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Uma interpretação do bolsonarismo

Bruno Carvalho
Como Trump, Bolsonaro se alimenta de brigas com a imprensa e de ataques ao politicamente correto. Mas, ao mesmo tempo, se beneficia da cobertura politicamente correta da mídia tradicional, que o chama de “polêmico” e “conservador”. Seria mais exato descrevê-lo como mal-informado e demagogo
Como Trump, Bolsonaro se alimenta de brigas com a imprensa e de ataques ao politicamente correto. Mas, ao mesmo tempo, se beneficia da cobertura politicamente correta da mídia tradicional, que o chama de “polêmico” e “conservador”. Seria mais exato descrevê-lo como mal-informado e demagogo FOTO: JOSÉ ALDENIR_AGORA IMAGENS

Em 1998, o general Augusto Pinochet foi preso em Londres, acusado, entre outros crimes, de torturar e assassinar oponentes políticos durante a ditadura que comandou no Chile. Já no seu segundo mandato como deputado federal, Jair Messias Bolsonaro parecia não acreditar na inocência do ex-ditador, pois, para ele “Pinochet devia ter matado mais gente”. Desde então, acumulam-se evidências de atrocidades cometidas pelo regime de Pinochet. Ainda assim, em 2015, Bolsonaro continuava defendendo que “Pinochet fez o que devia ser feito”. Essas declarações condizem com outras do político do PSL a respeito do Brasil: “No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique” (sobre a corrupção do regime Pinochet, ele se cala); “O erro da ditadura foi torturar e não matar” (a ditadura torturou e matou). E a respeito de si mesmo: “Sou capitão do Exército, minha missão é matar” (não é o que diz a Constituição).

Numa sociedade saudável, alguém que defende tão abertamente o assassinato em massa não participaria de nenhuma discussão séria sobre os rumos do país. Entretanto, Bolsonaro lidera pesquisas de intenção de votos, quando Lula não está no páreo. Além do ex-presidente, ele parece ser até agora o único candidato capaz de entusiasmar uma fatia considerável do eleitorado. Sabemos que há um viés autoritário na sociedade brasileira e que vivemos hoje uma forte polarização política, mas duvido da hipótese de que tantas pessoas desejem o extermínio de oponentes políticos. Também suponho que poucas delas tolerem a tortura de grávidas, como ocorreu nas ditaduras latino-americanas. Como entender, então, o apoio maciço à candidatura de Bolsonaro da parte de pessoas que se consideram cristãs, civilizadas, cidadãs de bem?

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Bruno Carvalho

Bruno Carvalho é ensaísta e professor em Harvard, nos Estados Unidos.

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