Um leitor lamenta a falta de ambição na agenda climática brasileira
| Edição 227, Agosto 2025
CLIMA
O texto do professor Marcos Nobre (O Brasil sob Trump, piauí_225, junho) poderia ser animador porque traça uma estratégia – algo raro hoje – para o que se convencionou chamar de campo progressista. Porém, ele entristece pelo tom de capitulação diante do quadro de hegemonia da “direita sem medo”. É de se compreender, dadas as circunstâncias, agravadas pela eleição do Orange Uncle. Dos dois recuos táticos sugeridos pelo autor, o da exploração dos recursos fósseis é o mais desanimador, pois diz respeito a um dos temas mais urgentes do progressismo: a catástrofe climática. Quando Nobre fala em recuar nessa agenda, porém sem abrir mão completamente dela, adotando reivindicações menos ambiciosas, não consigo deixar de pensar que, na verdade, nunca fomos ambiciosos nesse tema. Iniciativas como o Acordo de Paris e as tantas COPs realizadas mundo afora já eram tímidas diante do colapso iminente. Já eram propostas de medidas paliativas diante do estrago. Se é em relação a isso que devemos ter expectativas mais modestas, fica difícil não sentir que, com esse recuo, estamos, sim, abandonando a agenda climática, ainda que forçados pelo cenário.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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