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Lições da História

    Rosas de Sarajevo: assim são chamadas as marcas produzidas nas ruas pelos morteiros lançados durante a guerra na Bósnia e depois preenchidas com resina vermelha, como se fosse sangue CRÉDITO: SUPERIKONOSKOP_2018

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Lições da História

Trinta anos depois da guerra, vítimas cruzam nas ruas com seus algozes

Simone Duarte, de Sarajevo | Edição 232, Janeiro 2026

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“Você tem que decidir agora se quer ir ao lugar onde houve o massacre.” Respondo que sim. Deixamos para trás a estrada ensolarada cercada de pinheiros e entramos em outra, mais estreita e esburacada, no meio da floresta. Não há placas. “Acho que é por aqui. A última vez que vim foi há uns vinte anos para uma homenagem às vítimas.” O tempo fecha. Quanto mais avançamos, mais avistamos nuvens carregadas. No rádio, ouvimos Amira Medunjanin, que canta sevdah, um estilo de música melancólico, tradicional, com letras que falam de amor, perda, saudade. Depois de uns 20 minutos de viagem, Refik Hodžić me diz que chegamos.

Estamos no topo de uma ravina na montanha de Vlašić, no centro da Bósnia e Herzegovina. Hodžić sai do carro. Pede para eu ter cuidado quando me aproximo da beirada da falésia. Depois se afasta e anda uns minutos em silêncio. Começa a chover. “Eles escolheram uns duzentos homens do comboio de ônibus, os fizeram entrar em outros dois veículos”, conta Hodžić. “Eles saíram daquela estrada em que nós estávamos e, quando chegaram aqui, começaram a executá-los na beirada da ravina, e eles despencavam.”

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