tempos da peste

Luz no nevoeiro

Num país onde o governo celebra a ignorância, a pandemia trouxe uma mobilização inédita em favor da ciência e da universidade

Marcelo Knobel
CRÉDITO: TOM GAULD_HEARTAGENCY.COM

Na primeira reunião internacional de reitores de que participei, formou-se no coffee break uma rodinha de conversa. As pessoas se apresentaram umas às outras e, quando chegou a minha vez, comentei que estava no cargo havia apenas dois meses. Um reitor com mais experiência logo me perguntou: “Já te entregaram o uniforme de capitão do navio?” Respondi que sim. “Já te deram a bússola e os mapas de navegação?”, ele prosseguiu. “Certamente!”, eu disse. E o reitor concluiu: “Então você já percebeu que, de fato, o timão não está conectado a nada e o navio segue o curso independentemente da sua vontade e de seus planos. O destino está traçado.” Todos em volta riram.

Essa brincadeira me marcou. Eu havia assumido a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em abril de 2017, e os primeiros meses foram de muita demanda, informação e aprendizado. Na reunião internacional de reitores, era exatamente assim que eu me sentia, como se conduzisse um navio que parecia seguir um rumo próprio, indiferente à ponte de comando.

Com o tempo acabei percebendo que as coisas eram um tanto diferentes, que é possível alterar a direção e até mesmo a velocidade da nave, embora as mudanças sejam lentas e seus efeitos se deem de maneira muito gradual. Antes que ocorram, é preciso que haja muita discussão para definir e calcular o rumo a ser tomado, avaliando o mapa do possível e examinando o entorno, a fim de evitar choques e problemas, tanto internos quanto externos.

A analogia com o navio, se já me parecia apropriada em tempos “normais”, ganhou um sentido extra durante a pandemia. Em razão do grave problema sanitário, da economia debilitada e das previsões pouco confiáveis sobre o futuro, é como se navegássemos com a bússola desregulada num mar revolto, coberto por espesso nevoeiro, e de repente soasse o alarme por causa de rachaduras no casco. O ambiente político do país piora ainda mais o cenário, como se raios e descargas elétricas atingissem nosso navio por todos os lados.

Essa é, mais ou menos, a sensação que têm os reitores, que entretanto precisam tomar várias decisões de maneira muito rápida, mesmo sem saber com segurança quando tudo voltará ao normal – e como será o futuro “normal”. Ou seja, não apenas a travessia do navio é assustadoramente incerta, como seu destino é uma incógnita.

 

Apesar do contexto imponderável, temos de buscar as melhores soluções para os problemas desencadeados pela pandemia. Na Unicamp, a primeira decisão difícil foi a de suspender as atividades presenciais não essenciais, quando nenhuma outra universidade brasileira tinha feito isso. A medida foi implantada sob o fogo cruzado de acusações de precipitação e alarmismo. Em poucos dias, tivemos que tomar várias outras decisões complexas, dispondo de poucas informações sobre o novo coronavírus e, além disso, trabalhando de forma remota, algo com o que ainda não estávamos acostumados.

Mais complicado foi continuar as aulas a distância, o que exigiu empenho e capacidade de adaptação dos professores e o provimento de pacotes de internet e equipamentos para alunos que não dispunham nem de uma coisa nem de outra. Se tivéssemos suspendido as atividades de ensino durante a pandemia, atrasaríamos os planos acadêmicos e profissionais de milhares de alunos, além dos de futuros vestibulandos, e distanciaríamos esses estudantes da ebulição de atividades (entre elas, pesquisas, extensão, assistência e debates) durante esse período tão crítico.

É nesse momento único, justamente, que os alunos mais precisam do apoio do grupo, dos professores e da instituição. Por isso, optamos por seguir com as atividades didáticas na forma de “ensino remoto emergencial”, como venho chamando as aulas online (e que não são, nem de longe, parecidas com as que são preparadas especialmente para esse fim ou que teremos num futuro próximo, dotadas de inteligência artificial, com experiências de imersão, entre outros recursos).

Nesse processo, buscamos conectar as práticas de ensino, extensão e pesquisa à atividade intensa e cheia de aprendizado de nossos hospitais e às forças-tarefa de pesquisa que rapidamente se organizaram. Houve profundas mudanças no Hospital de Clínicas da Unicamp, com a criação emergencial de 98 leitos de enfermaria e 63 de UTI. Na universidade, pesquisadores se reuniram em mais de setenta grupos a fim de atuar no combate à Covid-19. Entre outras ações, os grupos desenvolveram modelos matemáticos para estimar o número de vidas salvas graças ao isolamento social e para melhorar a eficiência de respiradores; criaram um teste para detectar o novo coronavírus usando insumos nacionais; descobriram por que pessoas diabéticas têm mais risco de desenvolver a forma grave da doença; e obtiveram muitos outros resultados importantes, produzindo conhecimento em áreas do saber fundamentais à construção de um país melhor, mais consciente e inovador. Também precisou ser posto em prática na Unicamp um plano de contingenciamento de gastos para poupar mais de 72 milhões de reais neste ano, ante a frustração de receitas previstas de quase 300 milhões de reais.

Em meio a esses desafios, foi possível entrever o surgimento de algo novo: a pandemia suscitou em muitas pessoas um outro olhar sobre a ciência e, principalmente, sobre o papel das instituições públicas de ensino e pesquisa. Apesar de o Brasil viver um período de obscurantismo, com ataques abomináveis à ciência, uma parte expressiva da sociedade civil está se unindo de forma decidida em prol do ensino, da pesquisa e da assistência. É realmente uma lástima que isso só tenha ocorrido depois de iniciado o trágico avanço da Covid-19.

O apoio veio e continua a vir de diferentes lugares. Promotores públicos e juízes atenderam prontamente ao pedido para reverter ao caixa da Unicamp o recurso de multas e acordos. Com essa providência, valores provenientes de saldos remanescentes de ações na Justiça do Trabalho e de penas de prestação pecuniária nas varas criminais do estado de São Paulo e da União se materializaram em quase 10 milhões de reais, que foram usados na compra de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde e na produção de teste de detecção da Covid-19. Uma mobilização inédita da universidade e da sociedade estruturou a campanha “Abrace o Futuro, Doe Agora”, com doações distribuídas em quatro frentes – saúde, pesquisa, ensino e solidariedade. Vários artistas e esportistas têm gravado vídeos pedindo doações para ajudar a Unicamp no combate ao novo coronavírus. Alunos, professores, funcionários, empresários e outros fizeram contribuições em dinheiro para necessidades diversas. Empresas de tecnologia e voluntários cederam tablets, notebooks e pacotes de internet para que estudantes pudessem assistir às aulas online. Outros contribuíram com o envio de cestas básicas para famílias necessitadas de Campinas, Limeira e região, projeto feito pela Unicamp em parceria com prefeituras e empresas do setor alimentício e de logística. Em um gesto comovente e cheio de simbolismo, produtores de flores de Holambra enviaram aos médicos e enfermeiros do Hospital de Clínicas centenas de vasos e buquês de lírios, rosas, astromélias, tulipas, cúrcumas, calas, azaleias, celósias, antúrios e calanchoês, entre outras belezas cultivadas na cidade.

A pandemia parece estar invertendo de forma significativa a tendência de ataque às universidades e institutos de pesquisa, que no Brasil são essencialmente públicos. De um dia para o outro, esses institutos e universidades tiveram sua presença na mídia sensivelmente ampliada, e muitos políticos (não todos, infelizmente) passaram a repetir que se devem seguir as recomendações científicas na hora de enfrentar a Covid-19. A ciência, tratada como inimiga nas grotas obscuras das fake news, está sendo reabilitada no Brasil, ao menos parcialmente. A percepção pública em relação às universidades também me parece ser mais positiva do que antes da eclosão da pandemia. Os defensores do conhecimento passaram a falar mais alto – o que não quer dizer que as vozes do obscurantismo tenham desaparecido.

Muita coisa, entretanto, ainda precisa mudar. Temos um presidente negacionista que não aceita a gravidade do novo coronavírus e sugere, para essa mesma doença na qual não acredita, o uso de um medicamento sem eficácia científica comprovada. Ninguém personifica melhor essa fase triste de desvalorização do conhecimento no país do que a ciranda de ministros na pasta da Educação, em menos de dois anos de governo. Esse posto-chave para o presente e o futuro do país foi ocupado por pessoas que recorreram às suas nefastas ideologias para desqualificar e desmontar um sistema gigantesco de educação pública, construído a duras penas no Brasil.

A celebração da ignorância, expressa em mentiras, ataques vis e declarações constrangedoras, tornou-se uma política de governo. O resultado tangível dessa política são os sucessivos cortes no orçamento das universidades federais e das bolsas de pesquisa em todas as áreas, e a exclusão de pesquisas em ciência básica, humanidades e artes do rol de prioridades de investimento. Ser obrigado a argumentar com algumas pessoas em favor dessas áreas é um desafio tão embaraçoso como o de explicar, aos mesmos indivíduos, que a Terra é redonda.

 

Não chegamos ao terraplanismo do dia para a noite. As pseudociências – crenças e superstições que reivindicam o mesmo grau de seriedade e confiabilidade das ciências – infelizmente vêm ganhando cada vez mais espaço no cotidiano. Em decorrência da universalização da internet, das redes sociais e da escalada da polarização social, proliferam políticos e influenciadores que disseminam, de maneira perversa, ideias pseudocientíficas, ou até anticientíficas, muito prejudiciais à vida e à sociedade. Não apenas cientistas, mas também jornalistas e divulgadores da ciência são atacados de modo vil, tanto física quanto virtualmente. Mesmo tendo vivido diversos episódios absurdos, eu sempre me surpreendo com a ferocidade dos ataques.

Um dos primeiros casos de argumentação pseudocientífica no âmbito de um governo de que me lembro ocorreu em 2002. Naquele ano, a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, sancionou uma lei que multava motoristas que usassem o celular em postos de gasolina, a partir da suposição de que ondas eletromagnéticas poderiam provocar uma explosão no local. Bastava ter feito uma pesquisa rápida na internet para descobrir que a explosão não passava de uma “lenda urbana”. Na época, escrevi um artigo contestando a lei, e isso foi o suficiente para eu ser atacado por diversas pessoas: militantes políticos, representantes de postos e outros supostos conhecedores da verdade.

Lembro-me também que, em 2 de dezembro de 2012, publiquei um artigo na Folha de S.Paulo (Abuso Quântico e Pseudociências), criticando uma entrevista do ex-ministro Carlos Ayres Britto, do STF, que fizera diversos comentários misturando a física quântica com o direito. As críticas vieram imediatamente, algumas me tachando de bajulador do governo, outras, de seu carrasco. Cito esta passagem do texto, em que busquei advertir sobre os perigos da atitude anticientífica:

A maioria das pessoas vive perfeitamente bem sem saber diferenciar ciência de pseudociência. Mais cedo ou mais tarde, porém, em alguns momentos da vida esse conhecimento pode ser muito importante. Seja para decidir um tratamento médico, seja para analisar criticamente algum boato, seja para se posicionar frente a alguma decisão que certamente influenciará a vida de seus filhos e netos.

A sociedade como um todo deve assimilar a cultura científica. […]

Em uma sociedade onde a ciência e a tecnologia são agentes de mudanças econômicas e sociais, o analfabetismo científico, seja de quem for, pode ser um fator crucial para determinar decisões que afetarão nosso bem-estar social.

É impossível tomar uma decisão consciente se não se tem um mínimo de entendimento sobre ciência e tecnologia, como funcionam e como podem afetar nossas vidas.

Mais recentemente, já como reitor da Unicamp, tenho sido com frequência alvo de todo tipo de ataque, de diferentes grupos, que parecem enxergar uma única perspectiva: a sua própria. Quando o debate é sobre assuntos polêmicos na universidade, a situação beira a esquizofrenia: há os que me chamam de conservador e privatizador, e há os que me tacham de comunista e corporativista. Recentemente, fui insultado de modo grosseiro por causa de uma mentira e envolvido num episódio que, de tão estapafúrdio, merece registro. Um empresário havia publicado em redes sociais que o reitor da Unicamp – eu, no caso – gritara “Viva la Revolução” (assim mesmo, com essa mixórdia idiomática) durante uma formatura, em 2018. E me chamara de “Reitor FDP”.

Levei o caso à Justiça, que condenou o empresário em primeira instância. Talvez eu nem precisasse dizê-lo aqui, neste texto, mas a minha explicação ajuda a perceber o aspecto delirante da fake news: em 2018, eu não havia comparecido a nenhuma cerimônia de formatura, e quem me conhece sabe o quanto é disparatada a afirmação a mim atribuída (inclusive do ponto de vista linguístico). Apesar disso, que imagem fizeram de mim e da universidade os milhares de pessoas que curtiram, compartilharam ou apenas leram aquela mensagem?

Junto a colegas da academia em todo o país, testemunhei as mais ultrajantes mentiras formuladas por gente que tenta retratar as universidades públicas como um antro de pessoas irresponsáveis, ocupadas com baixarias e a destruição das famílias, enquanto queimam dinheiro público. Por outro lado, testemunhei muitas cenas de dedicação: cientistas varando a noite para realizar pesquisas relevantes nas mais diversas áreas do conhecimento; alunos estudando sem trégua para provas; profissionais da saúde lutando pela recuperação de pacientes com doenças gravíssimas. Testemunhei, ainda, a Unicamp transformar a região de Campinas num polo internacional de desenvolvimento tecnológico, alunos usarem seu conhecimento para criar empresas que hoje empregam milhares de pessoas e jovens brilhantes escolherem a docência para multiplicar o que aprenderam em universidades, faculdades ou escolas, apesar da incessante desvalorização da profissão de professor no país.

 

O Brasil é hoje o 14º país em produção científica no mundo – segundo pesquisa de 2019 do Scimago Institutions Rankings (SIR) –, à frente de nações mais desenvolvidas, como Holanda e Suíça. Mais de 90% da produção científica nacional vêm da universidade pública, sendo cerca de um terço das três universidades estaduais paulistas: Unicamp, USP e Unesp.

Ataques nas redes sociais parecem anedóticos, mas têm consequências sérias. Mais sérias ainda quando reais, como o surgimento da CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo, instaurada em 2019, depois de falsas acusações se espalharem na internet sobre “possíveis irregularidades na gestão” da Unicamp, da USP e da Unesp, que prestam contas regularmente para os órgãos competentes. Foram ouvidas catorze pessoas, incluindo os três reitores, mas muito mais gente foi mobilizada para levantar milhares de dados solicitados inutilmente, uma vez que não foram usados nas audiências. Sem encontrar nada de errado, a CPI só serviu para tomar tempo e energia de todos e desperdiçar recursos públicos.

Estudos recentes indicam que os entusiastas online da pseudociência estão em vantagem sobre os que defendem a ciência. Por exemplo, no que diz respeito às mudanças climáticas, a maioria dos vídeos do YouTube relacionados ao tema se opõe ao consenso científico de que as alterações no clima são causadas pela atividade humana. E, se há governos e políticos que endossam essas ideias, torna-se ainda mais difícil colocar em prática medidas de preservação ambiental. A campanha conspiratória movida nas redes sociais contra a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) provoca um resultado desastroso: muitos países estão abrindo as portas para a volta de doenças praticamente erradicadas. Se surgirem teorias conspiratórias hostis a uma futura vacina contra a Covid-19, a disseminação da doença deverá perdurar por muito mais tempo.

Cientistas e universidades devem atuar com firmeza na luta contra esses agentes da ignorância que tanto prejudicam a sociedade. Os cientistas precisam se envolver mais no conflito entre pseudociência e ciência para garantir que seu trabalho seja compreendido por grande parte das pessoas. Um caminho importante é usar estratégias inovadoras e atrativas para se comunicar com o público, criando, por exemplo, conteúdos esclarecedores na mídia social (tanto em âmbito institucional quanto pessoal), que confrontem com evidências a estupidez dos disseminadores de fantasias e mentiras.

As universidades públicas também devem reconsiderar suas estratégias de difusão de informações para explicar, tanto à sociedade em geral como aos políticos, sua relevância social e científica, seu papel fundamental para o progresso de uma região e do país – o que justifica o investimento público feito nelas. Caso contrário, os princípios fundamentais da liberdade acadêmica e da autonomia universitária estarão em perigo real, uma vez que terão cada vez menos apoiadores nessa assustadora nova realidade em que se difundem com truculência atitudes antieducacionais e anti-intelectuais.

Vale ressaltar o fato de que, em todo o mundo, a pesquisa científica é fundamentalmente financiada por dinheiro público, que deve continuar sendo a principal fonte de recursos para as universidades e institutos de pesquisa, tanto públicos quanto privados. Pesquisas custam caro, tomam muitos anos de trabalho e têm alto risco de insucesso, por isso apenas com recursos públicos é possível estabelecer uma infraestrutura sólida de longo prazo. Só assim é possível agir de forma soberana, mantendo as pesquisas básicas como tijolos fundamentais para o conhecimento e as aplicadas como atividades estratégicas para o país. É importante financiar pesquisas que não sejam necessariamente lucrativas ou tenham resultados imediatos, resguardando a autonomia e a liberdade acadêmica dos pesquisadores e formando novas gerações de cientistas.

Num país com tantas desigualdades sociais, as universidades públicas devem seguir sendo gratuitas – é a minha convicção. É preciso, porém, estimular o envolvimento efetivo da sociedade com as instituições de ensino e a ciência no plano financeiro, por meio da doação e da filantropia, como ocorre tradicionalmente em países com alto grau de desenvolvimento social e científico.

Um levantamento feito pelo Conselho de Promoção e Apoio à Educação (Case, na sigla em inglês) mostrou que, em 2018, as universidades e faculdades norte-americanas receberam 46,7 bilhões de dólares (cerca de 250 bilhões de reais) em doações no ano fiscal de 2018. A Universidade Harvard, a mais favorecida, ganhou 1,4 bilhão de dólares (cerca de 7,5 bilhões de reais) no mesmo período – essa quantia corresponde a mais de três vezes o orçamento anual da Unicamp. Chama a atenção que boa parte dos aportes em Harvard – uma universidade privada, diga-se de passagem – veio de ex-alunos, e um dos muitos méritos dessa escola é conseguir manter seus diplomados sempre por perto.

Sei que são realidades incomparáveis, a dos Estados Unidos e a do Brasil, mesmo porque, aqui, a cultura de doações até hoje praticamente não vingou e as iniciativas de envolvimento dos ex-alunos com a universidade são, em geral, bastante recentes (na Unicamp, a plataforma para conectá-los acaba de ser lançada). Mas, aqui, a diversificação de receitas pode ajudar a aprimorar o impacto das pesquisas já realizadas com o dinheiro público e dar às universidades base de sustentação mais sólida (por meio de fundos patrimoniais) para enfrentar momentos difíceis, como o que estamos vivendo.

Neste momento, contudo, mais do que a doação de recursos, o que conta é o reconhecimento que temos recebido, pois indica que seguimos na direção certa, fazendo o melhor possível na atual conjuntura. Esse reconhecimento também demonstra que a sociedade é formada majoritariamente por cidadãos que valorizam a educação e a ciência, instrumentos tão necessários para combater problemas endêmicos ou epidêmicos do Brasil, como a fome, a desigualdade e o analfabetismo funcional.

Com as correntes favoráveis que se formaram – e espero que sejam mantidas quando o nevoeiro passar –, nosso navio chegará mais longe.

Marcelo Knobel

Professor titular de física e reitor da Unicamp, pesquisa materiais magnéticos nanoestruturados, percepção pública da ciência e ensino superior

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