sequer a Madre Superiora!!!… Tenho responsabilidades junto à Santa Sé. Mas ganharás bela gorjeta e… umas garrafas de vinho. A portinhola do teto fecha-se com brutal estrondo: POOOONNNGGGGG!!!!!
GRINALDA, chocada, à meia-voz: A audácia desse vil postilhão!…
DRAKLO, ressentido, à meia-voz: Um biltre sem-vergonha… um lúbrico bode, ignaro e bodoso que não sabe o seu lugar… um grosseiro e brutal agitador sem escrúpulos…
GRINALDA: A implacável sanha social!… Estamos à beira do abismo, Conde Draklo…
VOZES, chorosas: Ai!… Piedade!… Libertai-nos… pela Santa-Cruz!… Uh-ru-ruuu…
GRINALDA, comovida: Ai!… Conde Draklo!… As pobres freirinhas…
DRAKLO, irritado: Ora, Grinalda… Não me vás tu também começar a choramingar… Logo agora que temperei por fim a própria vontade na forja fumegante do Desejo…
VOZES, chorosas: Piedade!… Piedade!… Uuuuh-ru-ru-ruruuuuuuuu…
GRINALDA, cavo suspiro: Ai!… Seria tão bom se pudesse haver prazer sem pecado… Gozar… Gozar… Gozar… sem remorsos!… Leve rubor perpassa seu semblante…
DRAKLO, abafando com o dorso da mão o bocejo: Ora, minha boa Grinalda, se houvesse prazer sem pecado… e o pertinaz remorso… Qual seria então a graça?… RAKATRAAAAAK!!!… Tremendo raio fulmina o postilhão, que despenca carbonizado.
GRINALDA se benze: O Castigo Divino se manifestou… e fritou o postilhão apóstata.
DRAKLO, estóico: Sobe à boléia, Grinalda, conduz o fi acre… Sigamos nosso caminho.
GRINALDA, hesitante: Rezemos antes pela condenada alma do pródigo defunto, Conde Draklo. As freirinhas, com suas vozes celestiais, em coro, poderiam nos ajudar a…
DRAKLO, bocejão: … a… gozar?… Sim, se usarmos um bom chicotinho…
GRINALDA, digna: … nos ajudar a… rezar.
DRAKLO: Excelente idéia, Grinalda!… Ai!… Que volúpia…

 

GRALHA

No austero gabinete de Seu Candonga, diretor do Museu do Macaco, com a fiel Gralha ao ombro, ao lado de uma jovem Múmia envolta em faixas roxas. Seu Candonga recebe a visita do Conde Draklo, de manto e cartola, e de sua misteriosa Sombra Grinalda, de leque e mantilha. Entra o tocheiro Libório, de turbante, com uma bandeja marajoara.

MÚMIA borbulha: E os pastéis, Libório?… Pro Conde Draklo e sua Sombra?
GRALHA gargareja: Grã-Gra-Graaaaaa!… Pastéis a granel… o tocheiro comeu.
LIBÓRIO, zen: A bandeja está vazia de pastéis. Mas… cheia de vazio.
CANDONGA, enérgico: Pois então, Libório, ação!… Saca fora da bandeja o vazio.
LIBÓRIO, sofismático: Não se pode tirar o vazio da bandeja, Seu Candonga. E se a tornarmos a encher de pastéis… o vazio desaparece.
CANDONGA, dialético: O vazio, Libório, tem de estar dentro dos pastéis.
LIBÓRIO, pragmático: Avisarei a Dona Noélia. Sai.
CANDONGA: Dos pastéis, nem pó!… O Vazio, Conde Draklo, é a Mãe de todas as coisas. Tudo surge do Vazio e no Vazio torna a sumir: da mosca à Via Láctea!…
DRAKLO: Pra vós, Seu Candonga, que tendes uma visão beatífica do Universo, o Vazio faz maravilhas. E pra vossa Sombra, também, o Vazio se desdobra em faixas de roxas gentilezas. Mas pra minha Sombra Grinalda e pra mim… a tragédia é total.
CANDONGA: A Dama não é minha sombra, senão… a própria Múmia Real Aroxis.
GRALHA, matreira: Grã-Gra-Graaaaa!… Rapa-Troca… Roca-Trapa…
GRINALDA, assombrada: Esfingéticas palavras!… Insólito oráculo!…
DRAKLO, displicente: Trata-se de uma mera gralha, Grinalda.
MÚMIA, burbureja: Pitagórica Gralha Alhargis!… que nos traz recônditos oráculos.
DRAKLO: Gralhas não são sibilas, Dona Aroxis… nem sibilas são gralhas.
GRALHA: Gróóóóó… Dos enigmas das Gralhas… jamais, Mortais… saberais!…
CANDONGA, didático, pra Gralha: Jamais… Mortais… SABEREIS!
GRALHA, poética: Saberais!!! Saberais!!! Mortais, das Gralhas nunca mais…
DRAKLO, sotto voce: Sigamos adiante, Grinalda!… assaz enigmas… Deixemos Seu Candonga polemizar ad infinitum com sua gralha irredenta.
GRINALDA, siderada: Mas, Conde Draklo!, esse sacro pássaro… sabe falar!…
DRAKLO, bocejão: É o que parece. Partamos, pois, Grinalda… As gralhas são inexoráveis em sua feroz teimosia… Olhando em volta. A bem dizer, já partimos…
GRINALDA: Eis que estamos em plena avenida… Mudamos de cena sem nenhum aviso!… Parece passe de mágica do Lotrak, no Circo Spartaco!… Só falta aparecer…

Surge Haroldo, o jornaleiro perna-de-pau, com gazetas e pasquins forrando o sovaco.
HAROLDO, estentóreo: Olha a Gazetta Preta!! Nosso Nanico!! O Juízo Finaaaaal!!!
GRINALDA: Já estourou o Juízo Final?? Onde?? Em Bagdá?? Na Palestina??
HAROLDO: Juízo Final é um vespertino sensacional. Passa-lhes o jornal e se afasta.
GRINALDA, lendo o pasquim: Está tudo aqui, Conde Draklo!… O Enigma da Gralha…
DRAKLO: O Enigma da Gralha Jamais Sabereis de Nossa Visita Agora ao Museu??
GRINALDA: A imprensa hoje em dia, Conde Draklo, é muito rápida… e indiscreta.

 

Espero que não digam nenhuma maldade… baixa os olhitos… sobre nós dois.
DRAKLO: Ora, Grinalda!… sotto voce… O caso do Seu Candonga com a Múmia Aroxis… é bem mais escabroso. Ô-Rô-Rô-Rôôôôôô… olha pro alto e vê… o Condor!…

Entra o Condor, solta bostejada colossal pra cima do Haroldo, que alça um jornal…
JORNAL, s’abre, presto: ZZZZZZUUUUUUUUUFFFFFFFFFTTTTTT!!!!
BOSTA, colossal, explode no jornal: PLLAAAAAAAAAFFFFFFFTTTTT!!!!
HAROLDO, cantábile: Verde Bosta del Condor!… o Juízo Final me salvou.

Zuca Sardan

Zuca Sardan é escritor, poeta e desenhista. Publicou a comédia farsesca Babylon: Mystérios de Ishtar, pela Companhia das Letras

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