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A pancadaria black-tie não acabou em fast-food

    Os segundos após a invasão do ringue do evento Spaten Fight Night, no qual os convidados usavam smoking e vestido longo Imagem: Reprodução/ GE

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A pancadaria black-tie não acabou em fast-food

O embate de Popó e Wanderlei continua para além do ringue – e do comercial de sanduíche com piadinhas sobre a briga

Eduardo Ohata, de São Paulo | 23 out 2025_09h28
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Já era madrugada quando carros de polícia estacionaram perto do hotel Mercure, no qual o ex-campeão mundial de boxe Acelino Popó Freitas, 50, o ídolo do MMA Wanderlei Silva, 49, e as suas respectivas entourages estavam hospedados, no bairro da Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo. Horas antes, a dupla havia protagonizado uma luta de boxe que se transformou em questão de segundos em briga generalizada, com dezenas de pessoas invadindo o ringue.

Popó e sua equipe tiveram que arrumar as malas e deixar apressadamente o hotel, auxiliados por um considerável contingente de funcionários do prédio, sob o olhar atento da força policial. A organização do evento orientou que estivessem acomodados em outro hotel quando Wanderlei e sua equipe retornassem do hospital, onde ele recebia atendimento.

O temor era de que um novo confronto se iniciasse no lobby, nos corredores ou no café da manhã.

Enquanto isso, se desenrolava no espaço Arca a festa de encerramento do evento Spaten Fight Night, promovido pela cerveja da Ambev, no qual era obrigatório usar o traje black-tie para ver as quatro lutas da noite. Em meio a drinks, finger food e DJs, a celebração só acabou às 3h30. Mal parecia que os queixos dos convidados haviam caído sobre as gravatas borboleta horas antes, diante da troca de ofensas, socos, chutes e golpe de artes marciais no ringue, que acabaram com Wanderlei nocauteado pelo filho mais velho do oponente e arrastado para que não fosse pisoteado.

Duas semanas depois, os dois lutadores surpreenderam ao estrelar lado a lado uma campanha da rede de lanchonetes Burger King, na qual trocam gracejos em alusão à pancadaria. 

Nelson Rodrigues dizia que o dinheiro compra até o amor verdadeiro. No caso de Popó e Wanderlei, um bom cachê (que a piauí apurou ser de 250 mil reais para cada um) garantiu a participação em vídeos e fotos nos quais fazem até coraçãozinho com a mão. Ficou parecendo que a briga foi do sangue ao catchup muito rápido, mas não é bem assim. Fora do ar, o embate ainda não acabou.

 

Em sua segunda edição, o Spaten Fight Night foi apresentado pelo ator Rodrigo Lombardi. Depois de um desafio de MMA, houve duas lutas oficiais. Primeiro, o duelo entre dois medalhistas olímpicos brasileiros: Hebert Conceição, ouro em Tóquio, e Yamaguchi Falcão, bronze em Londres. Após dez rounds, Conceição levou para casa o cinturão Latino supermédio da Organização Mundial de Boxe. 

A partir do confronto seguinte, a noite começou a ter transmissão ao vivo pela TV Globo. A medalhista olímpica Bia Ferreira (“The Beast”) derrotou a uruguaia Maira Moneo (“La Panterita”) e defendeu (ou seja, manteve) seu posto de campeã feminina dos leves da Federação Internacional de Boxe.

Finalmente havia chegado o momento do combate principal do evento, entre Popó e Wanderlei. Aguardado com expectativa pelo público local, não foi recebido com o mesmo entusiasmo por oficiais das entidades do boxe tradicional. Luis Arturo Doffi e Jesuan Letizia (supervisores da FIB e OMB, entidades com relevância no boxe profissional, que trabalharam respectivamente na defesa de cinturão de Bia e no combate entre Conceição e Falcão) aproveitaram aquele momento para ir jantar.

Os atletas disputavam o título de campeão da Spaten Fight Night, que não tem valor oficial – é uma peça de marketing, cuja relevância se limita à promoção da marca de cerveja que organiza o evento e ao barulho nas redes sociais. As regras das lutas de entretenimento diferem daquelas dos embates do boxe profissional tradicional. Os assaltos têm duração de dois minutos (em vez de três), as luvas são maiores e podem chegar a até 12 onças (contra até 10 no tradicional) e a diferença de peso entre atletas são mais elásticas – nesse caso, Popó estava 20,2 kg mais leve.

Desde há alguns anos, desafios envolvendo influencers, youtubers, subcelebridades e atletas aposentados ganharam popularidade. O mais bem-sucedido é Jake Paul, youtuber com público-alvo infantojuvenil que construiu carreira milionária. No ano passado, tirou o ex-campeão dos pesados Mike Tyson da aposentadoria, aos 58 anos, para enfrentá-lo num duelo – e venceu. 

O plano original do evento era ter Vitor Belfort contra Wanderlei, em uma revanche aguardada desde 1998, quando o primeiro precisou de apenas 44 segundos para nocautear o segundo, na primeira edição do “Ultimate Brazil”, no ginásio da Portuguesa, em São Paulo.

Quando Belfort sofreu duas concussões em um treino, Popó foi recrutado para lutar contra Wanderlei. O lutador baiano estava se preparando para enfrentar Diego Alemão – um campeão de outra modalidade de sova, o reality show Big Brother Brasil –, em um evento chamado Fight Music Show. Parênteses para um pouco de poesia: com música ao vivo e mistura de lutas com profissionais, como Esquiva Falcão, e outras com famosos, como a ex-panicat Mendigata e o cantor Nego do Borel, o evento esportivo tem o slogan “a porrada vai cantar”. Fecha parênteses.

O lutador Fabrício Werdum, amigo de Wanderlei, disse no podcast Festa da Firma que Wanderlei recebeu cerca de 6,5 milhões de reais, enquanto a Popó foi pago 1 milhão. As partes não confirmam a informação.

As interações entre o baiano Popó e o curitibano Wanderlei, a princípio amistosas, evoluíram para provocações que costumam fazer parte do show. Até que uma questão técnica virou motivo para se estranharem. Popó havia falado que bateria no rival no peso que estivesse, mas recuou, exigiu que o limite de 20 kg de diferença entre eles fosse respeitado, e foi chamado de “bunda-mole” pelo oponente.

Na encarada, Wanderlei criticou o rival, por estar no “clima de já ganhou”, e disse: “Vou derrubá-lo do salto, e no ringue.” Popó retrucou: “Nessa lata não erro um murro.”

A temperatura subiu na cerimônia da pesagem oficial, quando a rivalidade contaminou as equipes. Wanderlei foi saudado com gritos de “Cachorro Morto”, alusão a seu apelido de “Cachorro Louco”, e alguns dos presentes imitavam os uivos de um cão agonizando.

Um áudio divulgado por Werdum mostra o ex-campeão dos pesados do UFC pedindo respeito a Popó e que as provocações se limitassem aos dois protagonistas, não se estendendo aos grupos que os cercam.

Werdum divulgou um outro áudio que diz ser de Popó, afirmando que quem faltara com o respeito no dia anterior havia sido Wanderlei, acrescentando: “Vai apanhar todo mundo. Quando apanha um no ringue, apanha todo mundo, certeza que quando ele perder, você [Werdum] vai perder também; fique na sua, vai dormir, irmão, e sonha amanhã com a derrota.”

Procurado pela reportagem da piauí para comentar o áudio, bem como o episódio como um todo, Popó respondeu: “Não falo sobre a luta, não; falei tudo que tinha que falar.” Wanderlei também não concedeu entrevista.

 

A luta começou pouco antes da meia-noite, com domínio de Popó. No segundo assalto, Wanderlei sofreu um escorregão, agarrou nas pernas do adversário e recebeu um golpe enquanto estava com o joelho no tablado, o que evidenciou o clima de nervosismo.

A temperatura só fez aumentar no quarto assalto. Ao tentar separar os lutadores, embolados, o árbitro Reginaldo Peixoto repreendeu Wanderlei, primeiro por não obedecer ao comando de “stop”, também desrespeitado por Popó, depois por aplicar uma cabeçada, deduzindo pontos do curitibano nas duas oportunidades. São recursos que os oficiais têm à mão para manter o controle.

A tática faltosa chamou a atenção da mulher de Popó, Emilene Juarez, que abandonou sua cadeira entre o público e se posicionou abaixo do córner do marido enquanto gritava, de modo exasperado, na direção do árbitro e de Wanderlei.

Em dado momento, o time de Popó teve de ser contido para não subir ao ringue. Pouco depois, Wanderlei desferiu uma nova cabeçada. Teve um terceiro ponto descontado e foi automaticamente desclassificado. Popó foi declarado vencedor, subiu no córner e abriu os braços. 

E aí começou a confusão. Membros da equipe de Popó subiram imediatamente ao ringue. O irmão de Popó, Luis Claudio, e um dos filho de Popó, Iago, caminharam até o meio do ringue gritando e apontando na direção do córner adversário. Homens da equipe de Wanderlei também avançaram sobre o quadrilátero.

A reportagem da piauí estava ao lado do ringue. O que gritavam era indiscernível, dado o ruído ensurdecedor. 

Segundo dirigentes do Conselho Nacional de Boxe, entidade responsável pela jurisdição esportiva da noitada e cuja análise contou com imagens inéditas de  ângulos exclusivos, um auxiliar do córner de Popó empurrou Luis Claudio, e este foi projetado para a frente, na direção de Thor, filho de Wanderlei. O mesmo auxiliar desferiu um chute na direção dos rivais, que atingiu o ar. A piauí falou com esse auxiliar, que afirmou considerar o assunto “morto” e acrescentou ser “nítido o que aconteceu, de onde partiu a agressão física e como, lamentavelmente, terminou”.

Ao ver o que ocorreu com Thor, André Dida, que comandava o córner de Wanderlei, reagiu. Eclodiu uma briga generalizada, com tantos confrontos individuais que era difícil discernir quem batia em quem. Alguns desses momentos: Dida lança soco na direção de Popó e, aparentemente, tenta um mata-leão contra o lutador. Werdum também desfere socos na direção de Popó. Dida projeta Luis Claudio no chão e o chuta, Popó vai pra cima de Dida, que escapa por pouco de ser golpeado na nuca por um outro integrante do time de Popó, o boxeador Lucas Silva.

O momento de maior tensão foi quando Wanderlei foi atingido em cheio por um golpe desferido por um dos filhos de Popó, Rafael, que o pegou de surpresa e de guarda baixa, nocauteando-o. O curitibano caiu “apagado”. Posicionado logo atrás da mesa de arbitragem e próximo à esquina do córner de Popó, testemunhei Wanderlei desacordado, atrás de um embaralhamento de pernas, sendo puxado pelos braços para o canto da lona pelo fiscal de ringue Marcio Ribeiro, livrando-o de novos chutes e pisoteamento. 

Ao chegar perto de onde Wanderlei estava, era possível ver um rastro vermelho partindo de uma poça de sangue.

Popó, inicialmente, negou que Wanderlei havia sido agredido por seu filho; depois, Rafael reconheceu ter desferido o soco ao alegar que havia agido “em defesa da família”.

Àquela altura, outros oficiais do CNB subiram ao ringue para tentar aplacar a confusão. Seguranças, ao redor do cercado que separava o ringue do público, tentavam prevenir invasões, e recolhiam as garrafas e canecas que eram empunhadas livremente. A reportagem não viu nenhum objeto de vidro jogado no ringue, mas filmou uma garrafa d’água voando sobre a pancadaria no meio da confusão.

Foi inevitável lembrar da noite, que coincidentemente completava exatos 45 anos no dia desta edição da Spaten Fight Night, quando o legendário Marvelous Marvin Hagler virou alvo de uma chuva de garrafas em Wembley por ter tomado o cinturão mundial do favorito local.

Ou da briga generalizada causada por outra desqualificação, no Madison Square Garden, em Nova York, em 1996. Daquela vez, o faltoso foi o polonês Andrew Golota, que atingiu repetidamente golpes baixos no ex-campeão dos pesados Riddick “Big Daddy” Bowe, que gerou briga envolvendo as equipes e público.

 

Com o ringue na Arca invadido por cerca de quarenta pessoas, entre atletas, membros de suas equipes, convidados e oficiais, a Globo passou a exibir para sua audiência uma imagem panorâmica. Nas mídias sociais, já eram abundantes as cenas da briga capturadas em close pelo público presente. 

Contida a surra coletiva, após um pedido de desculpas de Popó ao público pelo espetáculo lamentável, o judoca olímpico e fundador do Instituto Reação Flavio Canto, de semblante pesado, caminhava freneticamente de um lado para o outro. Embaixador do evento e conhecido por projetos sociais, ficou com a responsabilidade de substituir Lombardi e “fechar o evento” com um discurso sobre como o que acontecera não representava os valores, a disciplina e o autocontrole das artes marciais.

Não houve tumulto na plateia, que logo se desmobilizou para a festa. O acesso à garagem, onde estavam os motorhomes da organização e para onde os atletas se dirigiram, foi interditado de forma improvisada. Trios de policiais abriram caminho, de forma abrupta, em meio aos convidados em busca dos envolvidos na briga generalizada.

O empresário americano Arthur Pellulo, que promoveu a carreira de Popó no boxe profissional, lamentou. “Nesta altura [da carreira], especialmente nessa idade, Acelino não precisa levar aquelas cabeçadas; quanto mais isso se repetir, maior o risco de encefalopatia traumática crônica [mal causado pela repetição de traumatismos cranianos, que inclui também concussões].”

Pellulo disse que aconselharia o pupilo a “pendurar as luvas”, o que ocorreu poucos dias depois, quando Popó anunciou sua aposentadoria definitiva durante entrevista coletiva, na qual classificou o episódio como “uma das maiores vergonhas” que teve “na vida como lutador”. Como precisou fazer uma cirurgia na mão direita, Popó cancelou a luta contra Diego Alemão (ela continua anunciada no site oficial do Fight Music Show).

Alguns envolvidos na briga tiveram suas licenças suspensas pelo Conselho Nacional de Boxe: Popó, Luis Claudio, Iago, Wanderlei, Dida, Lucas Silva. Está em estudos também a proibição da presença de outros integrantes das entourages em eventos controlados pelo CNB: Werdum, Thor, Alã da Silva, Acelino Freitas Junior e Rafael, outros dois filhos de Popó.

Destes, Iago e Lucas, que tinham combates previstos para 25 de outubro e para o mês de dezembro, terão de desistir dos compromissos, ao menos se quiserem a chancela do CNB.

“Punimos as duas equipes para enviar uma ‘mensagem’ e evitar que algo do tipo se repita”, explicou Elthon Costa, diretor-jurídico do CNB. “As punições basearam-se nos regulamentos esportivos e na legislação”.

“É necessário fazer uma regulamentação específica voltada aos esportes de combate na legislação para coibir episódios como esse”, acrescentou Geyza Carini, presidente do CNB.

 

No front legal, a equipe de Wanderlei registrou um boletim de ocorrência eletrônico, enviado à 91ª Delegacia de Polícia de São Paulo, responsável pela região onde aconteceu a briga, no qual ele aparece como vítima de lesão corporal, sem grau de gravidade especificado. No documento, com data de 1º de outubro, quatro dias após o episódio, ao qual a piauí teve acesso, o ataque a Wanderlei é descrito como “criminoso, covarde, sem chance de defesa, praticado por invasores em superioridade numérica (cerca de quinze indivíduos), que agiram de forma despropositada e violenta”. 

“Enquanto Wanderlei buscava apaziguar a situação, dois integrantes do time de Popó o atacaram traiçoeiramente pelas costas, sendo identificado Rafael Freitas, filho de Popó, como o autor dos golpes: primeiro atingiu a nuca da vítima e, em seguida, desferiu um soco cruzado no rosto, quando Wanderlei não reagia”, descreve o documento.

“O golpe resultou em fratura nasal e quatro pontos, fraturas nas órbitas oculares e corte profundo na região ocular, exigindo sutura e sete pontos e causando desmaio imediato. A vítima segue sob cuidados médicos, com acompanhamento diário, afastada das suas funções habituais, e apresenta risco de perda de sentido ou função”, continua o relato.

Dias depois foi feita representação e exame de corpo delito, requisitos que faltavam para que um inquérito fosse instaurado.

O advogado de Wanderlei, Claudio Dalledone, planeja ação civil pedindo indenização, cujo valor exato ainda precisa ser calculado. Na sua interpretação, as imagens mostram que a equipe de Popó provocou a situação, agredindo verbalmente, desferindo um chute e empurrando Luis Claudio na direção de Thor.

“Wanderlei sofreu danos físicos e psicológicos; as lesões são gravíssimas, quatro fraturas no nariz, uma em cada órbita ocular, traumas cranianos”, enumera Dalledone. “O Rafael [Freitas] sai da plateia, desfere golpes na direção da nuca de Wanderlei e quase o leva a óbito, deu pra ver que sabe boxear, então conhecia a gravidade.”

Dalledone acrescenta que, além das fraturas, há o acompanhamento psicológico, e alega lucros cessantes, pois Wanderlei depende da imagem para a realização de certos trabalhos. “Ele [Wanderlei] sofreu uma concussão”, apontou o médico Murilo Gimenez, amigo do curitibano, presente ao evento.

O advogado saiu em defesa do córner de seu cliente, pois “o grupo de Popó era superior numericamente, e Werdum, Thor e Dida só reagiram às agressões, sendo que o último tentou uma ação de contenção em Popó”. O ex-boxeador se manifestou publicamente contra uma eventual disputa jurídica e apontou que gostaria que o episódio fosse considerado encerrado pelas partes.

O Ministério Público de São Paulo não tomou medida judicial relativa ao incidente até o momento.

 

Ainda no terreno jurídico, a Spaten revê o contrato, de olho nos itens que foram ou não honrados. Uma fonte com trânsito entre as partes envolvidas aponta que o documento fala sobre a preservação da imagem da marca de cerveja. 

Surpreendentemente, a piauí ouviu de pessoas ligadas às lutas que a briga foi um “golaço” para a marca pela exposição alcançada, com grande espaço ocupado em canais de TV, sites noticiosos, canais do YouTube e outras mídias sociais, vendendo a imagem “brigador que não leva desaforo para casa”. 

Marco Aurélio Klein, que foi diretor de marketing do Banco Nacional nos tempos de Ayrton Senna, discorda. “Vejo [a briga] como algo ruim, nenhuma marca quer se ligar ao que aconteceu. Episódios como esse trazem um risco reputacional”, explica Klein. “Quem é que pensa, ‘bacana, vou beber, brigar e quebrar a mesa ao lado’? Muita gente bebe a marca porque gosta da bebida, ou é a moçada que quer estar com amigos, pôr o papo em dia, curtir uma música, enfim, viver o espírito de bar; gente que não gosta daquilo, afinal, alguém poderia ter morrido.” Para ele, a marca fez bem em repudiar rapidamente o que aconteceu. 

“Não sabemos ainda se no ano que vem tem mais uma edição do Spaten Fight Night ou não”, diz Cinthia Klumpp, diretora de marketing da Spaten. “[Isso] está em avaliação no momento, e é um processo que deve levar algumas semanas, para só então tomarmos uma decisão…” A continuidade tem como aliada outros atletas da noite. “(A briga) foi um episódio lamentável, mas isso não apaga a grande noite que foi, o grande evento que estava sendo, e as apresentações das outras lutas que aconteceram, quero lembrar deste momento que foi uma noite incrível”, disse Bia à piauí. “Foi tremendo, grandioso, espero que aconteça outras vezes”, concluiu a atleta.

Enquanto isso, o Burger King – que não tinha nada a ver com o evento ou com a cervejaria – aproveitou o gancho. No comercial de tevê, Wanderlei aconselha “use a cabeça”, Popó rebate “e não perca”. Ao fechar o comercial, o curitibano pergunta a Popó, “quer levar um [hambúrguer] pro filhão?”

A equipe de maquiagem teve pouco trabalho com Wanderlei, que chegou como aparece no comercial. Foi aplicado apenas pó no rosto para retirar o excesso de oleosidade. A produção estava tensa e preparou um roteiro menos ousado, sem essas referências agudas à pancadaria, que foi descartado. Os dois interagiram bem e houve improvisos, como quando Wanderlei fila algumas batatas fritas de Popó. O comercial foi finalizado no mesmo dia, para evitar o risco de se perder o “timing”.

“Para nós, não muda nada”, disse o advogado de Wanderlei. “O inquérito foi aberto, continuamos trabalhando na ação civil.”

A reportagem também tentou contato com André “Dida” Schervinski Amado, Fabricio Werdum e Rafael Freitas, mas não obteve resposta.

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