A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Luz no fim da quarentena
  • Retrato narrado
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Luz no fim da quarentena
    • Retrato narrado
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    CREDITO: GIORGIA MASSETANI_2019

poesia

As durações da casa

Julia de Souza | Edição 155, Agosto 2019

A+ A- A

MÓVEIS

É doce e boa a mobília
Paulo Henriques Britto

Crer em nada mais que o
plano lúcido dos móveis.
Não nos pedem muito:
irmãos da gravidade
toleram o que é nosso
são calmos guardiões
da pretérita e viva
duração da casa

 

 

INVASÃO

Um jardim penetra a casa:
há uma incisão que se renova
em sua caixa torácica a cada
hesitação do vento ou sutil
modulação do clima –
o que não deixa de aventar
um certo perigo.

Ainda assim não vou sair
para tentar não morrer
antes da tua volta

 

(e agora chove, chove dentro da casa)

Vou tentar perceber
o que é estar nesta casa
onde só as duas poltronas vermelhas
marcam o que é dentro

 

TRABALHAR CANSA

 

As tardes na casa não têm
hierarquias: é sempre
um pouco sábado
e atravessar os sábados
é ser suavemente
atravessado –
o ouvido, escuta,
o ouvido não tem pálpebras
e por isso é preciso
perdoá-lo.

Aos sábados esquecemos
que as metonímias são
uma espécie de tapa
e podemos assistir uma aranha
compondo
entre dois galhos
aos milímetros sua teia

Há tantas coisas
que deixariam de existir
se fossem tocadas.

Aqui fuma-se onde há
janelas
espera-se onde há janelas
e há janelas o bastante
(são vermelhas)
quando faz sol
aos sábados.

Aqui quase sempre
é um bom sábado
(e a casa portanto é uma sucessão
de mormaços, amadorismos
marolas). 

Aos sábados flutuamos
não sabemos nadar
mas flutuamos
como ideias que passaram
do prazo ou nasceram
antes da hora

 

ESCREVER, ESCALAR

I.
Confiar
na firmeza flutuante
da primeira agarra

II.
Ter a montanha
a um palmo de distância
– não ver o céu
não ver o fim

III.
A subida é para o alto
e para os lados:
as pedras as mãos
também
se espraiam

IV.
O coração é o gancho
de escape
o coração vai
na pochete
o coração somente
em caso
de emergência

V.
O pé na falha da pedra
não olha para baixo
para a corda ilusória
para os versos que já

VI.
A chegada não é
o oposto da queda

a chegada é inverter
a montanha:

o alpinista pendurado
lá no topo pelo ponto
final

 

PLANO

Trata-se de um movimento
em direção à clareza.
Uma braçada, duas, transpor
a extensão da água

com o vigor dos nadadores:
um movimento
pela graça da redundância
pela precisão do óbvio
pelo ver apenas
a piscina

está cheia de folhas
é preciso limpá-la

 

“EU ERA AR”

Como é estranho existir
nos é vetado atinar com isso
nos espantar com isso
sob o risco de ver pés, mãos
e sobretudo o rosto
como a abstração total;
a imagem no espelho
perde então a carne
e passa a ser passagem
olhos furados, susto,
vácuo. Você se belisca:
como é estranho existir, ver
em cada gesto um espasmo
e ver em tudo o que tem nome
e corpo apenas a forma
acidental e sem figura
de um país estranho estampado
num mapa


Poemas do livro As Durações da Casa, que a editora 7 Letras lançará em setembro.

 

Julia de Souza

Julia de Souza, poeta paulistana, é autora de Covil, lançado pela 7Letras

Leia Mais

poesia

Calor guardado no vento me impressiona

01 dez 2025_18h08
poesia

A decisão é um instante de loucura, e a indecisão não lhe é distinta

03 nov 2025_17h21
poesia

Cordilheiras marítimas que movem o mundo como serpente desgarrada

30 set 2025_14h23
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • Silenciadas
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Maria vai com as outras
  • Luz no fim da quarentena
  • Retrato narrado
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30