questões da desinformação

Boatos sobre políticas públicas serão o foco da nova edição do projeto Comprova

Iniciativa, no ar a partir de hoje, conta com a participação da piauí e de mais 23 veículos de todo o país

15jul2019_14h39
ILUSTRAÇÃO DE PAULA CARDOSO

Jornalistas de 24 veículos brasileiros vão trabalhar em conjunto para conferir e checar notícias falsas sobre políticas públicas no Brasil. Saúde, educação e segurança são alguns dos temas a serem verificados na segunda fase do projeto Comprova, que atuou durante toda a campanha de 2018 verificando notícias sobre as eleições presidenciais. Assim como no ano passado, a piauí participará da coalizão.

O trabalho do Comprova estará no ar a partir de hoje. O projeto é financiado pelo First Draft (organização sem fins lucrativos especializada no enfrentamento da desinformação). A jornalista britânica Claire Wardle, diretora executiva do First Draft, disse que a experiência brasileira será a primeira do projeto fora do período de eleições.

“O maior desafio será decidir no que vamos focar. Há tanta desinformação em tantas coisas. Decidimos que vamos focar em perguntas sobre políticas públicas. Não apenas no conteúdo, mas vamos de fato olhar para as motivações das redes de desinformação. Quem as está patrocinando, qual impacto elas têm. Há muitos desafios, mas eu acho que se nós conseguirmos fazer bem, isso se tornará um modelo e haverá mais colaborações fora das eleições”, acredita Wardle.

Os resultados da primeira edição do Comprova foram apresentados no 14º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O projeto realizou 146 verificações num período de doze semanas. Juntos, os veículos participantes publicaram 1 750 reportagens com base nas checagens da coalizão. Com isso, quase 25% da população brasileira ouviu falar do Comprova, segundo pesquisa realizada pelo First Draft. O estudo também revela que 79,6% da audiência do projeto avalia o trabalho do Comprova como confiável.

“O Comprova foi o maior projeto desse tipo no mundo, e sob circunstâncias bastante desafiadoras”, afirmou Wardle, relembrando que a metodologia CrossCheck (verificação cruzada, quando veículos outrora concorrentes unem forças para checar conteúdos duvidosos) foi empregada pela primeira vez em 2017, durante as eleições presidenciais francesas, vencidas por Emmanuel Macron. Além da França, receberam projetos similares os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Nigéria.

Jornalistas dos veículos participantes receberam treinamento de profissionais do First Draft a fim de desenvolver habilidades para checar conteúdos que circulam na internet. Além da verificação de fatos, o Comprova promoverá ações educativas, como a difusão de cursos online sobre o tema. A iniciativa tem patrocínio do Google News Initiative, do Facebook Journalism Project e do WhatsApp, e é coordenada pela Abraji. Integram o projeto, além da piauí, a AFP, Canal Futura, Correio do Povo, Estadão, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH, Gazeta Online, Grupo Bandeirantes, Jornal Correio, Jornal do Commercio, Metro Jornal, Nexo, Nova Escola, NSC Comunicação, O Povo, Poder360, SBT e UOL.

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