CRÉDITO: LUÍSA FANTINEL_2025
Calor guardado no vento me impressiona
Sylvio Fraga | Edição 231, Dezembro 2025
MIRANTE MIRÓ
Um passarinho que voa me impressiona.
Um peixe que nada me impressiona.
Uma criança que anda, corre, me impressiona.
Uma árvore que cresce me impressiona.
Uma casa que se desmancha me impressiona.
Um Sol que sobe, que desce, me impressiona.
A Lua que nos arrebanha me impressiona, me arrebanha.
Um bebê que me olha me impressiona,
ele guarda um tempo que com o tempo, desmancha.
Calor guardado no vento me impressiona.
A maioria dos poemas não impressiona ninguém.
Alguns poemas me impressionam mais do que o Sol.
Um passarinho em silêncio me impressiona como um peixe em silêncio.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
ASSINELeia Mais
