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    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL

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Eleitor à vista

Partido alemão mostra que a pirataria compensa

João Moreira Salles | Edição 69, Junho 2012

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Na falta de um porto, permaneceu-se no mesmo campo semântico e ancorou-se em Tempelhof, o aeroporto de Berlim usado pelo Terceiro Reich e pelos C-47 americanos que abasteceram a cidade durante o cerco soviético de 1948. Pois foi nessas paragens legendárias, hoje um parque, que em 13 de maio, domingo, uma centena de bucaneiros se postou diante de um telão para assaltar a circunspecta nau do Estado alemão.

Era um convescote do Partido Pirata, coruscante agremiação que, fundada em 2006 para lutar contra a apropriação comercial de direitos autorais, cresceu de maneira vertiginosa e conta hoje com 45 parlamentares em legistaturas estaduais, quinze deles só na Câmara de Berlim. Já são 33 mil os piratas de carteirinha.

A tarde lhes traria notícias venturosas. Corriam as eleições legislativas da Renânia do Norte-Vestfália, o estado alemão mais populoso, responsável por quase 4% do PIB da União Europeia – verdadeira nau capitânia, transbordante de dobrões, patacas e o que mais cobiçasse um flibusteiro. Enquanto não vinham as projeções de boca de urna, o pessoal abordava o bufê vegetariano e cometia gingadinhas teutônicas ao som de rock pesado.

 

Aimon, que preferiu dar seu apelido, usava bandana e echarpe vermelhas. Ele é cheinho e simpático, tem 27 anos e trabalha numa farmácia. Nada lhe parece mais vital do que a liberdade de ir e vir no mundo virtual. “Comecei a usar computador aos 9 anos.” Ao ser perguntado se usava Apple, quase escandalizou-se. “Uso o Linux”, um software aberto, “uma questão muito importante para nós.” Contrito como pecador, confessou, porém, que sua iniciação digital se deu num ambiente Microsoft-Windows.

A escolha do nome “pirata” foi uma tomada de posição: “A palavra vem do grego e significa atacar o statu quo”, esclarece Aimon, puxando a etimologia para a sua brasa. “Afirmamos, por exemplo, o direito de atacar o estatuto do copyright.” Não se imagine, entretanto, que sejam anarquistas: “Queremos um governo transparente, que permita ao cidadão saber o que está acontecendo.” Dados pessoais devem ser regidos pelo princípio da confidencialidade, mas segredos de Estado são inadmissíveis.

O manifesto do partido, cujos oito primeiros capítulos tratam exclusivamente do mundo digital, inova o vocabulário político: “bancos de dados centralizados” (contra), “restrição de banda” (a favor), “proteção a whistleblowers” [gente que quebra sigilos] (a favor, naturalmente). Inovador também é o contrato social, que passa a incluir noções como o direito constitucional de acesso rápido e gratuito à internet e legaliza a cópia e difusão de bens culturais para fins não comerciais. “Nenhuma restrição a cópias”, lê-se no capítulo sobre o copyright, esse “conceito antiquado de propriedade intelectual”. Os piratas defendem os direitos autorais dos criadores, mas combatem os dos intermediários, tais como gravadoras, editoras, jornais e estúdios de cinema, contornando o espinhoso problema de como os primeiros existirão sem os segundos.

 

Há idiossincrasias. Por exemplo, no capítulo “Transparência do Estado”, exige-se o banimento imediato das urnas eletrônicas (talvez porque todo pirata sabe que até um hacker de cueiros pode violá-las). “Ajuda externa” não significa enviar comida e remédio a países em necessidade, mas favorecer o acesso à internet em sociedades fechadas, tal como fez a militância pirata na Primavera Árabe, estabelecendo conexões de modem para ajudar os revoltosos.

Pós-ideológicos, os piratas não se reconhecem nem na esquerda nem na direita, “conceitos muito século XIX”, diz Aimon. Talvez por afinidade atávica com os mares, adotam a “democracia líquida”, na qual, graças a um sistema de manifestação das bases (via web, natürlich), o poder está sempre fluindo, sem jamais se cristalizar em hierarquias. São avessos à vacuidade da política tradicional, tanto que há pouco enviaram uma delegação à Islândia para estreitar laços com o Melhor Partido, agremiação espiritualmente assemelhada. Houve fértil troca de ideias e, ao fim, divulgou-se uma solene Declaração Conjunta a Respeito de Nada.

Embora redigido pela geração que nasceu depois da queda do Muro, o manifesto é curiosamente anacrônico ao insistir no risco de sermos vencidos pelas tendências totalitárias do Estado. É como se a Stasi, a eficientíssima polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, aguardasse apenas um telefonema para voltar à ativa. Já sobre a flagrante manipulação de dados pessoais feita por empresas como Google e Facebook, o manifesto dos piratas tem pouco a dizer.

 

O piquenique político atraiu também veteranos de causas mais batidas – ecologia, direitos humanos, desarmamento nuclear –, agora bandeados para a pirataria. O que pouco se via eram imigrantes ou pobres, de forma alguma um indício de que o partido seja contra uns e outros. Acontece que o PP parece operar com um mundo 3.0, enquanto a realidade da crise europeia ainda roda a velha versão 1.0, cheia de bugs como desemprego, dívidas, Grécia, euro e desamparados de todo tipo. Conforme explica Felix Just, um jovem pai com filhinho a tiracolo, o partido nasceu para defender a causa central de sua geração – “A liberdade do lugar onde vivemos, que é a internet. A web é o nosso campo de existência” – e por ora não tem posição oficial sobre o cenário econômico. “Ainda não compreendemos as sutilezas envolvidas”, diz.

Às 17 horas, anunciados os resultados, viu-se que a estratégia dera certo, com o PP saltando de 1,6% em 2010 para quase 8% dos votos, o que significou a eleição de mais vinte dos seus. Pelo volume da gritaria, depreendeu-se que os piratas: 1) ficaram muito felizes com a surra levada pelos democratas cristãos de Angela Merkel; 2) exultaram com o desempenho da própria legenda; 3) catapultaram-se ao êxtase quando o locutor anunciou que os verdes haviam recuado 0,7% da última eleição para cá. Pura Realpolitik, de deixar Otto von Bismarck lambendo os beiços.

“O Partido Verde ficou velho”, explica Just. “Os militantes deles são os mais inclinados a migrar para o nosso lado.” Das terras germânicas parece então vir o alerta: verdes de todos os quadrantes, os piratas são hoje o que foram vocês outrora; portanto, quando virem um bergantim de bandeira negra costear sua praia, larguem da árvore e saltem para o tombadilho. Da perspectiva do butim político, o futuro é corsário.

João Moreira Salles
João Moreira Salles

Documentarista, é fundador da piauí. Dirigiu No Intenso Agora, Santiago, Entreatos, Notícias de uma Guerra Particular e Nelson Freire. É autor de Arrabalde: Em Busca da Amazônia (Companhia das Letras)

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