diário

De harpas e bagagens

Ufa! Violoncelos, contrabaixos, harpas, celesta, fagotes, trombones e 121 pessoas numa turnê por onze cidades de seis países.

Arthur Nestrovski
Nestrovski (à dir.) com Marcelo Lopes, diretor executivo da Osesp, na estação ferroviária de Innsbruck: eles dividem entre si a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de uma turnê
Nestrovski (à dir.) com Marcelo Lopes, diretor executivo da Osesp, na estação ferroviária de Innsbruck: eles dividem entre si a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de uma turnê FOTO: ALEXANDRE FÉLIX_OSESP

ARTHUR NESTROVSKI  não tem tempo para se aquietar num só ofício. Gaúcho que foi estudar música na Universidade de York, Inglaterra, e doutorou-se pela Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, ele prefere a arte de somar aptidões. Aos 51 anos de idade só abriu mão de uma até agora – a de professor na PUC/SP. De resto, mantém as demais em ritmo convergente. É compositor, violonista, crítico literário e musical, autor de livros infantis, palestrante. E, desde o início de 2010, diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp. Ele também gostaria de ser exímio no teclado de computador, mas resignou-se a digitar sem técnica alguma. Em novembro passado, Nestrovski acompanhou a turnê europeia da Osesp, com apresentações em onze cidades. Ao longo dos vinte dias de viagem, anotou sensações, vinhetas soltas e episódios que compõem este diário.

QUINTA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO, ZAGREB (CROÁCIA)_É a calmaria antes da tempestade. Amanhã chegam de São Paulo 115 pessoas, entre músicos (110) e equipe de apoio. Somados à gerente de produção Analia Belli e eu, que já estamos aqui, seremos 117. Mais o solista Antonio Meneses (que também chega amanhã  da Suíça) e o maestro Yan Pascal Tortelier (que está regendo em Londres e só chega na tarde do primeiro concerto, sábado). E ainda dois produtores europeus. Total: 121 pessoas. Ao longo dos próximos vinte dias essa tropa vai viajar sempre junta, por onze cidades de seis países.

A carga inclui naipes completos de violoncelos e contrabaixos, duas harpas, celesta, fagotes, trombones, tuba, quatro tímpanos, um arsenal de instrumentos de percussão. No terminal de carga do aeroporto de Frankfurt, nada menos que 66 caixas passaram para os caminhões, que farão o transporte dessas 7 toneladas de equipamento ao longo da turnê. Os instrumentos viajam à noite, depois dos concertos. Junto vai meu violão.

SEXTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO_Da Croácia surgiram duas invenções difundidas mundo afora. No século XVII, em plena Guerra dos Trinta Anos, a gravata, assim batizada pelos franceses (cravate), justamente em alusão aos soldados croatas que usavam um pano amarrado no pescoço para se protegerem do frio. E no século XX, a caneta esferográfica, desenvolvida a partir das invenções do croata Slavoljub Eduard Penkala.

Entre outras grandes figuras de Zagreb é bom lembrar o italiano Antonio Janigro, violoncelista que viveu aqui por décadas, fundou e regeu os Solisti di Zagreb e foi um dos professores do nosso Meneses, cuja foto se vê em outdoors pela cidade e na fachada do Teatro Lisinski, ao lado do nome do maestro Tortelier e da orquestra: Državni simfonijski orkestar iz Sao Paula.

Nem faz doze horas que a orquestra chegou e os inevitáveis mas imprevisíveis problemas começaram. Um dos músicos comeu alguma coisa ruim no avião e passou mal. Outro teve sorte pior: foi parar no hospital, com uma pedra no rim.

SÁBADO, 6 DE NOVEMBRO_Aniversário de 19 anos de minha filha Sofia. Vou perder essa, assim como a festa surpresa para os 80 anos do meu pai. Paciência – aliás, de modo geral, paciência será sempre necessária para quem trabalha com orquestra, em que os ciclos de bem-estar e turbulência se alternam inescapavelmente. Por ora, estamos na maré boa.

Exceto pela famosa pedra, que ainda não saiu; mas nosso amigo foi medicado e passa bem, dentro das circunstâncias. Vai pedir para um colega substituí-lo nas peças mais longas do programa dessa noite (a abertura da ópera Lo Schiavo de Carlos Gomes, o Concerto para Violoncelo de Elgar, o Prélude à l’Après-midi d’un Faune de Debussy e o Concerto para Orquestra de Lutoslawski). Agora é outro músico que está com problemas gástricos, por causa da comida de avião.

Nem sempre um bom ensaio garante um bom concerto. Vale o contrário também: um mau ensaio não significa um mau concerto. Não há regra. Mas o ótimo ensaio de hoje deu uma animada geral, beneficiado ainda pela acústica da sala. E o concerto foi um dos grandes momentos da Osesp, a melhor largada possível para a turnê.

Pascal – como ele gosta de ser chamado – regeu toda a segunda parte de cor, incluindo o Lutoslawski, uma peça virtuosística não só para a orquestra, mas também para o maestro, e que ele jamais tinha regido de memória. Pegou os músicos de surpresa e ganhou de cara uma dose extra de respeito, importante para quem tem onze outros concertos pela frente.

Depois disso o bis – um frevo inédito do Edu Lobo, composto por encomenda especialmente para esse fim e orquestrado pelo Nelson Ayres – foi a cereja no bolo. O presidente da Croácia, Ivo Josipovic, que estava na plateia, veio dar parabéns. Antes de virar presidente, dava aulas no conservatório musical em Zagreb. Compôs uma peça para orquestra chamada Samba, acredite se quiser. A diretora de programação do teatro, de sua parte, apareceu no camarim cantando Chega de Saudade, em fluente português da Croácia.

DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO, INNSBRUCK (ÁUSTRIA)_A pedra saiu, finalmente, em pleno aeroporto de Zagreb. Um alívio para todos, antes do dia livre em Innsbruck, nos Alpes austríacos.

Almoço com o professor Gilberto. O trompetista Gilberto Siqueira, chamado de “professor” por todo mundo, é um dos baluartes da orquestra. Ele e a timpanista Elizabeth Del Grande têm 37 anos de Osesp – são os dois músicos mais antigos do grupo. O professor encarna o bonachão clássico, de coração grande e riso fácil. Vai comemorar 60 anos durante a turnê.

SEGUNDA-FEIRA, 8 DE NOVEMBRO_Longa e tocante conversa com Horácio Schaefer, spalla das violas. Filho de pai e mãe alemães, judeus que escaparam da Alemanha antes da Segunda Guerra, em 1939. Perderam toda a família em campos de concentração. Passaram dez anos na China, antes de emigrar para o Brasil. Com 17 anos, Horácio decidiu arriscar: com a cara e a coragem, foi fazer um teste no Conservatório de Colônia. Chegou com 300 marcos, sem garantia alguma, sem conhecer ninguém e sem passagem de volta. Acabou ficando quinze anos por lá, os últimos dos quais como violista da prestigiosa Sinfônica da Rádio de Frankfurt. Convencido a voltar ao Brasil pelo maestro Eleazar de Carvalho, convidado também pela USP, viveu de tudo com a Osesp, desde 1990. Está de bem com a vida, tranquilo com a experiência acumulada, curtindo um filho pequeno que ele adora.

Ótimo encontro com o spalla dos contrabaixos, Pedro Gadelha. Ontem ficamos os dois lembrando canções e comentando detalhes de harmonia, papo de músico, na fila do aeroporto. Terminamos em Copacabana, de João de Barro (Braguinha) e Alberto Ribeiro. Fica linda no violão solo; e nesse caso, sem o canto, aparece ainda mais a audácia da introdução em sol maior (“Existem praias tão lindas/ Cheias de luz…”), que subitamente modula um tom abaixo para o começo propriamente dito (“Copacabana, princesinha do mar…”). Sabe-se lá de onde vem uma ideia aberratória dessas: introdução um tom acima do resto da música. Talvez exigência vocal de Dick Farney, que fez a primeira e celebrada gravação. Muitas vezes, para quem está compondo, uma questão eminentemente prática resulta em soluções transcendentais. Seja como for, o efeito aqui é inesperado e irrepetível, como deu para sentir até em pleno melancólico quarto de hotel austríaco: um golpe harmônico que muda tudo, afasta a canção das outras praias cheias de luz – ou neve – e abre janelas para o paraíso de Copacabana, 1946.

TERÇA-FEIRA, 9 DE NOVEMBRO, VIENA_Aquela pedra no rim tinha saído, sim; mas outras não. Para complicar, foi detectada uma infecção. Nosso oboísta teve de ser hospitalizado em Innsbruck, e está fora da turnê, infelizmente. Sua mulher foi chamada de São Paulo, porque o marido terá de ficar internado alguns dias, antes de voltar pro Brasil. Os outros dois oboístas vão segurar a peteca.

Hoje é o grande dia do concerto no Musikverein de Viena. Aqui regeram alguns dos maiores compositores da história, como Brahms, Strauss e Mahler, sem falar no rol completo dos maestros modernos.

Check-out às sete da manhã, para pegar o trem das oito em Innsbruck. Durante a viagem, uma verdadeira masterclass de Pascal sobre a Alborada del Gracioso de Ravel (que está no programa de Salzburgo, depois de amanhã). A partitura tem pequenos erros e pegadinhas que vêm sobrevivendo ao tempo, mesmo na mão dos maiores intérpretes. Exemplo: uma mudança de armadura de clave, indicando troca de clarinete (de clarinete em lá para clarinete em si bemol), antes de um pequeno solo que serve de passagem a um novo tema. Parece mentira, mas nem sempre se percebe a mudança e existem até gravações consagradas que trazem essa frase inteira tocada no instrumento errado, um semitom abaixo do que deveria. Outro exemplo: um fá natural nos trompetes, depois que a música já modulou para ré maior. Faltou simplesmente acrescentar o sustenido na partitura; mas o resultado passa por acorde dissonante e quase todo mundo toca assim.

O que uma cidade não faz com uma pessoa! Meia hora antes do concerto, aparece Irina Kodin, violinista búlgara da Osesp, radicada há mais de dez anos em São Paulo, mas que está de licença em Viena, estudando. Irina floresceu. A orquestra inteira fica encantada. Respondendo aos elogios, comenta que, por aqui, a aparência conta muito. Sem dúvida; mas vamos combinar que não só por aqui. Em Viena ou qualquer cidade, Irina faria a gente intuir a sabedoria de Oscar Wilde: só os idiotas não julgam pela aparência.

O que uma cidade não faz com uma orquestra! Os concertos em Zagreb e Innsbruck foram muito bons, mas Viena eleva a Osesp um grau acima. A ovação final não deixa margem a dúvidas.

Pascal teve a boa ideia de tocar como primeiro bis um trecho dos Choros no 6 de Villa-Lobos. Depois do Lutoslawski, que termina numa apoteose de ângulos melódicos retos, de uma energia aterradora, contra tudo e contra todos (em pleno regime soviético), esse tema do Villa, com o sax soprano dobrando o corne-inglês, abria ali um espaço de sonho. O tema encarna como poucos aquela “alma brasileira” identificada ou criada em boa medida pelo próprio Villa-Lobos, e que agora virou nosso patrimônio subjetivo comum. Melodias assim, para muitos de nós, definem a própria condição afetiva de ser brasileiro. Não foi pouca gente que chorou, dentro e fora da orquestra.

QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO, SALZBURGO_Viagem de trem, de Viena para Salzburgo; resto do dia livre.

À noite chega o presidente da Fundação Osesp, Fernando Henrique Cardoso. Vem de uma reunião na Suíça – com Kofi Annan e Bill Clinton, entre outros – e vai ficar pros dois concertos. Sempre cheio de histórias, cheio de humor. Chega também Nick Mathias, de Londres, agente do maestro.

QUINTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO_Uma das funções mais difíceis numa orquestra é a da gerência. Escalação dos músicos, folgas, rodízio nos naipes, problemas cotidianos de todos os tipos (profissionais, pessoais, conjugais), tudo vem cair no colo do gerente. Joel Galmacci nasceu talhado para a função. Durante o almoço hoje, no Café Tomaselli (de 1703), ele faz o resumo das questões pequenas que apareceram até aqui.

Joel lembra o ator Stephen Fry, só que mais jovem. Começou a carreira em São Caetano, no ABC paulista, onde abrira também uma escola de música. Violonista clássico, desde 2006 assumiu a gerência da Osesp. Casado com Marialbi, violoncelista da orquestra, tem com ela uma filha pequena. À frente dos músicos, é a segurança em pessoa, com imprescindíveis doses de malícia e de graça. Divide a zaga com Xisto, o inspetor da orquestra, que merece comentário próprio, mais adiante.

O concerto na Grande Sala do Festival de Salzburgo corre bem, mas menos vibrante que o de Viena. Para essa plateia tão assumidamente burguesa isso pode até contar como virtude, um toque de classe da orquestra. De qualquer modo, uma ocasião histórica: a primeira vez que uma orquestra brasileira se apresenta neste teatro mitológico. Na verdade, a primeira vez que uma orquestra das Américas (do Sul e do Norte) se apresenta em Salzburgo durante a temporada principal.

De volta ao hotel, uma notícia ruim: morreu a avó de uma musicista italiana da orquestra (que não estava tocando hoje). Ela viajou para Údine, mas vai nos encontrar depois de amanhã na Eslovênia.

SEXTA-FEIRA, 12 DE NOVEMBRO_Reunião com Nick para acertar datas de Pascal com a Osesp nas temporadas de 2012 e 2013. Ao longo desses dias, além dessas reuniões extemporâneas, que incluem também encontros com o empresário Pedro Kranz – suíço de Genebra, um setentão criado no Rio de Janeiro, responsável pela turnê –, não para nunca a comunicação por e-mail, definindo datas e programas para os próximos anos. No mundo da música clássica, quem não se mexe assim está frito. Com Antonio Meneses, por exemplo, já combinamos a estreia mundial de um Concerto para Violoncelo e Orquestra do compositor campineiro Marco Padilha – daqui a dois anos, em novembro de 2012.

SÁBADO, 13 DE NOVEMBRO, LiUBLiANA (ESLOVÊNIA)_Liubliana, a pequena capital da pequena Eslovênia, é uma das cidades mais bonitas da Europa Central. Um canal corta o centro antigo, cheio de praças e cafés, que ficam abertos até tarde. O país vive um momento bom, embora incerto. Dos países da antiga Iugoslávia, este foi o que se deu melhor. O avanço permanece visível, mas as dificuldades econômicas da União Europeia – primeiro Grécia, agora Irlanda, com Portugal e Espanha na fila – também afetam a vida dos 2 milhões de eslovenos. Pelo menos assim dizem várias pessoas numa recepção depois do concerto, na casa de Débora Vainer Barenboim, a embaixadora do Brasil.

O diretor do teatro aproveita para contar que está organizando um ciclo de cultura brasileira para 2011. A mesma coisa deve acontecer no Teatro São Luiz em Lisboa. Do ponto de vista cultural, o Brasil hoje é visto na Europa como lugar de invenção e movimento, um oásis de renovação. Os europeus, por contraste, expressam uma mistura de orgulho e desencanto com o que fazem: orgulho pela tradição e desencanto pela mesma tradição, o que a essa altura também vai virando tradição.

DOMINGO, 14 DE NOVEMBRO, VARSÓVIA (POLÔNIA)_Há dias em que sobra algum tempo para passear. Mas nunca sobra muito, ainda mais para quem tem concerto pela frente (ou o imprescindível violão). E também chega um dia, como hoje, quando nem dá vontade de pôr o pé para fora do quarto. Room service, livro, futebol na tevê. Telefonemas pro Brasil.

No fim da tarde, café com Xisto. Se existe uma unanimidade na Osesp, é ele. Responsável por garantir a presença de todos na hora e no lugar certos (e com a roupa certa), Xisto Alves Pinto comanda, entre outras coisas, a rotina de ensaios e concertos. Tem o respeito de todos os músicos, incluindo regentes e solistas.

No meio de um ensaio, anteontem, exerceu seu papel com distinção. Deu uma chamada em alguns membros da orquestra que pediam silêncio, sem maior delicadeza, aos de outro naipe. Foi um pedido devidamente aceito e o assunto morreu ali mesmo.

Com uma elegância discreta e natural, e um porte que lembra o do grande craque Didi, Xisto veio para a orquestra bem no começo da reestruturação, em 1997. Antes disso, era trombonista da banda da Brigada Militar, regida na época pelo pai do maestro Roberto Minczuk. Hoje aposentado da Brigada, Xisto virou uma entidade: passa a impressão de que está na Osesp desde sempre e para sempre, conduzindo as coisas do seu jeito, sem alarde, feliz naquilo que faz melhor do que ninguém.

SEGUNDA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO_Antes de começar o concerto hoje, fez-se uma homenagem ao compositor polonês Henryk Górecki, que morreu sexta passada. Plateia inteira de pé, em silêncio.

Graças ao sucesso internacional de uma gravação da sua Sinfonia nº 3, em meados da década de 80, Górecki tornou-se um dos primeiros compositores da sua geração a conquistar plateias amplas, para além dos círculos especializados da música contemporânea. Foi também um dos primeiros de uma série de colegas conhecidos pela força espiritual, ou mesmo abertamente religiosa, de sua música – algo que, no contexto do fim do comunismo soviético tinha também componente político, hoje quase esquecido. Menos conhecida, afinal, do que sugere sua popularidade, a música de Górecki merece ser protegida do sucesso, que paradoxalmente jogou sobre ela uma capa de apelo.

“Obrigada por trazer o sol do Brasil!”, exclamavam algumas pessoas no fim do concerto, mais ou menos nesses termos. Pode ser clichê; mas não em Varsóvia, onde Villa-Lobos se impôs como uma revelação e o frevo do Edu incendiou a plateia.

Enquanto isso, em Porto Alegre, meu pai faz 80 anos.

Todo mundo observa que os músicos reclamam demais. Em todas as orquestras é assim. Não são todos e nem sempre sem motivo, claro; mas existe uma cultura da reclamação característica de músico de orquestra. E nem estamos falando da queixa coletiva, que também existe num grande grupo como esse, com suas naturais vertentes sindicalistas. Não: é a reclamação pessoal que mais impressiona. Sobra muito pra turma da produção, coitada; mas tem para todos nós, pelos motivos mais variados, que vão do sublime ao trivial. Eis aqui uma tentativa de explicação.

Raras profissões exigem tanta disciplina. A música em si demanda isso, mas a prática orquestral vai mais longe, primeiro pela natureza do conjunto, mas também pelas contingências do dia a dia. Por exemplo (para ficar só nesse): músico não pode atrasar um minuto. Para a grande maioria de nós, atrasar cinco minutos numa reunião não chega a ser grave. Para o músico, não. Tem de estar no palco toda manhã, pronto para ensaiar, antes de o maestro subir no pódio.

Para integrar a orquestra, cada músico estudou muitos anos, aprimorando em alto nível um talento já singular. Agora, no entanto, justamente quando vai tocar, não sobra quase espaço para a expressão individual. Pelo contrário: o bom músico precisa dar vida do modo mais expressivo às ideias do maestro, não às suas. Tem mais: para a maioria dos músicos de orquestra – exceção feita aos de função solista (como o spalla, a primeira flauta, o primeiro trompete, o tímpano etc.) – não há como ser ouvido individualmente. Excelentes músicos que são, sacrificam sua arte mais pessoal em nome do conjunto. Nem o maestro consegue escutar exatamente como toca um violinista da quarta fileira – a não ser quando toca uma nota errada.

Entende-se, então, que cada músico queira ser ouvido, por si, em si e para si – que é o que acontece, afinal, quando reclama. Nesse momento, ele ou ela cobra atenção particular. Precisa ser escutado e, na medida do possível, atendido.

Não quer dizer que não tenha motivo e não quer dizer que não tenha razão. Mas o caráter e frequência das reclamações sugerem algo além de cada queixa específica. E cabe ter isso em mente. Paciência será sempre uma virtude necessária para lidar com a orquestra; mas compreensão e humanidade são mais necessárias ainda.

TERÇA-FEIRA, 16 DE NOVEMBRO, COLÔNIA (ALEMANHA)_No ônibus até o aeroporto, conversa com a harpista russa Liuba Klevtsova (que está na Osesp desde 2000, e hoje tem marido e filho brasileiros). O assunto é a hipotética troca de figurino da orquestra, que está em discussão. Será que ainda faz sentido usar fraque e gravata-borboleta? Por que um músico teria de se vestir como se estivesse numa corte imperial, 200 anos atrás?

Parte do público decerto prefere manter esse ritual – a aparência conta muito, na Viena de Irina como na Sala São Paulo. Mas as plateias de música clássica estão mudando. São mais variadas, mais jovens, muito menos formais. É interessante observar que hoje no Brasil, como em outros lugares, há mais projetos de inclusão social ligados à música clássica do que à música popular, por incrível que pareça. Oxalá isso ajude a quebrar os preconceitos, que cortam para os dois lados, e ninguém merece.

Voo de Varsóvia para Maastricht (na Holanda), escondida no nevoeiro, e de lá um trecho de carro até Colônia.

Jantar com Pascal e Antonio, num restaurante italiano do bairro. Antonio faz um elogio rasgado ao alaudista Hopkinson Smith, especialmente pela gravação das Sonatas & Partitas de Bach. Engata depois numa conversa sobre Puccini e outros gênios da ópera. Os melhores cantores fazendo árias de Bellini são para ele o grande modelo de fraseado. Pascal se entusiasma a ponto de sugerir uma Tosca com a orquestra, para 2014.

QUARTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO_A pianista Olga Kopylova, nascida no Usbequistão, mas radicada em São Paulo desde 2000 (e já mãe de dois filhos brasileiros), chama nossa atenção para problemas com a celesta, aquele instrumento que lembra um pequeno piano vertical e faz as vezes de uma coleção de sininhos, cujo som está desregulado. Acabamos chamando o técnico da fábrica, que vem a Colônia e confirma o diagnóstico. Propõe levar essa celesta e nos emprestar outra, enquanto for feita a regulagem. É o tipo de trabalho que não aparece, mas muda o som da orquestra.

Na sala circular da Philharmonie, o som é difícil e duro, muito preciso mas sem ressonância, os harmônicos parecem não se misturar. O concerto afinal vai bem; mas termina pouco depois das dez (já meio tarde para eles) e várias pessoas começam a deixar o auditório tão logo soa a última nota – atitude feia, que se vê também na Sala São Paulo e já provocou a ira de Pascal no passado. Quando ele volta ao palco e vê os espectadores saindo, faz uma cara de espanto e ergue as mãos. A massa da plateia vem abaixo. O que eram aplausos vira uma ovação.

Atrás do palco os músicos são recebidos com copos de cerveja, consagrada tradição na Philharmonie.

Os cartazes lá fora confirmam o prestígio brasileiro. Amanhã toca aqui Brad Mehldau, um dos grandes pianistas de jazz da atualidade. Na sequência, a Filarmônica de Viena e a Orquestra Sinfônica de Londres, depois Herbie Hancock, e assim por diante. Nessa turnê, estamos tocando dentro das temporadas principais, em cada cidade (quer dizer, temporadas como a do Cultura Artística e do Mozarteum, em São Paulo). Isso faz toda a diferença e explica a casa cheia, desde Zagreb.

QUINTA-FEIRA, 18 DE NOVEMBRO_Antonio faz outra revelação surpreendente: um de seus músicos preferidos, de todos os países e de todos os tempos, é Jacob do Bandolim. Mais especificamente Jacob naquele disco famoso gravado ao vivo com Elizeth Cardoso, o Zimbo Trio e o Época de Ouro no Teatro João Caetano (1968). A expressividade do bandolim ali espanta até hoje o nosso violoncelista – tanto mais pela natureza do instrumento, de cordas muito tensas, menos dadas a esse tipo de fraseado. Hopkinson Smith, Puccini, árias de Bellini, Jacob do Bandolim: uma seleção e tanto, e que a seu modo explica também quem é Antonio Meneses.

SEXTA-FEIRA, 19 DE NOVEMBRO, AACHEN_A cara de felicidade do trompetista Marcelo Lopes cada noite, ao final do Villa-Lobos, merece menção especial. Durante os Choros ele se concentra, ao lado do professor Gilberto. Mas depois nem disfarça a satisfação de fazer essa música, nesses lugares, ao lado desses colegas de mais de 25 anos de orquestra. Faz seis anos que assumiu a direção executiva da Fundação Osesp. Com formação em direito e administração, e habilidade natural para o cargo, ele toureia um problema atrás do outro, sem perder o senso de humor. Dorme quatro, cinco horas por noite e não tem uma ruga. Devotado pai de três filhas, a maior já na faculdade, casado com uma nissei há trinta anos, além da orquestra (em que hoje em dia só toca esporadicamente, como nessa turnê), ele dá aulas de trompete e administra uma agência de músicos em São Caetano, e ainda acha tempo para advogar algumas causas. Marcelo sabe tudo de orquestra; tem PhD em matreirice. Intui sempre o que está por trás do mais aparentemente angelical pedido de licença ou coisa do gênero. Adora música e adora a Osesp. Nessa turnê, tocando segundo trompete no meio do naipe, parece mais feliz do que nunca.

Concerto num centro de convenções, a pior sala da turnê. Mas com a presença de Timothy Walker, diretor da Orquestra Filarmônica de Londres e consultor artístico da Osesp. Tim veio de Londres só para isso. Participa conosco, depois, do jantar de confraternização da viagem, com todos os músicos.

SÁBADO, 20 DE NOVEMBRO, FRANKFURT_ A cota de músicos doentes já chega a quatro: além do oboísta, três outros tiveram de ser atendidos, por problemas que vão de tratamento de canal a disenteria. Analia (“Ana-lia”, aliás, não “Anália”) e Silvia de Pietro (a produtora suíça que nos acompanha), mais Lucy, Mauro e o resto da equipe se desdobram para dar conta desses casos, sem falar nas coisas que vão acontecendo com a carga, a montagem do palco, o transporte, as reservas de hotel.

Exemplo anedótico: no meio da noite, um dos músicos deixa por descuido um par de calças sobre o abajur, o que faz soar o alarme de incêndio. Aparecem carros de bombeiros, as entradas do hotel são cinematograficamente escancaradas etc. O trompista não sabe onde se meter. Constrangido, morre em 570 euros, que ele insiste em pagar.

Nunca é bom esquecer: são mais de uma centena de pessoas, com suas 7 toneladas de equipamento, viajando por onze cidades em seis países ao longo de quase três semanas: trem de dar em doido, como se diz em Minas.

Leituras de viagem: dois livros recém-lançados – a coletânea Listen to This [Escuta Isso], de Alex Ross; e o ensaio Music and Sentiment [Música e Sentimento], de Charles Rosen. Crítico musical da revista New Yorker, Alex Ross escreveu também o best-seller O Resto É Ruído, uma monumental história da música no século XX. O livro novo reúne textos sobre assuntos que vão de Mozart e Schubert a Björk, Bob Dylan e Radiohead, incluindo ainda perfis do maestro Esa-Pekka Salonen e da cantora Lorraine Hunt Lieberson, entre outros. Em todos os casos, Ross vê a música de fora para dentro, no melhor sentido da expressão; sem desprezar sua autonomia, consegue sempre ver o mundo na música, devolve à escuta o senso de realidade.

Forçando um pouco a imagem, dá pra dizer que Rosen, autor do antológico The Classical Style [O Estilo Clássico], de 1971, parece fazer quase o contrário: vê a música de dentro para fora, revela como ninguém o engenho da composição. Seu pequeno livro parte de uma grande pergunta, dessas que parecem tão simples que ninguém consegue responder: como é possível representar emoções em música? A resposta se concentra em atributos bem objetivos, soluções formais que vão se desenvolvendo à medida que os estilos se sucedem.

Alex Ross não exige conhecimento técnico para ser pelo menos sugestivamente compreendido; já de Rosen não dá pra dizer o mesmo. Um e outro são autores imprescindíveis para quem é do ramo.

DOMINGO, 21 DE NOVEMBRO

Meine Damen und Herren,

Faz poucas horas, recebemos a notícia do falecimento, em São Paulo, do compositor Almeida Prado. Ele era por consenso um dos maiores, senão o maior compositor brasileiro em atividade. Tocada mundo afora, sua música integra há décadas a programação dessa orquestra. Almeida Prado foi professor – e também um amigo querido – de muitos de nós. Com sua permissão, gostaríamos de dedicar o concerto à memória desse homem generoso e bem-humorado, um artista inspirado e inspirador.

Vielen Dank.

SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO, MADRI_Reunião no avião com o spalla Emmanuele Baldini, sobre os concertos do Quarteto Osesp. Já que não temos sala de câmara, a ideia daqui para a frente é fazer os concertos virados para trás, com a plateia sentada no coro e também no próprio palco. Tanto do ponto de vista acústico e musical quanto histórico, não faz muito sentido tocar música de câmara num auditório enorme como a Sala São Paulo. Além do mais, música de câmara dificilmente enche uma sala de 1 500 lugares; metade disso está ótimo, e no novo formato significa lotação esgotada.

A empresária e produtora Ana Irralde, amiga de uma amiga de São Paulo, liga pro hotel com um convite para ir à sua casa, conhecer pessoas daqui. Naturalmente elegante, senhora de si mesma, Ana é uma dessas mulheres que parecem sempre à vontade no mundo. Mãe de três filhas crescidas, mora num apartamento charmoso, com um terraço fechado onde a cena é puro Almodóvar: um diretor de teatro cigano, que canta flamenco muito bem; um casal de jovens atores, em cartaz numa das peças produzidas por Ana; o roteirista da peça; uma bailarina-cantadora de flamenco; um professor americano radicado em Madri, especialista em música barroca e que também toca violão espanhol; mais uma amiga meio brasileira, que ajuda quando o espanhol de gaúcho não dá mais pro gasto.

Aparece um violão e a festa vira sarau. Nessas condições, não só não dá para não tocar como não dá para não cantar. Em contraste com o flamenco, tão violento seja nas letras, seja nas melodias e ritmos, e na harmonia também, que vive de dissonâncias arabescas num âmbito restrito de acordes, as canções brasileiras – Caymmi, Jobim, Chico, Batatinha, Caetano – parece que vêm de outro planeta. “Existirmos, a que será que se destina?” A resposta está ali, na pergunta, soando linda na voz dos espanhóis.

TERÇA-FEIRA, 23 DE NOVEMBRO_Tudo ou Nada: assim se chama uma exposição do fotógrafo peruano Mario Testino, no Museu Thyssen-Bornemisza. São dezenas de fotos de grandes dimensões, de várias celebridades da moda, de Kate Moss, Claudia Schiffer e Gisele Bündchen (duas de suas favoritas) a Natalia Vodianova e Daria Werbowy. Na primeira parte, elas vestem roupas incríveis, em cenários inusuais: é a glamourização máxima da pessoa, a mágica das roupas, um espanto. Na segunda, não vestem nada, exceto a fabulosa pele: é a humanização das divas, mais espantosas ainda. Entre um e outro extremo, ficamos nós, espantados, buscando encanto no meio da vida.

Inesperadamente, uma canção. Começada em Colônia, meio por acaso, trabalhada dia a dia desde lá e agora concluída em Madri. “Meio por acaso” define bem o processo. Impressionante como tudo quase sempre nasce de acidentes e erros. Uma sequência de dois acordes, por exemplo – F#7+ / e7 [Fá sustenido com sétima maior e mi menor com sétima] –, aquecendo os dedos para estudar. Opa: tem algo ali. Às vezes dá pé, às vezes não, mas quase sempre uma música nova sai de algo imprevisto, que o ouvido elege. Disso vem um primeiro motivo, ou uma primeira frase, que sugere continuidade. E assim vai indo, numa mistura de invenção (ideias novas) e descoberta (elaboração das anteriores).

O curioso é o quanto um compositor acaba fazendo coisas realmente novas para si mesmo, quando compõe. Ninguém planeja de antemão as soluções que acaba encontrando. Repetições inusuais, modulações, codas: tudo o que depois parece tão natural jamais teria sido pensado se não fosse a tentativa de resolver o problema imposto pela própria música, in progress. Vale o mesmo para a mecânica instrumental, que só se expande quando surgem exigências novas. Aquilo que nunca se fez antes de repente parece que sempre existiu, no acervo de possibilidades. Daí, sem dúvida, vem parte do prazer de compor. Outra parte, mais misteriosa, vem da expressão do que até um compositor tão racional e lúcido como Pierre Boulez chama de “segredo”: aquilo que nem ele mesmo sabe dizer o que é, mas que se expressa em tudo o que escreve, e aliás precisa disso para se expressar.

“Você faz ideia de quem está aqui esta noite?”, pergunta Ana no intervalo do concerto, passeando no foyer observada por muitos olhos. “Tem muita gente importante; vocês estão com o maior cartaz em Madri.” Ótimo; mas o mais impressionante de tudo é mesmo Antonio, que termina o Concerto de Elgar com lágrimas nos olhos. Já tocou a peça dezenas e dezenas de vezes; ainda assim, pode se emocionar a esse ponto na frente de uma plateia de mil e tantas pessoas.

Num outro plano, o frevo do Edu fecha a noite na maior alegria, depois dos Choros e de La Valse. Pascal contente no camarim, recebendo a visita do filho Sebastian (ator) com a mulher (pianista finlandesa). Missão quase cumprida, só falta um concerto, amanhã.

QUARTA-FEIRA, 24 DE NOVEMBRO, MÚRCIA_Pascal fala com a orquestra antes do ensaio, agradece o empenho de todos, conta piadas. Clima descontraído, alívio geral por não ter havido qualquer incidente digno de nota, em tantos dias de convívio. O último concerto também vai bem, mas nem dá pra comemorar direito, já que o check-out será às cinco da manhã.

Então, quando ninguém mais espera, aos 46 do segundo tempo, os deuses resolvem fazer graça. Um músico de temperamento desassossegado, e que a essa altura já tomou uma cerveja além do que devia, faz um comentário infeliz. A resposta vem à altura e o barraco está armado em pleno hotel. A turma do deixa-disso entra imediatamente em cena, mas o episódio só se dissipa depois de muita conversa.

Na manhã seguinte, não menos inesperadamente, pouco antes da partida, uma das musicistas mais reservadas da orquestra põe-se aos berros com a produção, por um motivo qualquer. O que causa surpresa, a essa altura do campeonato, é a explosão de humores. Como se as comportas não segurassem mais o que foi reprimido por tanto tempo, em nome da boa convivência. Pena que não tenha dado para segurar; só faltava um diazinho.

QUINTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO, MÚRCIA-MADRI-BERLIM_Nenhum roteirista escreveria episódios assim para terminar um filme sobre a turnê. Mas aqui não tem roteirista, nem partitura; na vida real, todo mundo toca de ouvido. A orquestra é uma escola de quase tudo, e obriga a gente a estar pronto para o que der e vier.

O que nos veio e o que se deu, sob todos os aspectos, ao longo dessas três semanas, não foi pouco; e a cota de espanto está mais do que bem atendida. De resto, a turnê foi um sucesso do começo ao fim. “Todas as concertas foram ótimas!”, como dizem alguns russos da orquestra, com sotaque irresistível. E o trabalho continua, sem pausa. Amanhã mesmo um pequeno grupo – Pascal, Analia, o spalla Cláudio Cruz (também regente assistente da turnê), a primeira-flautista Jessica Dalsant, o spalla dos violoncelos Johannes Gramsch e eu – estará em Berlim para uma rodada de audições. Na verdade, uma pré-seleção para a final em São Paulo, quando serão escolhidos novos músicos para a orquestra.

Depois disso, fico com minha filha Lívia, passeando por três dias em Berlim, e volto para encarar o final da temporada: audições, concertos, gravações, reuniões, cerimônias, sem falar no dilúvio de e-mails e nos mil e um detalhes do dia a dia. Vem aí Nelson Freire, e temos também pela frente a Nona de Bruckner, regida por Pascal. Mais o concerto ao ar livre, na Praia do Gonzaga, em Santos. Mas agora, por duas horas, voando de Madri para Berlim, dá para esquecer um pouco de tudo, enquanto, sem paradoxo, vai sendo tudo lembrado e parcialmente transformado em palavras. Estou a menos de um minuto do ponto final, quase pronto para escapar dessas notas. Berlim tem previsão de neve, vai ser bonito de ver do avião.

Arthur Nestrovski

Compositor, violonista e crítico literário e musical, é diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

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