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Monumentos em miniatura

O militarismo e o consumismo dos Estados Unidos nas esculturas de David Opdyke

Lawrence Weschler | Edição 8, Maio 2007

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O artista David Opdyke, radicado no Brooklyn (e nascido em 1969, em Schenectady, mais ou menos na mesma época em que essa cidade fabril do norte do estado de Nova York começou a ver sua base industrial encolher velozmente), estudou desenho industrial na Universidade de Cincinnati, mas em pouco tempo trocou o curso (“Árido demais, algébrico demais”) pelo de pintura, que também largou em seguida, porque, diz ele, “o estudo da pintura era amplo demais, você podia mergulhar numa tela e nunca mais sair”. Já madeira, pregos e martelo, assegura, são “mais concretos; só existe um certo número de maneiras de prender as coisas umas às outras”. No entanto, quando vemos as maneiras de que ele os utiliza, só podemos nos perguntar se, também aqui, o jovem artista do Brooklyn não estaria correndo um certo risco de “mergulhar e nunca mais sair”. A sensação de vertigem que suas obras produzem, dilacerante mas ao mesmo tempo deliciosa, é altamente reveladora.

Sento-me no apartamento conjugado, no quarto andar (sem elevador), onde Opdyke mora com a mulher arquiteta e seu filho de dois anos (fica do outro lado da rua da maior fábrica de biscoitos da sorte dos Estados Unidos!) e ouço a história de que o foco político da sua produção atual custou a aparecer. Antes de 2000, como ocorria com muitos dos seus jovens contemporâneos, ele diz, “só se falava da internet, da virtualidade e de gente ganhando dinheiro, do vizinho idiota que por sorte tinha ganho uma fortuna com as ponto-com”. Depois das eleições presidenciais de 2000 (“Toda aquela mixórdia na Flórida!”), da quebra das ponto-com, e dos desabamentos bem mais literais do 11 de setembro, com todos os desdobramentos assustadores nos meses seguintes, o próprio mundo, o mundo concreto, sem nada de virtual, voltou a assomar com toda a força, e urgência ainda maior, a sua visão das coisas. Com madeira, martelo, isopor, pregos e cola, Opdyke começou a tentar dar forma a uma resposta, ou pelo menos a avançar um pouco mais numa certa compreensão. Hoje, ele se descreve como um viciado na NPR, a estação pública de rádio, e, de fato, o jorro constante do noticiário parece informar e irrigar, nutrir e banhar, quase toda a sua produção atual.

Projecting Power, de 2003, por exemplo, uma nuvem de algum material, ou uma revoada de asteróides, ou melhor – vista mais de perto (e Opdyke sempre faz o possível para nos atrair para mais perto) – um enxame de antenas em miniatura (feitas de bolas de pingue-pongue cortadas) pairando em pleno ar, com um ar vigilante de ameaça, mantendo tudo sob estrito controle (melhor dizendo, sob o jugo de uma impenetrável sombra imperial). Ou, em tempos mais recentes, o desenho a tinta The One, uma ampliação medindo 116 x 89 cm do retrato icônico de George Washington que figura nas notas de um dólar, só que, olhando melhor, não é nada disso: na verdade, quando olhamos mais de perto, o sisudo senhor Washington se dissolve num vendaval virtual da cultura de consumo (e eis justificada a expressão “o olho do furacão”), de sofás a churrasqueiras, aspiradores de pó, aparelhos de televisão, máquinas de soprar folhas e cortadores de grama. (“Naqueles dias, só se ouvia meu filho perguntando, ‘Cadê a minha bicicleta? Cadê o meu carrinho?’ e depois vindo procurar suas coisas no espaço onde eu trabalho, porque eu tinha juntado tudo para me servir de modelo”.)

 

Ou, o que pode ser considerado o mais revelador de todos os seus trabalhos, o incrível baixo-relevo Greenback, a reprodução em enorme escala do canto de uma nota de um dólar, ali exposto, neutro, quase ridículo em seus 208 x 162 cm (e mais 12 de espessura), naquela parede distante – e daí? grande coisa, nada demais – quer dizer, nada demais até você chegar mais perto, e ainda mais perto, e perceber que aquilo tudo foi penosamente formado com centenas, milhares, dezenas de milhares de soldadinhos, tanques, caminhões, jipes, canhões, barracas, sacos de areia e caixas de munição de proporções infinitesimais: o acampamento no deserto para acabar com todos os acampamentos no deserto, a mãe de todas as bases imperiais. Levou um ano para montar a maldita coisa até o fim, de Natal a Natal, perna a perna, braço a braço, soldado a soldado (cortesia de um catálogo alemão de vendas pelo correio realmente bizarro). “Num primeiro momento”, diz ele, “as figurinhas eram indivíduos, mas depois comecei a vê-las como pequenos aglomerados, esculturas monumentais em miniatura, e finalmente acabaram funcionando como peças, canos ou juntas.” Mais ou menos a mesma progressão, podemos imaginar, que teria ocorrido no espírito do próprio Donald Rumsfeld.

 

“É uma loucura”, reconhece Opdyke. “Uma insanidade.” Pára, respira fundo, passa em revista seus domínios. “Mas no fim das contas”, continua ele, olhando em volta, “eu espero que a maluquice acabe toda canalizada para o trabalho, justamente para não vazar e tomar conta de todo o resto.”

Lawrence Weschler

Lawrence Weschler, escritor e jornalista americano, dirige o Instituto de Humanidades da Universidade de Nova York.

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