Ex libris do artista gráfico e ilustrador tcheco Oldřich Kulhanek retratando Hašek e Kafka: na primeira metade do século XX, esses escritores expressaram duas visões do mundo moderno, descrevendo tipos humanos que, à primeira vista, são distantes e contraditórios, mas que na verdade se complementam CRÉDITO: OLDŘICH KULHANEK_1982_CORTESIA DE JIRI KRENEK, DO ANTIKVARIAT KRENEK, PRAGA
Hašek e Kafka, ou o mundo grotesco
Contemporâneos, os dois escritores de Praga refletiram sobre a coisificação dos seres humanos
Karel Kosík | Edição 232, Janeiro 2026
Em 1963, mesmo ano em que lançou Dialética do concreto, um clássico do pensamento marxista da segunda metade do século XX, o filósofo tcheco Karel Kosík (pronuncia-se Kárel Kôssik) publicou na extinta revista tcheca Plamen o ensaio Hašek e Kafka, ou o mundo grotesco. Nele, procurou estabelecer um diálogo entre os escritores Franz Kafka e Jaroslav Hašek (pronuncia-se Iároslaf Ráchek), que, apesar das abordagens e estilos tão diferentes, se parecem na forma como enfrentaram, com os recursos da literatura, a crescente coisificação do ser humano pelo aparato burocrático-industrial-militar.
Kosík – cujo centenário de nascimento se comemora em 2026 – desloca sua atenção principalmente para a obra-prima de Hašek, o romance As aventuras do bom soldado Švejk (pronuncia-se Chvêik), publicado em 1921. Contrariando a leitura habitual que se faz desse livro como narrativa humorística ou satírica, o filósofo ressalta a dimensão crítica do personagem Josef Švejk em sua relação com os mecanismos de poder.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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