Igualdades

A evolução da epidemia no Brasil

Plínio Lopes, Luiza Ferraz e Renata Buono
30mar2020_12h18

O Brasil tinha, até domingo, 4,3 mil casos confirmados de Covid-19 e 136 mortes. São Paulo e Rio de Janeiro registram o maior número de casos, mas, considerando a população, Distrito Federal, Acre e Ceará têm as maiores taxas de infecção. Em 2020, as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma das complicações do coronavírus, quase triplicaram em relação a 2019 e chegaram a 11,3 mil. Só 620 tiveram diagnóstico positivo para o novo coronavírus – o que pode indicar subnotificação da doença. O =igualdades dessa semana faz um retrato do novo coronavírus no Brasil.

A curva italiana de crescimento de casos da Covid-19 é semelhante à brasileira. A Itália ultrapassou a marca dos mil casos no dia 29/02, registrando 1.128 infectados e 29 mortes. Um dia depois, eram 1.694 casos com 34 mortes e, no dia seguinte, 2.036 casos com 52 mortes. No dia 21/03, o Brasil registrou 1.194 casos e 18 mortes. Um dia depois, tinha 1.593 casos e 25 mortes. No dia seguinte, 1.958 casos, com 34 mortes. Cinco dias depois do milésimo caso, a Itália tinha 3.858 infectados e 148 mortes; o Brasil, 2.989 casos e 77 mortes.

Vinte e cinco dias depois, em 25 de março, a Itália somava 74 mil casos e 7,5 mil mortos. Quantos casos e mortes terá o Brasil em 15 de abril?

Os idosos formam o principal grupo de risco da Covid-19. No Brasil, 10 a cada 100 habitantes têm mais de 65 anos. Do total de mortos até 29 de março, 79 a cada 100 tinham mais de 65 anos.

São Paulo tem o maior número total de infectados pelo novo coronavírus (1.451), seguido por Rio de Janeiro (600), Ceará (359), Distrito Federal (289) e Minas Gerais (231).

Proporcionalmente à população de cada estado, porém, o ranking muda. O Distrito Federal tem 96 casos a cada 1 milhão de habitantes, seguido pelo Ceará (39), pelo Acre (39), pelo Rio de Janeiro (35) e pelo Amazonas (34). São Paulo (32) aparece em sexto lugar.

Em todo território brasileiro, 136 pessoas morreram de Covid-19 até 29 de março, e 79% delas tinham mais de 65 anos. A idade média dos mortos varia de um estado para outro. Em São Paulo, a média é 76 anos. No Rio de Janeiro, é 67. A pessoa mais jovem a morrer, aos 26 anos, e a mais velha, aos 98, eram de São Paulo. 

As internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma das manifestações graves da Covid-19, dispararam nos primeiros meses deste ano se comparadas ao mesmo período do ano passado. Até 29 de fevereiro, o número de hospitalizações pela síndrome respiratória era similar em 2019 e 2020. Em março, ocorre uma explosão semana a semana, e o mês termina com 11,3 mil internações em 2020 contra 4 mil em 2019.

Em março deste ano, eram esperadas cerca de 4 mil internações por síndrome respiratória grave, como em 2019. Mas 11,3 mil pessoas foram internadas. Dessas, 620 receberam o diagnóstico positivo para Covid-19. As outras 6,7 mil pessoas representam uma possível subnotificação para o novo coronavírus.

Fontes: Ministério da Saúde da Itália; Ministério da Saúde da Espanha; Universidade John Hopkins; Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China; Projeto Covid-19 do Brasil.IO; Covid Tracking Project; Secretarias Estaduais de Saúde de todas as unidades da federação.

Plínio Lopes (siga @Plluis no Twitter)

Repórter freelancer, trabalhou na Agência Lupa e é especializado em jornalismo de dados e fact-checking

Luiza Ferraz (siga @lz_ferraz no Twitter)

Foi estagiária de jornalismo na piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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