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    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2025

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A redenção do veterano

Um artista tem sua obra incluída na Bienal no meio do evento

Tatiane de Assis | Edição 232, Janeiro 2026

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Fazer parte do meio das artes visuais não foi um movimento fácil para Helcio Jorge Barros, de 69 anos. Quando ele decidiu se considerar artista, em 1985, já estava com 30 anos de idade. Mesmo assim, não podia exercer sua vocação em tempo integral, já que seu meio de sustento, desde 1975, era o funcionalismo público.

A fim de não se deixar engolir pelo trabalho no Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, produzia arte compulsivamente. Enquanto seus colegas de repartição saíam para almoçar, ele aproveitava a pausa para fazer seus desenhos abstratos sobre papel-cartão, com pastel oleoso e grafite. Barros também não se interessava por promoções no banco, preferindo se dedicar à sua arte. Auxiliar de escrita fiscal, evitava prestar concursos internos por melhor posição, o que exigiria dele maior carga horária de trabalho.

Foi pelo mesmo motivo que pediu sua transferência da agência que trabalhava em São João de Meriti – município da Região Metropolitana do Rio – para a agência central na capital. O remanejamento lhe foi benéfico. “Eu só tinha trabalho de verdade durante três dias do mês, quando fazia o pagamento dos funcionários das instituições federais, da Marinha e do Exército”, ele conta.

 

A vocação para artes foi algo que ele sustentou sozinho desde o começo. Seu pendor para o desenho era visto com certo desdém por pessoas próximas, a começar pelos familiares. Seu pai, que se aposentou pela Marinha Mercante, dizia que os arroubos criativos do filho eram “coisa boba”. A mãe não chegava a desanimá-lo, mas tampouco apoiava seus primeiros passos.

As dificuldades iniciais o prepararam para o que viria depois. O cenário artístico que ele enfrentou nos anos 1990 e 2000 era bastante refratário a pessoas negras e de famílias pobres. Por isso mesmo, embora se dedicando obstinadamente a construir sua linguagem na arte, Barros só obteve maior reconhecimento no final do ano passado.

 

Os pais do artista já tinham dois filhos quando se mudaram do Maranhão para o Rio de Janeiro, em 1955. Helcio Barros nasceu no ano seguinte. Talentoso, mas tímido, só encontrou quem incentivasse seus dons artísticos na adolescência, quando fez parte de um grupo de jovens católicos em Vila Nova, bairro onde vivia na periferia de Nova Iguaçu, no estado do Rio. Uma freira belga chamada Roza Vos lhe deu lições de pintura, fornecendo-lhe também telas, tintas e pincéis.

 

As aulas se encerraram quando a freira foi trabalhar em outro lugar. Mas ele continuou se exercitando: fazia cartuns para jornais ligados a movimentos sociais. Aos 19 anos, ingressou no curso de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF). Seu conhecimento das artes se expandiu ainda mais quando, depois de formado, visitou a Europa.

A viagem foi em decorrência de seu relacionamento com a pedagoga alemã Mechthild Ebeling, que Barros conheceu no Brasil, onde ela trabalhava. “Na primeira vez que viajamos, visitamos a família dela na Alemanha, mas também fomos à Holanda”, recorda o artista. Ele se encantou com o Rijksmuseum, em Amsterdã. “Foi fantástico. Tinha muito Rembrandt, e eu era doido por Rembrandt. Ele tinha uma técnica assim: de longe, você via as coisas perfeitas. Mas, se chegasse perto, era uma borradaria sem fim.” Da relação com Ebeling, nasceu seu único filho, Francisco. Posteriormente, o casal se separou.

Impactado pelo que viu na viagem, Barros buscou um professor particular logo que voltou ao Brasil. Deslocou-se então do figurativismo para as abstrações muito coloridas (que pratica ainda hoje). “Aquelas composições, cores, eram muito surpreendentes para mim. Era uma coisa meio espontânea. Algo que surgia na minha frente”, conta.

 

Foi nesse tempo de descobertas que passou a produzir pequenos desenhos nos intervalos do trabalho. “A ideia era que fossem estudos para pinturas maiores, mas não deu certo.” Barros fez aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, mas depois seguiu estudando de forma autodidata. Em 2010, mudou-se para São Paulo.

 

Hoje, Helcio Barros se sente “um pouco zonzo”, com o que aconteceu a sua vida nos últimos meses de 2025. A obstinação com que produziu suas obras desde a juventude foi finalmente reconhecida, e ele estava “atônito”, como disse à piauí, em seu apartamento no bairro Santa Cecília, em São Paulo.

Em 23 de novembro passado, o artista Renan Teles – integrante do coletivo negro Vilanismo, que participa da 36ª Bienal de São Paulo – enviou um vídeo do ateliê de Barros, por mensagem de celular, ao camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, curador-geral da mostra, que se interessou pelos trabalhos. No dia seguinte pela manhã, o curador fez questão de visitar o ateliê de Barros, antes de embarcar para a Alemanha, país onde reside e no qual dirige a Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo), importante centro cultural em Berlim.

Do encontro rápido, mas intenso, veio a surpresa: Ndikung convidou Barros para integrar a 36ª edição da Bienal, apesar de a mostra estar aberta havia mais de dois meses. “Trata-se de um gesto artístico”, diz o curador, que destaca que a produção de Barros só saiu das bordas do circuito de arte para a Bienal por causa do coletivo de artistas negros, que chamou a atenção para ela. Ndikung ainda não sabe explicar o que sentiu ao se deparar com as composições abstratas – e diz que é bom que seja assim: “O mais brilhante do trabalho é isso: não é algo definido, não é conclusivo.”

Barros mantém relação com o Vilanismo desde 2023. “Quando visito o ateliê dele, encontro soluções para o meu próprio trabalho”, conta Teles, um dos integrantes do grupo que tem relação mais próxima com o veterano. “E acho que o motivo pelo qual o seu trabalho chegou tão longe foi ele não ter cedido para se encaixar no meio das artes visuais.”

No dia 30 de novembro, em uma cerimônia na 36ª Bienal, quatro esculturas produzidas por Barros foram instaladas na mostra no Ibirapuera, junto ao espaço dedicado ao grupo Vilanismo. Entre abraços e apertos de mãos, o artista estava discretamente emocionado. Uma jovem de cabelos descoloridos aproximou-se para cumprimentá-lo, ao que ele, num misto de alívio, desabafo e celebração, respondeu: “Essa é a minha redenção.”

Tatiane de Assis
Tatiane de Assis

Repórter da piauí, é crítica de artes visuais com especialização pela Unicamp.

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