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Guia antifascista

Embaixada demite um guardião do cemitério dos pracinhas na Itália

Caroline Cavassa | Edição 183, Dezembro 2021

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Em 2 de novembro, Dia de Finados, uma movimentação atípica e nervosa tomou conta do cemitério na Itália onde foram sepultados os soldados brasileiros mortos durante a Segunda Guerra Mundial. O motivo era a presença do presidente Jair Bolsonaro na solenidade que é feita anualmente no Monumento Votivo Militare Brasiliano, no cemitério em Pistoia, cidade da região da Toscana.

Um forte aparato policial foi montado para a visita de Bolsonaro, que contou com a companhia do líder da extrema direita italiana Matteo Salvini. No meio dos engravatados, destacava-se uma figura vestida com sobretudo de estampas de camuflagem militar. Era o ex-guardião do monumento, o ítalo-brasileiro Mario Pereira, de 62 anos. Ele é um dos cinco filhos da italiana Giuliana Menichini, de Pistoia, com o sargento Miguel Pereira, o único pracinha que permaneceu na Itália após a guerra e foi incumbido pelo governo brasileiro de cuidar do cemitério. Quando seu pai morreu em 2003, aos 84 anos, Mario Pereira assumiu o posto.

Pereira se manteve o quanto pôde à distância da comitiva presidencial, exceto quando teve que explicar a Bolsonaro a história do “soldado desconhecido”, o único que continua enterrado no cemitério. Os restos mortais dos outros pracinhas foram trazidos para o Brasil a partir dos anos 1960. No lugar das sepulturas, existem hoje 465 lápides, dispostas em um jardim, do lado direito e esquerdo do monumento projetado pelo arquiteto Olavo Redig de Campos e inaugurado em 1967.

 

O motivo de Pereira ter se esquivado da comitiva presidencial, segundo ele, foi o receio de ser visto como um apoiador de Bolsonaro, que estava na Itália para a reunião do G20. Apaixonado pela história da Força Expedicionária Brasileira (FEB) – a força militar de cerca de 25 mil pessoas enviada à Europa para lutar contra os nazifascistas –, Pereira acha que o presidente representa o oposto desses heroicos combatentes. “Os pracinhas estavam alinhados com os ideais de democracia e da liberdade, que hoje em dia estão fortemente em risco tanto no Brasil como na Italia”, disse.

Menos de uma semana depois da visita presidencial, Pereira foi demitido do cargo que ocupava na Embaixada Brasileira em Roma.

 

Mario Pereira passou grande parte da infância e da adolescência cuidando das lápides dos pracinhas com o pai. “Cresci aqui nesse cemitério”, ele contou, enquanto caminhávamos pelo local. Seu pai era uma preciosa testemunha na Itália da história dos pracinhas.

 

Em 1997, Mario foi aprovado em um concurso da Embaixada Brasileira em Roma e passou a ocupar o posto de auxiliar administrativo. Tinha por incumbência continuar o trabalho do pai, zelando pelo monumento. Também guiava autoridades e pesquisadores que queriam conhecer o local e era convidado para falar sobre a história dos pracinhas em escolas italianas e até brasileiras.

A administração do monumento tornou-se para ele uma missão de vida e o motivou a produzir, com recursos próprios, um documentário de cinquenta minutos sobre a atuação da FEB. “Aqui, em Pistoia, eles ficaram conhecidos como os soldados que levaram esperança e uma palavra de conforto aos italianos. Dividiam os cobertores, a comida, tudo o que tinham. Eram militares humanizados”, conta. Seu pai, por exemplo, conheceu a futura esposa quando foi levar para a família dela um punhado de açúcar, um artigo de luxo durante a guerra. “Eles se apaixonaram”, diz Pereira.

Apesar de nunca ter morado no Brasil, ele fala português quase sem sotaque e demonstra ter conhecimento do cenário político do país. Mas uma coisa não consegue entender: por que a maioria dos brasileiros resolveu eleger um presidente de inclinações autoritárias.

 

 

As pendengas do ex-guardião com a embaixada não vêm de agora. Começaram em 2019, quando a gestão do Monumento Votivo saiu de suas mãos e passou para as de um militar. Como funcionário da embaixada, Pereira foi informado de que deveria colaborar com o novo chefe e que todas as suas demais atividades relacionadas à história dos pracinhas não estariam vinculadas ao cargo de auxiliar administrativo. Apesar dos atritos, quando Bolsonaro chegou a Pistoia, ele foi convocado para auxiliar na visita.

Alguns dias depois, Pereira recebeu uma carta da embaixada em Roma, datada de 9 de novembro, informando oficialmente a intenção de romper o vínculo empregatício que mantinha com ele. Segundo Pereira, na carta, a embaixada justifica a decisão dizendo que ele apresentou “comportamento ultrajante e desrespeitoso”, caracterizado por declarações “desrespeitosas ao Estado do Brasil e seu presidente, também veiculadas na imprensa”.

À piauí, a embaixada negou que a demissão tenha ocorrido por motivos ideológicos. Disse que o contrato de trabalho com Pereira é regulado pela lei italiana, na qual “não há previsão normativa para a demissão (por justa causa) por questões ideológicas. Portanto, alegações dessa natureza, além de não encontrarem respaldo no caso em questão, não mantêm qualquer coerência fática ou cronológica com os motivos” que levaram à rescisão do contrato. A embaixada afirmou ainda que, por ser o contrato de trabalho um assunto de natureza privada, “não cabem quaisquer comentários adicionais, em respeito, sobretudo, à privacidade do ex-funcionário”.

Pereira diz que não podia imaginar que sua opinião sobre Bolsonaro tivesse tanta repercussão. “Falei o que penso porque sou um homem livre, meu pai me ensinou a ser livre e a sustentar sempre minhas ideias.”

Quando se aposentar, daqui a dois anos, ele planeja viajar pelo Brasil para dar palestras sobre a luta dos militares da FEB. “Meu sonho é levar o conhecimento que tenho sobre a FEB, para ajudar na reconstrução de um país que hoje parece estar dividido entre a razão e um governo com tendências fascistas”, diz.

Caroline Cavassa

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