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    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2008

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De graça, até Botox na testa

Cristina Tardáguila | Edição 28, Janeiro 2009

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Quando a atendente de jaleco azul-claro e brincos dourados gritou “Próximo!” na direção de Fabrício Villon, o jovem respirou fundo, deu dois passos rumo ao balcão montado de improviso na porta da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e, com um sorriso cansado, entregou a penúltima senha do dia – a de número 199. “Um tratamento para o rosto, por favor”, pediu.

Eram 10h45 de uma quarta-feira ensolarada no centro do Rio de Janeiro e, apesar do cansaço, o cozinheiro de 25?anos – um carioca esguio de cabelo aparado à máquina – não se queixava das quatro horas e meia que havia passado de pé numa das calçadas mais movimentadas da cidade. “Da última vez, cheguei aqui tarde e não consegui senha para os tratamentos gratuitos. Hoje foi por pouco, mas estou dentro”, comemorou, enquanto informava à atendente um número de telefone fixo e às companheiras de fim de fila que a próxima distribuição de senhas só aconteceria no dia seguinte.

Desde 1998, a Sociedade Brasileira de Medicina Estética do Rio de Janeiro já ofereceu gratuitamente a 12 mil pessoas de baixa renda – com salários comprovados de menos de 500 reais por mês – os tratamentos estéticos mais badalados: preenchimento facial, laser, peeling, limpeza de pele, aplicação de Botox e estimulação russa (não confundir com massagem tailandesa, alisamento japonês, escova marroquina, depilação brasileira, banho turco ou beijo grego). Em troca, exige que o tratamento seja acompanhado pelos alunos do curso de pós-graduação, como parte de uma aula.

 

 

Naquela manhã de novembro, Fabrício Villon era um dos pouquíssimos homens na fila. “Trabalhei muito tempo na Marinha, exposto ao sol e ao sal, e agora vivo colado num fogão. Sinto um peso incômodo no rosto e quero acabar logo com isso”, contou. Ao constatar que seu retorno havia sido agendado para 13 de abril, se queixou: “É… Já vi tudo: vou passar mais um verão carioca à base de cápsulas gelatinosas de protetor solar.” Como o efeito de cada cápsula dura apenas quatro horas, não será suficiente para garantir o look saudável que Villon tanto almeja.

O leigo que escrutina o rosto do cozinheiro a olho nu não encontra qualquer mancha ou sinal de descamação importante. Nada de acne ou de pêlos protuberantes. Vê apenas algumas sardas e pintas que escalam impávidas as laterais das bochechas. O jovem, no entanto, discorda com irritação de quem elogia sua beleza. “Não sou vaidoso. Isso é necessidade. Trabalho com o público. Minha imagem tem que ser higiênica senão o pessoal do Spoleto me mata”, justifica, referindo-se à rede de lanchonetes de massas onde bate ponto cinco vezes por semana para ganhar 400 reais. “Além do mais, quero envelhecer bem, saudável.”

Acompanhando a conversa de longe, Lauricéa Gomes, uma técnica de enfermagem desempregada, de 46 anos, balançava a cabeça em concordância: “Se a gente está feia, tudo fica feio e ruim. Não tem jeito.” Assim como Villon, Lauricéa havia passado horas na fila. Queria ser submetida a uma intradermoterapia – procedimento que, de acordo com os médicos, apresenta bons resultados contra a celulite e gordura localizada. Não havia passado a manhã sozinha em pé no calorão. “Essas são minha filha, Mariana, de 18 anos, e minha netinha, Nathalia, com agá, de 5 meses”, apresentou.

 

Para conseguir duas senhas, as três representantes da família Gomes embarcaram num ônibus no bairro de Rocha Miranda, no subúrbio do Rio, ainda de madrugada e viajaram cerca de hora e meia para tentar descolar um upgrade no visual. Assim como elas, 2 mil pessoas se inscreveram em 2008 para serem tratadas pelos médicos da Sociedade. Antes de chegarem às salas altamente refrigeradas e com equipamentos estéticos de primeira linha, elas passarão por uma triagem com assistentes sociais e psicólogos. Primeiro assistirão a palestras, depois virá a consulta com o médico.

Tânia de Oliveira, uma comerciante corpulenta de 45 anos que fez fila há quatro anos, só começou a cuidar das manchas de seu rosto há sete meses. Mas enquanto entrava na sala da instituição e se cobria com um tecido verde para mais uma sessão de luz sobre a face, repetia: “Já noto a diferença sim! Sou outra mulher! Outra mulher! Completamente diferente!”

Cristina Tardáguila
Cristina Tardáguila

Cristina Tardáguila é diretora da Agência Lupa e autora do livro A arte do descaso (Intrínseca)

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