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A política dos extremos no YouTube

Bernardo Esteves
Candidatos com presença forte no YouTube foram eleitos em 2018 para a Câmara, onde agora deputados se acotovelam enquanto gravam vídeos para seus seguidores. A assimetria entre direita e esquerda verificada nas redes sociais se reproduz ali: dos dez canais de parlamentares mais populares na plataforma em 2019, apenas dois são de oposição
Candidatos com presença forte no YouTube foram eleitos em 2018 para a Câmara, onde agora deputados se acotovelam enquanto gravam vídeos para seus seguidores. A assimetria entre direita e esquerda verificada nas redes sociais se reproduz ali: dos dez canais de parlamentares mais populares na plataforma em 2019, apenas dois são de oposição FOTO: PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS

“Fui expulso do DEM, acabei de ser expulso do meu partido”, anunciou em voz grave Arthur do Val, deputado estadual por São Paulo, numa manhã de novembro último. Falava para a câmera do laptop em seu gabinete na Assembleia Legislativa, em um vídeo para seus 2,6 milhões de seguidores no YouTube, a plataforma que o projetou para a política, na qual é conhecido como Mamãe Falei. Gravou de improviso para dar a notícia em primeira mão. “Você que me segue, você merece saber disso direto por mim, sem intermediários”, afirmou (nesse instante pulou no canto inferior da tela o anúncio de uma universidade particular do Rio de Janeiro).

O deputado explicou que não perderia o mandato, mas provavelmente seria destituído das comissões em que representava o partido. Disse que se tornou um dos maiores opositores do governo do tucano João Doria, com quem o DEM está alinhado, e atribuiu a expulsão à sua atuação independente. “Nas comissões e no plenário sempre votei não de acordo com a orientação do partido, mas de acordo com o que eu quis, e sempre deixei isso muito claro”, justificou-se. Em nota, o DEM atribuiu a decisão unânime de seu Conselho de Ética à incompatibilidade dos atos do parlamentar com os preceitos e deliberações da sigla. O youtuber pretende se candidatar à Prefeitura de São Paulo em outubro, e o DEM deve apoiar a reeleição de Bruno Covas, do PSDB. “Vou ser bem sincero, tô cagando pra partido”, emendou. Até 18 de dezembro, o vídeo já tinha sido visto mais de 706 mil vezes.

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Bernardo Esteves

Repórter da piauí desde 2010, é autor do livro Domingo é dia de ciência, da Azougue Editorial

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