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    Laís, de 20 anos, mãe de um menino de 3 e destaque da Vogue espanhola: “Tenho o peso de um bode, como dizem lá na minha terra” FOTO: VICTORIA'S SECRET

chegada

A star is born, oxente!

Laís Ribeiro, a beldade do Piauí, é a mais nova estrela da Victoria’s Secret

Plínio Fraga | Edição 59, Agosto 2011

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O Piauí traz uma notícia boa. Sua protagonista é Laís Ribeiro, uma piauiense de 20 anos, de Miguel Alves, cidadezinha no norte do pujante estado cuja população é menor do que o número de proprietárias da cobiçada bolsa Hermès Birkin: 32 mil almas. Pois Laís acaba de se alçar ao pódio das passarelas mais fashion. É ela a estrela da nova campanha da Victoria’s Secret, a opulenta maison de lingerie. E, no mesmo empuxo, Laís foi destaque na Vogue espanhola. Se Roland Barthes, em Sistema da Moda, estava certo ao escrever que o vestuário é um excelente objeto poético, a nova modelo piauiense é poesia pura.

Grande produtor de caju, opala e mel, o Piauí burilou a morena em medidas generosas, mas comedidas. Laís tem 1,84 metro, 54 quilos, 80 centímetros de busto, 60 de cintura e 84 de quadril – é mais alta, mas tem menos peito e bumbum que Gisele Bündchen, a modelo padrão dos tempos que correm. A diferença entre o derrière de Laís e o da Mulher Melancia (a exuberância da irracionalidade da indústria das falsas celebridades) é de 37 centímetros, o que equivale a uma Jabulani inteira, mas ela está ainda a uma dúzia de buritis de distância das modelos anoréxicas inglesas.

Na campanha da Victoria’s Secret, que desenvolve uma estratégia multicultural para conquistar os mercados emergentes, Laís foi filmada em Malibu, na Califórnia, de calcinha e sorriso maroto-angelical, ao som de Lava Love, vibrante composição de Maika Makovski, uma maiorquina de ascendência macedônica e que vive em Nova York. Afinal, Laís faz o gênero angel ou bad girl? “Fazer a boa ou a má, vai de cada uma”, tergiversou a conterrânea de Torquato Neto, mas concluiu: “Eu sou boazinha.”

Ignorante da geografia pátria, a Vogue ibérica cognominou Laís de La Chica de Ipanema, praia que a beldade do agreste conheceu não faz nem dois anos. Uma revista francesa foi cartesiana e, comme il faut, sustentou: La jeune femme est déjà considérée comme étant l’une des plus belles femmes de la Terre! Nessa toada seguiu a imprensa americana, na qual um colunista escreveu: Laís is one of the most undeniably gorgeous models we’ve laid eyes on in years. Em suma, uma das mais belas do mundo em todos os tempos, em francês ou em inglês.

Comentaristas menos inspirados a compararam – oxente! – a Naomi Campbell, a balzaquiana inglesa que já ficou para tia no mundinho fashion. Mais antenada, a especialista Maria Prata postou: “Nossa Joan Smalls”, numa referência à modelo porto-riquenha que está entre as cinco mais bem pagas do mundo.

 

Filha de um funcionário público e de uma professora de português, Laís desembarcou em Nova York, no ano passado, sem dominar o idioma. “Perdi um desfile por falta de comunicação”, ela contou. “Ainda não sabia falar inglês e me senti muito mal por não conseguir transmitir o que queria dizer. Acabei não entrando no desfile.” Outra diferença sentida foi o clima. “Foi engraçado chegar no inverno porque não tinha noção de que existia um frio como aquele”, disse. “Na minha cidade faz calor o tempo todo!”

Laís tem uma particularidade rara entre as colegas de profissão: ela é mãe. Teve um filho aos 17 anos, e em 2009 foi descoberta na – valei-nos Nossa Senhora de Teresina! – Piauí Fashion Week. Participou então de um concurso de beleza organizado por John Casablancas. Não ganhou, o que foi uma deslavada injustiça. Mas a projeção fez com que se tornasse a modelo com mais entradas na passarela logo em sua estreia, no ano passado, na – bênção, Borba Gato! – São Paulo Fashion Week.

Mal terminaram os desfiles, recebeu um convite para mudar-se para os Estados Unidos. Desfilou então para Marc Jacobs, Dior, Calvin Klein, Gucci, Dolce&Gabbana e Versace. E passou temporadas em Milão, Paris, Xangai, além de Nova York. O sucesso, como é mister com os piauienses – vide Petrônio Portella ou João Paulo dos Reis Velloso –, não lhe subiu à cabeça.

“Faço coisas parecidas com as outras modelos, mas o que sinto de diferente é a responsabilidade de ser mãe”, afirmou. Uma peça que vestiu e guardou não é de nenhuma das grifes caríssimas para as quais desfila. “Não era nenhuma roupa importante, só uma camisola – a que eu estava vestindo no nascimento do Alexandre, meu filho”, disse ela. Mãe solteira, Laís não tem namorado porque, como explicou, está empenhada no trabalho.

Ela faz exercícios quatro vezes por semana, mas não dispensa brigadeiro. Parte da explicação da sua beleza está nos genes. “Minha mãe sempre foi magrinha e alta”, disse. “Tenho o peso de um bode, como dizem lá na minha terra.” Falou também que ser bonita é algo além da malhação e da alimentação: “É estar bem consigo e feliz, para que essa alegria transpareça. E um pouquinho de esforço também. Tudo influencia.” Ela admitiu algumas estrias e celulites. “Não fico neurótica com isso”, afirmou. “Modelos não são mulheres perfeitas.”

 

Em Nova York, ela arrumou um jeito de se manter próxima às raízes piauienses. “Vou sempre à Farofa, uma festa brasileira que acontece aos domingos, onde consigo colocar em dia o meu forró”, contou. “Agora, o que existe de parecido com o Piauí, em Nova York, é o calor que faz no verão. É um clima gostoso, que dá vontade de pular dentro de um buraco d’água, como digo em minha cidade.”

Quando volta ao berço, retoma os hábitos e prazeres. “Eu adorava ir ao rio Parnaíba”, afirmou. “Até hoje, quando vou para lá, dou um jeito de dar um mergulho. E ainda jogar baralho e passear com os amigos.”

Além de forró, ela gosta de hip-hop. “Sou eclética”, explicou. No momento, lê Se Eu Fechar os Olhos Agora, o romance de Edney Silvestre. O filme mais recente que viu foi X-Men. “Amei! Vai ser inspiração para o Halloween.” Seus programas no verão do hemisfério norte incluem muita praia e partidas de futebol – nos Estados Unidos, definitivamente, futebol não é coisa para homem. Na sua bolsa, misturam-se as chaves, o BlackBerry (“impossível ficar sem”), hidratante labial, óculos e iPod.

Além do filho Alexandre, de 3 anos, ficaram no Piauí a mãe, a avó, tios e primos. Quando foi indicada por uma amiga a uma agência de Teresina, estudava para prestar vestibular para o curso de enfermagem. Sua primeira entrevista foi para o Jô Soares local, Rivanildo Feitosa, apresentador do – vixe! – Inside TV, que se orgulha do furo mundial.

A aguerrida imprensa piauiense, aliás, acompanha os passos de Laís com fúria murdochiana. Mês passado, um portal anunciou ter fotografado Laís na Festa de São Pedro, de Miguel Alves. Outro repórter registrou a passagem dela pelo Piauí com alguma maledicência:

Andando tranquilamente, debaixo do escaldante sol teresinense, pelas paradas de ônibus da avenida Frei Serafim, à procura de looks feios e bonitos, encontramos a estrela piauiense mais brilhante da atualidade: a neotop internacional Laís Ribeiro. Acabou de chegar de viagem supercansada, e já está indo para a casa de seus avós na cidade de Miguel Alves. Mas o detalhe é o seguinte: como ela estava sem carro aqui, a belíssima teve que ir de ônibus mesmo. Ela trazia duas malas que pareciam superlotadas e pesadas. Vestia uma camiseta larga branca e uma saia alta preta coladíssima, lembrando uma bandagem. A sandália era de couro e superlinda. ADORAMOS, CLARO!