Igualdades

A economia em quarentena

Luigi Mazza e Renata Buono
27abr2020_11h02

A pandemia de coronavírus esvaziou hotéis, aeroportos, fábricas, e acarretou milhares de demissões no Brasil. Só no setor de bares e restaurantes, já são 350 mil demitidos desde março. A indústria, enquanto isso, paralisou 40% de suas linhas de produção. No começo de abril, o governo federal editou a Medida Provisória 936, que permite acordos individuais e coletivos entre funcionários e patrões para reduzir salários e jornadas de trabalho – preservando, em contrapartida, os empregos. Essa redução do pagamento pode variar de 25% até 70% dos salários. O que os dados mostram, até aqui, é que a maior parte das empresas optou por fazer cortes expressivos: a cada acordo que reduziu salários em 25%, outros dois reduziram em 50% ou mais. O =igualdades faz um balanço da crise econômica até abril e mostra que setores da economia foram mais atingidos.

O setor de bares e restaurantes demitiu 350 mil trabalhadores no Brasil até o dia 10 de abril. Enquanto isso, 212 mil pessoas se cadastraram como entregadores de comida no iFood, em março.

A indústria de máquinas e equipamentos demitiu, em março, 11 mil empregados. É o mesmo número de funcionários que tiveram seus contratos suspensos temporariamente na Havan, loja de departamento do setor varejista.

A IMC, empresa que é dona das redes de restaurantes Pizza Hut e KFC, demitiu 2,1 mil funcionários no Brasil. Enquanto isso, a rede de supermercados Carrefour abriu 5 mil novas vagas de emprego. A cada demissão na IMC, houve 2 contratações no Carrefour.



A cada 10 indústrias no Brasil, 4 interromperam totalmente sua produção até o final de março. Os dados são de uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Até o final de março, 4 a cada 10 empresas de transporte rodoviário de passageiros já tinham demitido parte de seus funcionários. Os dados são de um levantamento feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Desde que a MP 936 foi sancionada pelo governo federal, no começo de abril, centenas de empresas firmaram acordos coletivos com sindicatos para reduzir a jornada e o salário de funcionários. Até o meio de abril, para cada acordo que reduziu salários em 25%, outros dois acordos reduziram salários em 50% ou mais.

No dia 23 de março, o aeroporto de Congonhas – o mais movimentado do Brasil – tinha 226 decolagens programadas. Em 18 de abril, o aeroporto tinha só 1 decolagem programada. 

Em fevereiro, durante o Carnaval, a cada 20 quartos de hotel no Rio de Janeiro, 19 estavam ocupados. Em abril, a cada 20 quartos, só 1 está ocupado.

Fontes: Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel); iFood; Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); Havan; Carrefour; Confederação Nacional da Indústria (CNI); Confederação Nacional dos Transportes (CNT); Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Flightradar 24; Hotéis Rio; Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ).

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí, produtor da rádio piauí e diretor do podcast Foro de Teresina

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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