Marco Rubio e Donald Trump, em reunião na Casa Branca: para convencer o presidente a capturar a Venezuela, o secretário juntou três linhas – o petróleo para os empresários, o narcotráfico para os agentes do Departamento de Justiça e o reduto eleitoral da Flórida para os políticos BRENDAN SMIALOWSKI_AFP_2025
Operação Flórida
Como o ambiente conservador de Miami pavimentou o caminho para a queda de Maduro
Fernando Brancoli, de Miami | Edição 233, Fevereiro 2026
Por volta das quatro da manhã de 3 de janeiro de 2026, o estacionamento do El Arepazo começou a encher. O restaurante fica numa esquina de Doral, um subúrbio de Miami onde as placas dos consultórios estão em espanhol e os outdoors, em vez de hambúrgueres, anunciam empanadas. Os moradores chamam o lugar de “Doralzuela”. Afinal, mais de um terço da população ali é formada por venezuelanos. Naquela madrugada, carros chegavam com bandeiras amarelas, azuis e vermelhas penduradas nas janelas. Alguém abriu o porta-malas de uma picape e ligou o som no volume máximo. Logo a imprensa começou a chegar. Uma mulher de uns 25 anos chorava diante de uma câmera de tevê local. “Desde que nasci, vivemos sob uma ditadura”, disse. Ao lado, um homem de cabelos brancos posava para um fotógrafo com uma bandeira desbotada, do tipo que se guarda no fundo do armário esperando o dia certo. As imagens rodaram o dia inteiro nos noticiários em espanhol.
A notícia que os reunia tinha chegado horas antes. Às duas da manhã, horário de Caracas, mais de 150 aeronaves americanas cruzaram o espaço aéreo venezuelano. Atingiram sistemas de defesa, instalações militares, aeroportos. Em uma operação que durou menos de 30 minutos, agentes da cia e da Delta Force, uma tropa de elite do Exército americano, invadiram o Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, e sequestraram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Mais de cem pessoas morreram no ataque, entre agentes de inteligência, oficiais venezuelanos e militares cubanos. Antes do amanhecer, Maduro já estava fora do país, a caminho de um tribunal federal em Nova York. Era a maior operação militar americana na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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