anais da ditadura

Feliz ano velho

O alvoroço provocado por um livro de Rubem Fonseca na burocracia da censura nos anos 1970

João Pedro Soares
CREDITO: MILLÔR FERNANDES (1923-2012)_1977_ACERVO MILLÔR FERNANDES_INSTITUTO MOREIRA SALLES

A segurança dos 93 milhões de brasileiros esteve gravemente ameaçada na segunda metade dos anos 1970, durante a ditadura militar. O Departamento de Polícia Federal, em Brasília, um dos braços da censura no país, estava com dificuldade para encontrar pessoas com formação intelectual suficiente para examinar os livros publicados e verificar se tinham tendências subversivas.

O coronel Moacyr Coelho, diretor-geral do DPF, fazia o possível para resolver o problema. Chegou a enviar um de seus homens a Nanterre, na França, para um curso de especialização em “análise do discurso ideológico”. Mas, como dependia da contratação de pessoal externo para garantir o funcionamento do serviço, o coronel acabou levando suas reclamações ao mais alto escalão – o ministro da Justiça, Armando Falcão, que em privado conspirava em tempo integral e em público, sempre que cruzava com jornalistas, repetia: “Nada a declarar.” Com isso, o impasse burocrático acentuou-se, e a gota d’água foi o processo de censura ao livro Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, em 1976, como revelam documentos inéditos encontrados no Fundo da Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça, no Arquivo Nacional.

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João Pedro Soares

É jornalista freelancer, correspondente da Deutsche Welle no Brasil e sócio da Agência Andante

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