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    Eduardo Escorel (primeiro à esq.) e o elenco de Lição de amor, de 1975: “Domingo fomos a um churrasco e aproveitamos a manhã em Petrópolis procurando possíveis casas para o filme” CRÉDITO: RUTH TOLEDO_1975_DIVULGAÇÃO

memória

1967-1982, para meus pais

Cartas de um cineasta quando jovem

Eduardo Escorel | Edição 231, Dezembro 2025

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Em fevereiro deste ano, publiquei na piauí um conjunto de cartas que escrevi para meus pais em 1964. Eu estava com 18 anos e contei a eles, que viviam em Roma naquela época, o impacto causado no país e em mim pelo filme Deus e o diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Aquele foi também o ano fatídico do golpe militar que me colocou em um dilema: deixar ou não o Brasil.

Em 1967, com 21 anos, retomei a correspondência com meus pais, que agora viviam em La Paz, com minha irmã caçula, Maria Luisa. Meu pai, Lauro Escorel, era embaixador do Brasil na Bolívia. Naquele mesmo ano, minha irmã mais velha, Silvia, ganhou o mundo, com a mochila nas costas. A terceira, Sarah, adolescente na época, estava semi-interna no Colégio Bennett, no Rio de Janeiro, com direito a sair nos fins de semana. Meu irmão, Lauro (cinco anos mais novo que eu), morava comigo no apartamento 601 da Rua Voluntários da Pátria, nº 100, em Botafogo. Em 1966, eu havia feito meu primeiro filme, obediente aos ditames do cinema direto, em parceria com Julio Bressane – o documentário Bethânia bem de perto, que teve duas pessoas na equipe de filmagem, ele e eu, desempenhando todas as funções.

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