chegada

O bigode da modernidade ataca novamente

As peripécias manhosas do brônzeo estadista que veio do Maranhão e não largou a rapadura

Com a eleição de José Sarney para presidente do Senado, a política nacional deixou para trás o cabresto e a peixeira e entrou de chofre na modernidade. É tempo de mudança, de fardão farfalhante e bigode engalanado. De união de todos com todos para que os coronéis se dêem bem. Ninguém melhor para encarnar o vagalhão reformista que um nababo peemedebista de alma tucana convertido ao petismo. Com 78 anos de encarniçada defesa do interesse próprio, e depois de tantas peripécias manhosas em benefício de sua larga grei de agregados, o brônzeo estadista que veio do Maranhão poderia ser tentado a largar a rapadura. Poderia, quem sabe, se refestelar de jaquetão sobre os louros encardidos da glória. Ou dedicar-se a dedilhar a lira e a atirar sonetos fesceninos nas passantes. Mas, não. A religião do serviço público, o coro de assessores, o clamor do baixo clero e o carrão com chofer falaram mais alto. Antes que se pudesse gritar Cuidado!, lá estava o sagaz acadêmico, flagrado ainda mais uma vez com o bigode na botija, cumprindo na calada da noite o lúbrico dever cívico de zelar para que tudo permaneça para sempre como está.


Já no curso primário, o garbo como traço definidor


O poeta-petiz corre atrás de marimbondos de fogo


Preso às raízes tórridas do seu torrão




O orador da turba de bacharéis defende a conciliação de todos


No casamento, o início de um baita clã dedicado ao bem público


Cartaz da campanha vitoriosa ao governo do Maranhão, nos anos 60, que provocou um surto de progresso no sertão


Fazendo uma boquinha com Juscelino Kubitscheck


Nos momentos difíceis apoiou os ditadores militares com desassombro (na foto acima aparece com Costa e Silva, Ernesto Geisel e Castelo Branco)


Com o arabesco fino de um D’Artagnan do agreste, o vate desembainha o espadim da Academia


Com o seu sucessor, Fernando Collor, com quem graciosamente se reconciliou depois de ter sido xingado de “ladrão”


Nos momentos difíceis, apoiou os presidentes civis com desassombro (na foto acima aparece com Itamar Franco, Lula e Fernando Henrique Cardoso)


Com Tancredo Neves, cuja doença na véspera da posse fez com que chegasse ao Planalto sem um único voto


Na eleição para a presidência do Senado, com a filha Roseana: a modernidade é hoje e o futuro será ontem

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