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As criaturas luminosas de Joseca Yanomami

    “Sonho dos espíritos. Quando somos bem jovens e nosso interior está bem limpo, quando dormimos, nós sonhamos com os espíritos aparecendo bem nítidos para nós. Toda a floresta dos espíritos aparece. Quando sonhamos com os espíritos, nós não dormimos bem, pois estamos virando outros! É assim que se parece a floresta dos xapiri em nossos sonhos”, escreveu Joseca Yanomami no verso do desenho, em sua língua materna. Os textos das legendas nas páginas seguintes também são do artista. Ele os considera parte de cada trabalho Foto: estúdio em obra_grafite, lápis de cor, tinta de caneta esferográfica e tinta de caneta hidrográfica sobre papel_42 x 59,5 cm

portfólio

As criaturas luminosas de Joseca Yanomami

Artista da Amazônia retrata seus sonhos em pinturas

| 27 nov 2025_10h12
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Quando criança, Joseca Mokahesi Yanomami gostava de caçar em torno da casa coletiva onde morava. O menino ficava imerso na floresta e corria atrás de pequenos animais, mas nunca ia muito longe. Ao regressar, deitava-se na rede e sonhava com a mata. Às vezes, durante o sonho, a floresta parecia brilhar. Para onde Joseca olhasse, havia uma luz intensa. O garoto acordava com saudade dos animais que frequentavam a mata e saía à procura deles, conta a antropóloga Hanna Limulja na edição deste mês da piauí.

Joseca passou a infância se defrontando com sonhos que não compreendia e que duraram até o início de sua juventude. Não raro, nessas ocasiões, sentia medo. Diante dos estranhos seres de luz que apareciam em alguns daqueles sonhos, ele pensava: “O que está acontecendo? Será que vou morrer?” Um dia, seu pai lhe explicou: “Os seres de luz surgem nos sonhos porque querem que você se torne xamã.”

Depois da explicação, Joseca continuou tendo sonhos com as criaturas luminosas, chamadas de xapiri pë, mas agora não temia mais nada, pois desejava virar um xamã. Por várias razões, o desejo não se concretizou, e os seres de luz pararam de aparecer. As cenas dos sonhos, contudo, permanecem dentro de Joseca, que nasceu em 1971, à beira do Rio Uxiu, no Norte de Roraima. São essas imagens que ele transporta para seus desenhos e suas pinturas.

Desde 2022, quando realizou uma exposição individual no Museu de Arte de São Paulo (Masp), o indígena figura entre os principais artistas contemporâneos do Brasil. Já participou de mostras importantes em países como Austrália, Japão, China, França e Itália. Atualmente, mora na comunidade yanomami Buriti, na margem esquerda do Alto Rio Demini, no Amazonas. 

Assinantes da revista podem ler a íntegra do texto e ver um portfólio do artista neste link.

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