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    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2013

esquina

Abaixo de zero no Rio

Como dois brasileiros transmitiram a final do curling na tevê

Renato Terra | Edição 80, Maio 2013

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Marcelo Mello e Cláudio Uchôa tinham feito o dever de casa. Numa bancada de madeira, estavam espalhadas dezenas de folhas A4 com informações que os guiariam na longa jornada que tinham pela frente. Concentrados nos dois monitores de 26 polegadas diante de si, aguardavam numa saleta de transmissão com cerca de 3 metros por 2 na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em breve entrariam no ar.

Dos estúdios do canal SporTV, os dois acompanhavam imagens geradas em Victoria, no Canadá, onde se disputaria naquela noite de domingo a final do mundial masculino de curling. Mello, o comentarista, checava no site da competição estatísticas atualizadas em tempo real. Uchôa, o narrador, trazia na ponta da língua informações sobre o comprimento da pista de competição, a capacidade do ginásio e o histórico dos finalistas, Suécia e Canadá. Nenhum silêncio restaria incólume.

Os dados municiariam a dupla para orientar a audiência e preencher os tempos mortos da partida, já que o curling é menos dinâmico que os esportes mais familiares ao público brasileiro. “Os jogos costumam ter três horas, não posso cansar o espectador”, explicou Uchôa. “São emoções pontuais. Não vai ter um grito de gol: ‘Acertou a peeeeedra!’”

 

O curling é uma espécie de bocha sobre o gelo e teve suas primeiras regras oficializadas em 1838 na Escócia. No Brasil, virou um xodó dos espectadores de tevê a cabo quando foi transmitido nas Olimpíadas de Inverno de 2010. A popularidade só aumentou depois que circularam nas redes sociais montagens gaiatas e vídeos que ironizavam o exotismo do esporte para o público nacional.

Apesar do estranhamento inicial, as regras são relativamente simples. O curling é praticado sobre uma pista retangular de gelo de aproximadamente 45 metros por 5 de largura. Cada jogador deve deslizar um disco de granito em direção ao centro do alvo redondo marcado na extremidade oposta. Enquanto a pedra corre solta, outros jogadores, de posse de pequenas vassourinhas, podem esfregar o gelo para diminuir o atrito e controlar a velocidade do projétil. Em cada rodada, pontua apenas a equipe que colocar a pedra mais próxima do alvo. Ganha quem tiver mais pontos ao cabo de dez rodadas.

As pedras têm uma alça para facilitar o lançamento e permitir que o jogador mova a munheca para colocar efeito. Com isso, os discos saem girando das mãos do jogador e podem descrever uma parábola até o alvo. O nome do jogo vem desse movimento rotatório – curl em inglês.

 

Complexas, sim, são as possibilidades que o jogo permite. Os atletas podem lançar suas pedras contra as do adversário, retirando-as de combate. Podem também mirar fora do alvo para proteger suas pedras em lançamentos futuros. Cada jogada é pensada e, às vezes, debatida entre os quatro membros do time. Pelo fone de ouvido, narrador e comentarista ouvem as deliberações dos jogadores, que carregam microfones na lapela. Uchôa costuma se referir ao esporte como um “xadrez no gelo”, bordão que tenta usar com parcimônia.

O caráter cerebral do esporte explica por que muitos jogadores de ponta não apresentam propriamente o porte esperado de um atleta. “É um jogo que exige um raciocínio muito grande”, explicou Mello. “Por isso esses caras têm uma longevidade no esporte. Há jogadores de alto nível com 50 anos.”

 

Cláudio Uchôa é um carioca bem-humorado de 38 anos e narra partidas de curling no SporTV desde 2010. Nas primeiras transmissões, ainda conhecia pouco o esporte e procurou ser cauteloso. “Eu não ia tentar dar uma bola entre as pernas ou fazer um gol do meio de campo”, comparou, recorrendo a metáforas esportivas.

 

Já Marcelo Mello, um gaúcho de sotaque marcado e ligeiramente calvo, fala sobre o esporte com conhecimento de causa: é o capitão da Seleção Brasileira de curling. Em 2006, com 35 anos, foi fazer mestrado em gestão empresarial no Canadá. Ficou amigo de um grupo de brasileiros e procurou um esporte que o ajudasse na integração aos hábitos locais, sem ser perigoso como o snowboard ou violento como o hóquei. A primeira experiência, no entanto, foi mais complicada que o previsto. “O gelo é um sabão”, comparou. “A dificuldade é ficar em pé. Tanto é que o pessoal recomenda que se use capacete no início.”

Em 2008, já filiado à improvável Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Mello e os amigos começaram a receber equipamentos e a treinar com um técnico. A primeira partida oficial, em 2009, contra os Estados Unidos, terminou 13 a 2 para os americanos. O jogo chamou a atenção do New York Times, que publicou uma reportagem comparando os brasileiros aos atletas que inspiraram o filme Jamaica Abaixo de Zero. “Desde que começamos, essa comparação é frequente”, comentou.

Durante a transmissão, a dupla repassava as regras didaticamente sempre que a dinâmica do jogo permitia. “O cara que acompanha a partida inteira talvez canse, mas é necessário”, justificou Uchôa. A dupla resistiu com bravura à transmissão da final. Mello só deu o primeiro bocejo quando já eram transcorridas duas horas e quinze minutos de jogo – a Suécia liderava então por 6 a 3.

A sorte já parecia decidida quando Niklas Edin, capitão sueco, protagonizou com sangue-frio o lance decisivo. Concentrado, afastou duas pedras adversárias do alvo e garantiu a vitória por 8 a 6 para os visitantes, impedindo o tetracampeonato dos canadenses. “Depois de nove anos, a Suécia volta a ser campeã masculina de curling”, anunciou Uchôa, um tom acima. “Foi merecido”, cravou Mello.

Depois de narrar a protocolar cerimônia de premiação e traduzir em tempo real as declarações dos jogadores, Uchôa pegou um microfone de uso interno, para as comunicações com o diretor. “Será que vai ter volta olímpica, Eduardo?”, brincou. Diante da negativa, agradeceu aos espectadores e encerrou a transmissão.

Renato Terra
Renato Terra

Documentarista e escritor. Dirigiu O Canto Livre de Nara Leão, Narciso em Férias, Uma Noite em 67, entre outros. Escreve o Diário do Geraldo na piauí

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