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    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2025

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Antes do sol raiar

Noites e madrugadas de vexames na Câmara dos Deputados

Pedro Tavares | Edição 232, Janeiro 2026

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Como os morcegos e as raposas, os deputados federais preferiram nos últimos meses de 2025 trabalhar sobretudo à noite – ou mesmo de madrugada. Ainda mais quando precisavam decidir sobre questões cruciais para o país. Foi assim com a votação do projeto de lei antifacção, na noite de 18 de novembro, e com o da dosimetria, na madrugada de 10 de dezembro. “Vai votar tudo hoje”, disse à imprensa no dia 9 de dezembro, terça-­feira, o presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), antecipando a longa jornada madrugada adentro.

Apelidado de anistia light, o projeto da dosimetria visa reduzir as penas dos golpistas que invadiram as casas dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, mas também as de Jair Bolsonaro e seus sequazes por tentativa de golpe de Estado. O PL era um substitutivo do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) a outro projeto, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que propunha total anistia aos participantes das manifestações golpistas.

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, também ganhou fama entre bolsonaristas por outro feito: é o cantor da música A anistia chegou, lançada em outubro. O vídeo da canção no YouTube, que não disfarça a estética de propaganda eleitoral, exalta a anistia aos invasores mais conhecidos dos ataques de 8 de janeiro, como a Débora do batom, a idosa da Bíblia e o pipoqueiro. Em estilo vagamente gospel, a canção diz:

 

O choro da tristeza
pode até cair na madrugada.
[…]
Quando o amanhã desperta,
a história começa a brilhar.
A anistia renasce forte,
ninguém pode mais parar.
A anistia chegou.
É a justiça mais ampla.
O batom na estátua
não apaga a esperança.

Na lanchonete interna do plenário da Câmara, por volta de dez da noite do dia 9 de dezembro, Crivella estava sentado, sozinho, aproveitando um café com leite. Perguntei a ele:

– O senhor vai atualizar o título da música agora, com o projeto da dosimetria?

 

– Que música? – ele respondeu.

– A sua.

– Ah, é mesmo! Agora vai ser assim: A dosimetria chegou, é a justiça mais ampla, o batom na estátua não apaga a esperança – cantarolou Crivella, dando uma risada.

 

Ele estava eufórico, confiante que o choro da tristeza não iria cair naquela madrugada. “Deus é maravilhoso”, repetia o tempo todo. E disse que achou um “ato de bravura” de Jair Bolsonaro aceitar o projeto da dosimetria, que não livra o ex-presidente da cadeia, mas pode reduzir seu encarceramento a apenas dois anos e quatro meses (sem a dosimetria, Bolsonaro terá que esperar até 2037 para ganhar liberdade condicional).

A uma hora da madrugada, no plenário da Câmara, com os debates em andamento, o deputado Merlong Solano (PT-PI) subiu ao púlpito. Folheando as páginas do passado brasileiro, bradou: “Colegas parlamentares! A noite de 12 de novembro de 1823 entrou para a história como a noite da agonia. Aquele foi o momento que dom Pedro I fechou a Assembleia Constituinte e, em seguida, impôs uma Constituição ao seu gosto, uma Constituição que lhe dava poderes quase absolutos.”

A referência era um tanto remota no tempo, ainda mais para pessoas insones, mas é com as lições da história que se aprende a governar o presente. A decisão autoritária de dom Pedro I foi para evitar que seus poderes acabassem reduzidos na nova Constituição que se estava elaborando. Depois de mandar seus militares cercarem o Paço Imperial, onde os constituintes estavam reunidos, dom Pedro dissolveu a assembleia e promulgou ele próprio uma Constituição, em 1824, assegurando sua primazia no governo do país. Foi o primeiro golpe de uma série no Brasil.

E não foi o único capítulo da história brasileira que Solano coletou, em busca de exemplos. Ele também lembrou a conspiração militar que tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek em 1955 (o movimento foi contido por um contragolpe, na madrugada de 11 de novembro, liderado pelo ministro da Guerra Henrique Lott), e, claro, o golpe de 1964, iniciado com a marcha militar do general Olímpio Mourão Filho, que fez seus soldados deixarem Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro antes que a maioria dos brasileiros acordasse, no final da madrugada de 31 de março.

 

Com tantos fatos históricos eletrizantes acoplados ao debate, a decisão sobre o projeto da dosimetria tinha tudo para ser um momento de grande vibração na Câmara, apesar da hora. Mas não foi, porque a precedeu um episódio mais animado.

No fim da tarde de 9 de dezembro, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) se instalou na cadeira da presidência da Câmara, em mais um ato de protesto contra a votação de sua cassação, prevista para o dia seguinte. “Eu vou ficar aqui calmamente, com toda a tranquilidade, exercendo o meu legítimo direito político de não aceitar como fato consumado uma anistia para um conjunto de golpistas, a diminuição da pena para Bolsonaro por dois anos, e gerando para mim oito anos de inelegibilidade”, disse ele.

O deputado do Psol estava sendo julgado por quebra de decoro parlamentar – ele chutou um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), que, segundo Braga, xingara sua mãe. Antes, em abril, já fizera uma greve de fome que durou nove dias, pelo mesmo motivo.

Por volta de cinco da tarde, como Braga continuava grudado à cadeira, Motta determinou que o primeiro-secretário, o deputado Carlos Veras (PT-PE) suspendesse a sessão. De repente, sem aviso prévio, a TV Câmara interrompeu sua transmissão dos “trabalhos” no plenário e passou a exibir a reunião da Comissão de Saúde – o que durou cerca de uma hora.

Em torno de seis da tarde, agentes do Departamento de Polícia Legislativa (Depol) receberam a ordem de tirar do plenário todos os que não fossem parlamentares e bloquear a entrada da imprensa ao local, um fato incomum em uma democracia. Sem saber o que estava acontecendo lá dentro, jornalistas à porta gritavam: “Libera, libera, libera.”

O que estava acontecendo era um tipo de kickboxing de engravatados, com políticos e policiais se digladiando em torno de Braga – os que tentavam protegê-lo versus os homens da Depol, que também tinham recebido ordens de carregar o deputado insurgente para fora do plenário. (A pancadaria e a expulsão de Braga contrastaram com o tratamento respeitoso e delicado recebido pelos deputados bolsonaristas que ocuparam a mesa da Câmara durante 36 horas em 5 de agosto de 2025.)

Na saída, quando viram Braga arrastado pelos policiais, dezenas de jornalistas correram para entrevistá-­lo. Na tentativa de abrir caminho, os homens do Depol desferiram empurrões, cotoveladas e puxões de cabelo nos jornalistas. Braga conseguiu evitar a cassação, mas teve o mandato suspenso por seis meses.

Foi assim o memorável início da noite de 9 de dezembro no Congresso.

 

Restava viver a memorável madrugada de 10 de dezembro. Como se nada tivesse acontecido, às 19h04, Hugo Motta abriu a sessão plenária para a votação. O presidente da Câmara parecia tomado por um misto de cansaço e indiferença, como se cumprisse um serviço noturno.

O projeto da dosimetria seria apenas a última pauta a ser votada. Como outras pautas foram colocadas à frente, chegou-se a suspeitar que a votação mais vexaminosa não ocorreria. Mas ocorreu, com a vitória da dosimetria – às 2h28 do dia 10 de dezembro – por 291 votos a favor, 148 contra e 1 abstenção. (O projeto foi também aprovado pelo Senado.)

Exultantes, os parlamentares bolsonaristas na Câmara ainda se animaram a fazer fotos, apesar de ser alta madrugada – e um grupo se reuniu com Nikolas Ferreira (PL-MG) para o clique. A fim de garantir alguma compostura na pose, o deputado mineiro pediu: “Sem rir, pessoal, o assunto é sério.”

Pedro Tavares
Pedro Tavares

Repórter da piauí

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