minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos
A variedade vertiginosa da China

    Calígrafo em um mural na Malásia: viajar pela China e os países chineses da Ásia é como dar os saltos culturais que mochileiros dão pela Europa CRÉDITO: FOTO DE WAI YEE THANG_ALAMY_FOTOARENA_2019

crônica geopolítica

A variedade vertiginosa da China

Diferenças geográficas e culturais ganham escala dramática no país continental

Tash Aw | Edição 228, Setembro 2025

A+ A- A

Sempre que me encontro na China, a pergunta mais frequente que escuto – de taxistas, garçonetes, atendentes de loja, gente com quem acabo jogando conversa fora – é: “De onde você é?”, com o que não se referem apenas ao país de onde venho, mas também ao grupo regional ao qual pertenço, ao dialeto que minha família usa em casa. Em Hong Kong e Taiwan, um ou dois dedos de prosa sobre viagem – sobre partidas e chegadas – desembocam sempre nessa mesma pergunta. Em Singapura, onde corre uma forte identificação com a ancestralidade regional entre as imensas e bem estabelecidas comunidades de imigrantes chineses, as pessoas simplesmente me perguntam: “Você é hokkien?”[1] (embora a maioria já pressuponha que eu seja).

Para boa parte das pessoas que não estão familiarizadas com a China e sua cultura – e com isso me refiro às sociedades e costumes da China continental e da diáspora ultramarina –, a suposição que predomina é a da homogeneidade, de uma grande massa de pessoas que têm feições, pensamentos e comportamentos mais ou menos parecidos. A ameaça dessa horda de bilhões com uma só mente e uma só vontade pronta para manifestar pelo mundo inteiro suas ambições coletivas é o que alimenta a imaginação de economistas e políticos hoje. O governo chinês promove de bom grado essa noção, essa imagem de “uma só China” que consiste em um país monocultural habitado majoritariamente por um só grupo racial: os chineses Han, que respondem por 90% da população da República Popular e 19% da população mundial. E em muitas ocasiões as próprias pessoas de origem chinesa, nascidas seja em Pequim, seja em Hong Kong ou Ipoh,[2] pressupõem certa familiaridade umas com as outras, como se atadas por um antigo parentesco que desafia a nacionalidade. Mas, quando a conversa fica séria, quando o papo sobre o clima se esgota e chega a hora de falar de si próprio, as pessoas chinesas só querem saber de onde você é, de como você difere delas.

Já é assinante? Clique aqui Só para assinantes piauí

Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz

ASSINE