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    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2022

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Apogeu da decadência

Os exploradores de construções abandonadas e proibidonas

Angélica Santa Cruz | Edição 192, Setembro 2022

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Quando tinha 17 anos, o paulistano Luiz Fernando Pinheiro de Menezes Filho costumava juntar os amigos da rua para entrar em construções abandonadas da região onde morava, a Zona Oeste de São Paulo. O hit entre a rapaziada eram os dois prédios remanescentes da antiga Fábrica Matarazzo, em um terreno imenso entre dois viadutos. Para os jovens urbanoides nos anos 1990, era um fascínio percorrer as caldeiras, a fornalha, os túneis de ventilação da chaminé e até uma velha maria-fumaça – hoje restaurada, porque o lugar virou um espaço de eventos.

Quando tinha 12 anos, Fernanda Aparecida Gonçalves morava em uma casa de fazenda no interior de São Paulo – mas também se divertia com esse tipo de aventura clandestina. A mãe ia trabalhar, e ela, que já sabia selar cavalos, saía a galope, procurando casinhas e capelas fechadas. Gostava de devanear sobre as histórias de quem vivera por ali. “Imagina fazer isso hoje, que perigo”, admira-se.

Esses dois visitantes de lugares abandonados e decaídos casaram-se há quinze anos. Abriram um pet shop na Vila Romana, também na Zona Oeste de São Paulo. Nas horas vagas, pegam a estrada e se põem a explorar mansões, hotéis e prédios públicos fora de uso. “Fazer isso em São Paulo hoje é perigoso, pelo risco de encontrar usuários de drogas. Então a gente vai para outras cidades”, diz Menezes Filho. O casal cultiva esse hobby “desde quando não tinha nome”, como ele explica. Pois foi somente nos anos 2000 que a prática ganhou um nome que lhe confere certa bossa de modernidade: urbex, da junção das primeiras sílabas de urban exploration (exploração urbana, em inglês).

 

 

A prática de visitar construções abandonadas, sem autorização, já fez a fama de grupos como o Suicide Club, um amontoado de adeptos da contracultura que nos anos 1970 percorria o interior de edifícios decadentes, esgotos e pontes em São Francisco, nos Estados Unidos. Hoje, comunidades de aventureiros mundo afora trocam localizações de bons lugares para explorar, aonde vão juntos, por questão de segurança. Obedecem a um código de ética que proíbe arrombar portas ou retirar objetos das construções – em respeito às vidas que passaram por ali.

Como as incursões, muitas vezes ilegais, poderiam dar dores de cabeça com a polícia, a primeira geração de urbexers costumava ser discreta. “Até hoje, a turma mais antiga só tira fotos para o próprio acervo. Alguns fazem ensaios lindos que ninguém vê”, conta Menezes Filho.

Nos últimos anos, no entanto, o urbex virou não só uma febre, como também uma indústria. Jovens youtubers competem para mostrar a exploração urbana mais inusitada. Na Europa – cheia de castelos seculares, mansões deixadas às pressas durante guerras e fábricas desativadas – urbexers pulam muros e se esgueiram por escadas perigosas para mostrar ambientes melancólicos, que exalam a passagem implacável do tempo. Lanternas nas mãos, eles revelam quartos de crianças com papéis de parede derretendo e camas ainda feitas, garrafas de vinho empoeiradas, porta-retratos quebrados, pianos com teias de aranha, livros abertos em cabeceiras. Com sorte, encontram passagens secretas.

 

A indústria urbexer já resultou em documentários, séries, livros, histórias em quadrinhos. Na Holanda, o fotógrafo Niki Feijen se especializou no que define como “joias escondidas por trás dos avisos de ‘Não Entre’”. Clicou cidades fantasmas, usinas e manicômios desativados. Fez exposições e, agora, vende suas fotos em NFT (sigla de “token não fungível”, os objetos digitais que são vendidos como peças únicas).

Na França, o historiador Nicolas Offenstadt, professor da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne e especialista em Idade Média, aderiu à exploração de antigos edifícios e escreveu dois livros sobre o tema. No primeiro, lançado em 2019, recontou a história da Alemanha Oriental a partir de fotos que fez em prédios abandonados. No segundo, publicado este ano, esmiuça a prática e defende seu valor como fonte historiográfica. “Esses lugares esquecidos – fábricas, museus, antigas instituições públicas, quartéis – são de certa forma um bem comum, porque guardam histórias de vidas que ocorreram lá. Não há razão para que não possamos fazer história a partir deles e até visitá-los, mesmo que ilegalmente”, costuma dizer.

Há casos em que invasões mudam o destino dos lugares. Nos últimos três anos, dezenas de youtubers mostraram o deslumbrante mural italiano pintado no teto do salão de baile, as portas de bronze florentino e as antigas galerias de arte de Lynnewood Hall, na Pensilvânia, nos Estados Unidos. É uma mansão de 110 cômodos que pertenceu ao industrial norte-americano Peter Arrell Browne Widener, um homem de triste história: um dos financiadores do Titanic, ele perdeu o filho mais velho e o neto no naufrágio. O toró de vídeos postados por urbexers – sempre com títulos como “entrei na mansão abandonada do Titanic” – chamou a atenção dos donos de um fundo de investimentos da Filadélfia, que agora se mobilizam para restaurar o lugar.

 

 

Acostumados ao estilo raiz, que não faz alarde, Luizinho e Fernanda, como são conhecidos entre os exploradores de São Paulo, acabaram se rendendo ao espírito do tempo. Há cerca de um ano, criaram no YouTube o canal LZN Expedição. Em abril, junto com outros youtubers, se embrenharam por caminhos de terra na Praia do Léo, em Ubatuba, até chegar ao que restou da mansão do estilista Clodovil Hernandes, morto em 2009. Não viram ninguém por perto. “Só tinha uma cerca quebrada e um ganso grasnando em um laguinho”, conta Fernanda. Os aventureiros fizeram imagens, até com um drone, que renderam 256 mil visualizações só no canal LZN.

Menezes Filho edita seus vídeos antes de dormir, pelo celular. Coloca no fundo sempre as mesmas músicas de suspense, que não exigem pagamento de direitos autorais. Seu canal tem pouco mais de 7 mil inscritos e apenas 41 vídeos. Nada a ver com as superproduções que se veem lá fora, como os níveis avançados de audácia alcançados pelos donos do canal Exploring the Unbeaten Path (Explorando o caminho inexplorado).

Há cinco anos, eles invadiram um hangar do cosmódromo de Baikonur, no meio do deserto do Cazaquistão, e mostraram três ônibus espaciais abandonados, relíquias do programa espacial soviético. O vídeo foi visto quase 4 milhões de vezes. “No LZN Expedição, a gente só publica lugares que todo mundo conhece, para evitar roubo ou vandalismo. Conhecemos mansões e hotéis abandonados há anos, com tudo intacto. Em um desses lugares, já me sentei num piano onde o Ray Charles tocou”, diz Menezes Filho. E onde é? “Não conto, fica só para nossa comunidade.”

Angélica Santa Cruz
Angélica Santa Cruz

É jornalista da piauí

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