esquina

Baile de coroas

Um reduto gay familiar

Amauri Arrais
ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2016

Ônibus e carros ainda passavam ruidosos pela rua Marquês de Itu, no Centro de São Paulo, transportando para casa mais uma leva de trabalhadores, quando Lourival Cremasco, um senhor baixinho de cabelo e bigode grisalhos, com um jeito sério, chegou para dar início ao expediente.

Eram oito e meia da noite. Cremasco cumprimentou os funcionários e imediatamente passou a conferir o acabamento de um arco de bexigas douradas que enfeitava a bilheteria. Depois atravessou dois pares de portas com isolamento acústico e, lá dentro, pôs-se a inspecionar o salão: luzes, som, decoração, bufê. Andando de um lado para o outro, parecia incomodar-se quando alguém o interrompia no meio de uma tarefa, mas nunca deixava de ser gentil. “Hoje não vou poder lhe dar muita atenção”, avisou.

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Amauri Arrais

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