vultos da República

O candidato S

A máquina da Fiesp, as alianças e os métodos de Paulo Skaf

Consuelo Dieguez
Paulo Skaf gosta de repetir que foi escoteiro. <i>A Noviça Rebelde</i> é uma de suas referências na vida: “O pai, no filme, usava um apito para reunir os filhos, como eu fazia com os meus”, diz
Paulo Skaf gosta de repetir que foi escoteiro. A Noviça Rebelde é uma de suas referências na vida: “O pai, no filme, usava um apito para reunir os filhos, como eu fazia com os meus”, diz FOTO: ELLA DURST_2014

Dos palacetes dos barões do café aos arranha-céus envidraçados que abrigam o mercado financeiro, a avenida Paulista atravessou décadas como o maior símbolo do poder econômico de São Paulo. Ao longo de seus 2 800 metros há, entre tantos edifícios, duas construções que se destacam. Uma delas, marco da arquitetura moderna, é o Masp, uma caixa retangular de vidro, suspensa por quatro colunas vermelhas. A outra é o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, espécie de pirâmide maia de dezesseis andares, com a fachada em cobogó de concreto. Uma abriga aquele que já foi o mais prestigioso museu do país; a outra – no número 1313, ironia fina –, a maior federação patronal. Nos últimos dez anos, até o dia 30 de maio, a presidência da Fiesp foi ocupada por Paulo Skaf. Ele se licenciou da entidade para concorrer ao governo do estado em outubro próximo, pelo PMDB.

Por volta de 8h30 de uma terça-feira ensolarada de maio, a poucos dias da licença do então presidente, me fiz anunciar na recepção do edifício a uma jovem atendente. Expliquei que estava sendo esperada pelo senhor Paulo Skaf. A moça procurou pelo nome no computador. Como não o encontrasse, voltou-se para mim, desconfiada de que eu tivesse cometido um engano. “Paulo Skaf?”, ela se certificou. “Ele trabalha aqui?”

Distrações como essa podem não ser incomuns num prédio por onde circulam centenas de pessoas. O que torna a história curiosa é que, desde que decidiu enveredar pela política institucional, em 2010, concorrendo pela primeira vez ao governo do estado, então pelo PSB de Eduardo Campos, Skaf montou uma agressiva campanha publicitária para se tornar conhecido. Na época, cavaletes espalhados pelas ruas traziam uma foto do candidato, com os dizeres: “Preste atenção nesse cara.” O autor do slogan era o publicitário Duda Mendonça, o mesmo que vai cuidar da campanha deste ano.

Apesar do apelo, na primeira disputa Skaf obteve menos de 5% dos votos válidos. Desde então, até o momento do seu licenciamento da Fiesp, o presidente e a entidade que representava foram exaustivamente exibidos em anúncios de rádio e televisão. Em fevereiro, alegando tratar-se de campanha antecipada, a Procuradoria Eleitoral de São Paulo pediu a proibição das inserções comerciais de Skaf que inundavam os meios de comunicação. A justiça eleitoral, num primeiro momento, acolheu a ação. Em maio, porém, autorizou a volta dos anúncios.

Enquanto o elevador me conduzia ao 14º andar, onde fica a sala da presidência, era possível acompanhar pelo circuito interno de tevê as ações de Skaf à frente da Fiesp. Sua imagem era reproduzida nas mais variadas situações: cercado por crianças, inaugurando escolas, em quadras de esporte, assinando convênios – tudo no melhor estilo “la Fiesp c’est moi”.

 

As escolas do Serviço Social da Indústria e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do estado – o Sesi e o Senai, instituições que por lei são administradas pelas federações patronais – são, sem dúvida, seu feito de maior apelo popular à frente da federação. Desde que assumiu a Fiesp, em 2004, Skaf se dedica com obstinação metódica à expansão e melhoria da qualidade dessas escolas. Instituiu no Sesi a educação em tempo integral, com três refeições ao dia, e o ensino médio – antes dele havia só o fundamental.

A rede do Sesi no estado conta com 175 escolas e atende 185 mil alunos. A malha pública estadual é muito maior: 6 016 escolas e cerca de 4 milhões de estudantes. Skaf venderá na campanha a promessa de que é possível estender a todas as crianças e jovens a qualidade da educação oferecida pelo Sistema S, como são chamadas as redes de serviço social e de ensino profissionalizante da indústria, comércio, agricultura e transporte.

A sala da presidência da Fiesp é decorada com sofás pretos de couro e uma ampla mesa de trabalho. Atrás dela, sobre uma prateleira baixa, há uma coleção de porta-retratos com fotos de família de Paulo Skaf. O olhar do visitante logo se vê atraído por miniaturas de jipes de exército ocupados por soldadinhos com nariz grande e expressão cômica, dispostos sobre estantes ao lado de aviõezinhos e placas solenes de homenagens e agradecimentos.

Skaf entrou esbaforido, fazendo questão de registrar que já tivera compromissos àquela altura da manhã. Instantes depois, pegou da estante um dos retratos em que aparece com a mulher, Luzia, e os cinco filhos – todos homens, entre 30 e 34 anos de idade. Fez um breve relato da personalidade de cada um. Completou a apresentação mostrando a foto da cadela da raça labrador chamada Palu – uma junção dos nomes dele e da mulher –, dizendo tratar-se de sua “filha adotiva”.

Apontou a seguir para uma foto do pai, ainda jovem, poucos anos após ter emigrado do Líbano para o Brasil com a família, aos 16 anos. “Um homem bonito”, observei. “Sim, ele era lindo”, assentiu, olhando para o retrato emoldurado do rapaz de traços finos, olhos claros e cabelo louro. E brincou: “Esse meu nariz não é dele. Veja, ele tinha um nariz pequeno. Esse nariz eu herdei da minha mãe”, contou, abaixando levemente a cabeça e apontando para seu traço físico mais característico: o pronunciado nariz adunco, do qual costuma fazer graça.

Seu celular tocou. Skaf virou-se para mim e disse, com um sorriso maroto, fingindo segredo: “Essa ligação você não pode ouvir.” Retirou-se da sala, não sem antes deixar que eu me inteirasse de quem se tratava: “Diga, Michel.” Saudava o vice-presidente da República, Michel Temer, principal articulador de sua ida para o partido e da candidatura ao governo do estado.

 

O PMDB paulista já foi dono da maior bancada parlamentar do partido – chegou a ter 28 deputados federais nos anos 90, e elegeu apenas um nas últimas eleições para a Câmara, em 2010. Na Assembleia Legislativa não foi diferente. O número de deputados estaduais caiu de 23, em 1994, para quatro no pleito mais recente.

Nos anos 80, a legenda que nasceu do antigo MDB gozava de ótima reputação no estado. Tinha, entre seus quadros, políticos como Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso. Depois da revoada que deu origem ao PSDB, em 1988, o PMDB ficou nas mãos de Orestes Quércia, que o comandou de forma autocrática por mais de duas décadas. Eleito governador em 1986, o ex-prefeito de Campinas de alma caipira e discurso empreendedor fincou suas raízes no interior do estado. Em 1990, elegeu o afilhado Luiz Antônio Fleury Filho, contra o então poderoso Paulo Maluf. Com o advento do Plano Real e a conquista do Palácio dos Bandeirantes pelos tucanos (onde estão até hoje), o PMDB perdeu a hegemonia do voto. De lá para cá, sua força, ainda que declinante, esteve ligada à capacidade de barganha da máquina quercista.

O quercismo que agonizava aos poucos foi uma espécie de enclave resistente ao avanço de Michel Temer no controle do partido. Foi preciso esperar pela morte de Quércia, no final de 2010, para que o atual vice-presidente da República finalmente tomasse conta do espólio peemedebista em São Paulo.

 

O Michel já vinha há muito tempo tentando me trazer para o PMDB”, contou Skaf, de volta à sala, após desligar o celular. “Mas com o Quércia eu não tinha espaço.” Explicou então que, apesar de ter um ótimo relacionamento com o PSB, reconhecia a “insignificância” do partido no estado. Seria essa a razão para seu fraco desempenho na campanha em 2010. “Eles nem prefeitos têm”, comentou, embora, na verdade, o PSB tenha algumas prefeituras. Está convencido de que no PMDB suas chances aumentaram substancialmente. “Não sou mais um menino de 20 anos. Não tenho mais quarenta anos pela frente na política para começar do zero. A minha vontade de estar na vida pública é para prestar um serviço à sociedade neste momento.”

Entre todos os postulantes ao governo, Skaf terá o maior tempo de tevê no horário eleitoral gratuito: cinco minutos e 58 segundos, um minuto e sete segundos a mais que seu principal adversário, o governador tucano Geraldo Alckmin, que busca a reeleição. A diferença de tempo de exposição em relação a Alexandre Padilha, o candidato do PT, é ainda mais larga: um minuto e 36 segundos. Significa muito na moeda das campanhas, em que cada segundo de tevê equivale a um grão de ouro.

A vantagem de Skaf sobre os rivais foi obtida só no finalzinho do prazo de definição das coligações. Em 27 de junho, Gilberto Kassab, após flertar com Alckmin e barganhar com a candidatura própria, anunciou que o PSD apoiaria Skaf. Três dias depois foi a vez de Paulo Maluf tomar o mesmo rumo. Por Twitter, avisou que o PP estava embarcando na caravana do ex-presidente da Fiesp. Exatamente trinta dias antes, Maluf havia selado seu apoio a Padilha numa cerimônia pública – com foto, sorriso, juras de lealdade, pacote completo. Tendo Kassab e Maluf a seu lado, Skaf abocanhou quase três minutos a mais de tevê.

O reforço de última hora do PSD e do PP corroborou a tese de que Lula e a cúpula do PT àquela altura já apostavam em Skaf – e não mais em Padilha, cuja candidatura havia sido patrocinada pelo próprio ex-presidente – como primeira opção para derrotar Alckmin. Quando o mapa das coligações foi definido, o ex-presidente da Fiesp aparecia com 22% das intenções de voto no Datafolha, contra apenas 3% do petista.

 

Maluf e Skaf se conhecem há trinta anos. Ambos são de famílias libanesas, mas o que os aproximou foi o vínculo com a indústria paulista. Em 2010, numa longa conversa em sua casa, o ex-governador biônico disse ao neófito em eleições que sua carreira política jamais decolaria sem a ajuda de um publicitário de peso. Sugeriu-lhe o nome de Duda Mendonça. Passou então a contar como Duda tinha inventado o Fura-Fila e forjado a imagem do candidato Celso Pitta, que sucedeu ao próprio Maluf em 1996. “Se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim”, dizia o padrinho na tevê. Skaf saiu de lá convencido. Pouco tempo depois, foi num jatinho até Barra Grande, lugar paradisíaco no sul da Bahia, onde Duda Mendonça tem uma casa de praia. O slogan de 2010 – “Preste atenção nesse cara” – começou a nascer ali, em frente ao mar baiano. Quando a campanha estadual terminou, Duda Mendonça ganhou a cobiçada conta publicitária do Sesi/Senai, até então nas mãos de Sérgio Amado, dono da Ogilvy, com quem Skaf estava insatisfeito. A conta é de Mendonça até hoje.

No final de julho, Maluf me disse que considera Skaf “uma pessoa íntegra e um trabalhador incansável”. Acrescentou que ele “quebrou o marasmo da Fiesp” e fará o mesmo no governo de São Paulo. “Veja bem, ele tem mais tempo de tevê que os outros candidatos e vem com uma proposta nova. Não acredito que mais quatro anos de Alckmin irão melhorar as coisas em São Paulo”, opinou ao falar das chances do seu candidato.

Puxando mais a brasa para si, o ex-prefeito disse acreditar, além disso, que Skaf estará muito bem assessorado na campanha. “O Duda me ajudou a eleger um negro carioca para a Prefeitura de São Paulo”, contou, referindo-se a Pitta. “Também ajudou a eleger Lula, embora depois eles tenham se estranhado.” E concluiu: “O problema do Duda foi ter sido sincero na CPI do Mensalão, admitindo que tinha recebido dinheiro por fora. O Lula ficou fulo com ele. Você sabe, não é sempre que se pode ser sincero.”

 

Na manhã em que estive pela primeira vez na Fiesp ainda faltava quase um mês para a convenção que oficializaria o nome do candidato, em 14 de junho. Skaf já agia como tal. No começo de maio, o PROS – Partido Republicano da Ordem Social – anunciou publicamente a união com a legenda de Temer em São Paulo, pulando do barco de Alckmin. Numa cerimônia ruidosa no Diretório Regional do PMDB – um casarão branco no bairro do Ibirapuera –, correligionários das duas siglas festejaram a aliança, espremidos num salão do 2º andar.

A palavra renovação foi exaustivamente repetida. Skaf foi saudado como “o futuro governador de São Paulo” por todos os que discursaram: de Michel Temer, que usava uma gravata laranja em deferência à cor dos aliados, passando pelo presidente do PROS, Euripedes Junior, precocemente envelhecido pelas grandes entradas nas têmporas, a Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista, cujo corpanzil inspira o epíteto. Luiz Antônio Fleury Filho – que logo depois se tornaria o coordenador da campanha de Skaf – também se referiu à inequívoca vitória. Principal consultor da candidatura em matéria de segurança pública, Fleury Filho governava o estado quando a polícia assassinou 111 presos, no massacre do Carandiru.

Temer entusiasmou-se: “Em breve o PMDB terá que transferir suas reuniões para outro lugar, já que este aqui ficará pequeno para o nosso tamanho.” E se excedeu: “Nossa próxima reunião será no salão de eventos do Palácio dos Bandeirantes.” Seguiu-se uma explosão de palmas. O presidente estadual do PROS, Salvador Zimbaldi Filho, foi direto ao ponto: “Skaf, você tem demonstrado para a sociedade brasileira como se pode administrar bem o dinheiro público do Sesi e do Senai. A solução para São Paulo está em você.”

Não havia nenhuma dúvida de que, ali, Skaf era o protagonista. Quando chegou a vez de seu discurso, deu o tom do que seria a campanha: “Há vinte anos o estado de São Paulo é governado pelo mesmo partido. E o que fizeram todo esse tempo?”, perguntou, referindo-se à dinastia tucana. Ele mesmo respondeu: “Não investiram sequer no sistema de abastecimento de água, ameaçando secar as torneiras da cidade.” A seguir, resumiu todos os problemas do estado – na saúde, na educação, na segurança, no transporte – a uma única palavra: gestão. “Tudo é uma questão de saber como gerir o estado. Se não está dando certo, é preciso mudar o jeito de fazer as coisas.”

Skaf repetiria a tese da gestão em outras quatro ocasiões em que o entrevistei. Já em nosso primeiro encontro na Fiesp, recitou, de cabeça, números que comprovariam que São Paulo não carece de recursos: “É um estado rico, com orçamento de 200 bilhões de reais. Deveria ser um exemplo para outros estados e outros países. No entanto, temos problemas na segurança, na infraestrutura, no transporte público, na saúde, na educação”, listou.

“Só na educação são 40 bilhões de reais”, disse, somando os orçamentos do estado e da prefeitura. “Mas a política do estado é a de aprovação automática. O aluno passa sem saber nada.” Na segurança, a situação é a mesma, afirmou, despejando mais números. Emendou com a saúde: “Não tem sequer prontuário eletrônico único.” E avançou para a infraestrutura: “O metrô de São Paulo tem 76 quilômetros e o da Cidade do México, 230. Começamos a construir as linhas na mesma época.” “E sabe quantos mil quilômetros de estrada nós temos?”, indagou. “Duzentos mil. E sabe quanto disso foi pavimentado? 17%.” As respostas estavam na ponta da língua.

Nesse momento, dois assessores de imprensa entraram na sala para acertar a viagem que o futuro candidato faria a Jundiaí, a uma hora de São Paulo, para vistoriar mais duas obras do Sistema S. Por volta das três da tarde, o carro levando o presidente da Fiesp parou no estacionamento do prédio em final de construção, que abrigará uma escola do Sesi, no Jardim São Camilo, um bairro de classe média baixa jundiaiense. Uma caravana de políticos locais e repórteres da imprensa regional aguardava por ele. Skaf distribuiu apertos de mão e iniciou a visita, caminhando a passos largos. O séquito tentava manter-se o mais próximo dele, e era possível ouvir comentários elogiosos sobre o vigor do homem aos 59 anos. “Ele é um azougue. Imagina como será na campanha”, admirava-se um dos políticos.

Skaf abria as portas das salas de aula, dos laboratórios e dos ateliês de música e arte. Uma quadra esportiva estava sendo concluída na área externa. Ele desacelerou o ritmo para comentar: “As escolas do Sesi são as melhores do mundo. Não há na Europa, Estados Unidos ou Ásia escolas em tempo integral que se comparem às que estamos fazendo aqui.”

O vereador José Dias, do PDT, cuja base de apoio vem do Jardim São Camilo, era um dos que balançavam a cabeça em sinal de aprovação. Perguntei-lhe o que aquela escola representava para o bairro de Jundiaí. “Em pouco tempo isso muda a cara do lugar”, disse-me, acrescentando que todo mundo ali estava fechado com Skaf. Franzino, de cabelos grisalhos e sorriso permanente no rosto, Dias apressou-se em alcançar o chefe e contar-lhe o que acabara de me dizer. Uma ruga de irritação se alojou no semblante de Skaf. Voltando-se para trás, ele comentou em voz alta, para que eu pudesse ouvir: “Cuidado com o que vocês falam porque ela vai dizer que estou aqui para me promover politicamente, e não é nada disso.” Dias parecia uma criança repreendida ao ser pega numa arte.

 

A superexposição de Skaf causa certo constrangimento a parte da elite industrial de São Paulo. Muitos empresários se dizem desconfortáveis ao ver instituições como a Fiesp, o Sesi e o Senai aparecerem de forma tão explícita numa campanha política. Teriam preferido que Skaf tivesse tido o decoro, como me disse um deles, de ter se licenciado há mais tempo. O estatuto da Fiesp proíbe que seus representantes concorram a cargos políticos enquanto estiverem no comando da entidade. Em tese, Skaf não estaria descumprindo as regras. Afastou-se antes da convenção do PMDB. No entanto, segundo um desses empresários, desde 2010 se tornou cada vez mais difícil distinguir o presidente da Fiesp do candidato.

O primeiro momento de projeção política de Skaf ocorreu antes disso. Em 2007, ele se arvorou em líder da campanha contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF, que acabou sendo derrubada pelo Senado. O site “soucontraacpmf”, criado na ocasião pela Fiesp, conseguiu mais de 1 milhão de adesões. Foi uma das maiores derrotas no Congresso do governo Lula, que deixaria de arrecadar 40 bilhões por ano.

Em 2012 Skaf aliou-se a Dilma Rousseff. Durante o embate do Planalto com o setor elétrico, que resistia em fazer a redução das tarifas proposta pelo governo, mandou espalhar por São Paulo outdoors, nos quais defendia a energia mais barata.

No final do ano passado, em mais uma de suas cruzadas, o presidente da Fiesp entrou em colisão com o prefeito paulistano, o petista Fernando Haddad, insurgindo-se, dessa vez, contra o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano, o IPTU. A Fiesp conseguiu derrubar o projeto na Justiça, depois de sua aprovação pela Câmara Municipal. Skaf falou que o aumento era “abusivo” e representava um “verdadeiro confisco”. Haddad o chamou de “demagogo” e disse que ele atuava para “prejudicar a cidade”.

 

Roberto Giannetti da Fonseca é especialista em comércio exterior e trabalhou no governo Fernando Henrique Cardoso, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Quando Skaf assumiu a presidência da Fiesp, Giannetti, a seu convite, ocupou a diretoria internacional. Com a decisão do chefe de concorrer ao governo do estado contra Alckmin, ele, simpático aos tucanos, se desligou do cargo para ficar apenas no conselho da entidade. Num começo de tarde, em seu escritório, em São Paulo, aceitou falar sobre a atuação de Skaf na Fiesp. Fez uma ressalva logo de início: “Eu saí de lá de forma amigável. Não quero brigar com o Paulo. Tem muita coisa positiva no trabalho dele. Foi um presidente muito ativo.” Isso dito, sentiu-se à vontade para opinar: “Tenho que reconhecer que ele se excede na propaganda pessoal.”

Sorveu do café e da água à sua frente e continuou, sem alterar o tom de voz. “O Paulo é muito vaidoso. Isso incomoda as pessoas. As pessoas vinham à Fiesp e estranhavam que só ele aparecia”, contou. “É legítimo as instituições fazerem propaganda do trabalho. Mas ele abusou. Estava sempre pondo o holofote em cima dele, e não da entidade.” Até os convites para eventos da Fiesp eram encabeçados por seu nome: “Paulo Skaf convida.”

Giannetti mencionou ainda o que considera um oportunismo do ex-presidente. “Quando eu estava na diretoria da Fiesp, apresentei um estudo detalhado, junto com o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre o problema da água. Na época, alertávamos sobre o que poderia acontecer em São Paulo caso não fossem feitos novos investimentos. O Paulo ignorou o estudo e agora vem atacar o problema da falta de água. Assim é muito fácil.”

 

Quando assumiu a Fiesp, em 2004, Skaf já era, havia muito tempo, um sem-indústria. Com a crise no setor têxtil, provocada pela entrada dos tecidos chineses no Brasil, ele decidiu fechar a Skaf Indústria Têxtil – fundada pelo pai, Antoine –, por ele presidida durante anos. Na área da fábrica, em Pindamonhangaba, construiu galpões que aluga para outras indústrias. Não se distanciou do setor, porém. Nos anos 90, com o apoio de vários empresários do ramo têxtil – inclusive o do ex-vice-presidente José Alencar, então à frente da Coteminas –, ele formou uma chapa de oposição para disputar o comando da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, a Abit. Ganhou e teve Alencar como seu segundo.

Fez um trabalho reconhecido por seus pares, dando visibilidade ao setor por meio de eventos como a Fashion Week. Uniu toda a cadeia, da produção de algodão até as confecções, em torno das mesmas reivindicações. Quando Alencar saiu para disputar a vice-presidência ao lado de Lula, seu filho, Josué Alencar, assumiu o posto do pai na associação. Skaf e Josué fizeram campanha junto ao empresariado para dissolver a desconfiança com o candidato petista. Skaf disse ter sido um dos poucos empresários que deram suporte a Lula publicamente em 2002. “Pelo fato de o Lula ser trabalhador, eu achava que ele valorizaria o trabalho e sua eleição seria uma coisa positiva para o Brasil.”

Foi também com um discurso de renovação que ele disputou, em 2004, a presidência da Fiesp. A entidade nunca havia tido uma chapa de oposição. O então presidente, Horacio Lafer Piva, herdeiro do grupo Klabin, uma das mais tradicionais famílias de industriais de São Paulo, apoiava Cláudio Vaz. O candidato da situação perdeu a eleição na Fiesp, mas garantiu a presidência do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, o Ciesp. O resultado expunha o racha na federação. Na campanha seguinte, em 2007, Vaz estava ainda mais desgastado e Skaf finalmente assumiu o controle das duas entidades.

Carlos Eduardo Moreira Ferreira presidiu a Fiesp nos anos 90 e acompanhou de perto a disputa de Skaf com os empresários da situação. Ele mesmo era um dos que estavam fechados com o candidato de Horacio Piva e trocou de lado. “O Paulo foi guerreiro”, me disse, num início de noite de maio, em seu escritório na avenida Faria Lima. “Ele fez campanha, foi buscar os votos dos sindicatos do interior, enquanto o Cláudio Vaz ficou sentado, aguardando que votassem nele.” Listou características positivas de Skaf. “É perseverante, ativo, obcecado, tenaz. Não larga as coisas pelo meio.”

Moreira Ferreira foi além: “Com o trabalho no Sesi e no Senai ele aproximou a Fiesp da sociedade. Deixamos de ser os encastelados da avenida Paulista, indiferentes aos problemas dos mais necessitados.” Fez uma pausa e apontou mais inovações: “Ele abriu a Fiesp para os sindicatos menores. Antes, os pequenos industriais tinham medo de passar pela porta da entidade. Não se achavam suficientemente importantes para estar ali.”

Perguntei-lhe se tinha alguma crítica à gestão de Skaf. Ele pensou um pouco: “Não gostei dessa coisa de ele mudar o estatuto para se reeleger novamente. As pessoas têm que aprender a passar o bastão.” Skaf estava em seu terceiro mandato quando se licenciou para participar da campanha.

Na ala dos descontentes poucos se dispõem a mostrar a cara. “Os grandes industriais se lamentam para seus pares, mas ninguém vai lá falar para ele o que está errado”, admitiu um deles. E do que mais se reclama? Em primeiro lugar, disse-me esse empresário, do espetáculo que se montou na Fiesp. “Skaf chamou uns embaixadores aposentados e botou num conselho que criou só para atrair governantes de outros países de passagem pelo Brasil. Isso dá muita matéria em jornal.” O tom das críticas aumentou: “Ele tem sacadas oportunistas, como a da redução da energia elétrica, sem ter feito um estudo mais detido sobre o impacto da medida sobre o setor.” Lembrei que Skaf havia sido reeleito com 99% dos votos dos delegados sindicais. Meu interlocutor rebateu: “Ele é um produto do meio que o permite existir. É resultado de uma classe empresarial ruim, que se entrega a lideranças espúrias, por um preço vil. Troca lealdade por proteção. Com isso, consegue apoiadores que não questionam a enorme autopromoção que ele faz valendo-se da estrutura da instituição.”

Quando reproduzi essas críticas a Skaf, ele desdenhou: não iria responder àqueles que não têm coragem de lhe falar diretamente. Disse-me que a prova de que fez uma boa gestão foi o fato de ter sido reeleito duas vezes de forma quase unânime.

 

O mais novo e único homem dos quatro filhos de Clothilde e Antoine Skaf, Paulo Skaf começou a trabalhar na indústria do pai ainda jovem. A família morou na Vila Mariana e mudou-se para o Jardim América quando a vida melhorou. Skaf fez seus estudos em tempo integral no Santo Américo, tradicional colégio católico de São Paulo, onde, mais tarde, seus cinco filhos também estudariam. Casou-se aos 23 anos com Luzia e logo vieram as crianças. Isso o impediu de concluir a faculdade de administração. “Não tinha tempo”, ele disse.

Seu primeiro trabalho na tecelagem do pai foi como vendedor, visitando clientes para tirar pedido. Um dos maiores compradores eram as Casas Pernambucanas. Foi nessa época que conheceu Benjamin Steinbruch, filho de um dos donos da Vicunha, que se transformaria no maior grupo têxtil da América Latina. Na década de 90, Steinbruch tornou-se o maior acionista da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, expandindo ainda mais os negócios da família.

Quando se conheceram, os dois costumavam passar por longas esperas nos corredores das empresas compradoras. “Tomávamos muito chá de cadeira”, lembrou Skaf. “Mas eu acordava mais cedo e, quando o Benjamin chegava, eu já estava lá.” Dali surgiu uma sólida amizade. Steinbruch foi seu padrinho de casamento e assumiu a primeira vice-presidência da Fiesp quando Skaf chegou ao poder.

Mas, ao contrário do Grupo Vicunha, a tecelagem de Skaf não prosperou. “Nós sempre fomos uma empresa de porte médio”, comentou Skaf. O que mais o magoa ao falar de sua experiência no mundo dos negócios são as insinuações de que teria falido. “Algumas maldades que plantam, isso de que eu quebrei. Coisa nenhuma. O que houve foi um redirecionamento das nossas atividades. Nunca houve falência. Desafio quem está falando a provar”, disse, alterando o tom de voz.

 

Numa manhã de maio, Skaf fazia mais uma peregrinação a escolas do Sesi e do Senai, dessa vez em Bragança Paulista, a 90 quilômetros da capital. Na cidade, duas escolas – uma do Sesi, já em funcionamento, e uma do Senai, em construção – contrastam com o acanhado prédio da escola municipal, bem em frente. Skaf repetiu o costume de tomar a dianteira. Vestiu uma touca, entrou na cozinha e perguntou às cozinheiras pela comida, destampando panelas e arrancando risos de aprovação dos convidados.

Depois, no pátio interno da escola, encontrou-se com prefeitos das cidades do entorno que o aguardavam para a cerimônia de apresentação dos times esportivos formados por alunos do Sesi. Ao final da solenidade, caminhou alguns passos, sempre seguido por um cortejo, para inaugurar uma unidade da Escola Móvel de Manutenção Mecânica do Senai, um ônibus itinerante equipado com uma moderna sala de aula.

No veículo, foi entrevistado, ao vivo, por um repórter da tevê local. No afã de criar intimidade, o jornalista não teve dúvida: “Doutor Paulo Skaf, estou ao vivo com um amigo seu, o Toscano.” Skaf sorriu sem jeito. Era evidente que não sabia de quem se tratava. “O Toscano pai também lhe manda um abraço”, disse o repórter. Skaf arriscou: “Você é irmão do Toscano?”, perguntou, aumentando a confusão. “Não, eu sou repórter do programa dele.”

À saída, Skaf reclamou rispidamente com o jornalista Guilherme Barros, seu assessor de imprensa. “Eu sei lá quem é Toscano pai e Toscano filho! Isso não pode acontecer!” No carro, de volta para São Paulo, seu humor já estava melhor. Mas só até a entrada da sede da Fiesp. No elevador, ele disse que precisava me fazer uma pergunta “muito séria”. Ao chegarmos ao andar da presidência, enquanto recepcionistas descerravam as portas de madeira para que ele passasse, Skaf convocou seu assessor pessoal, Sebastião Junior, um jovem de aparência amigável, que parecia assustado. Skaf deu início a um interrogatório: “O Guilherme Barros me contou que a recepcionista disse a você que não sabia quem eu era. É verdade? Você disse isso para ele?” Confirmei o episódio, um pouco surpresa. “O fato é que você chegou aqui às 8 horas e 36 minutos, e às 8 horas e 38 minutos você estava sendo atendida. Elas negam que isso tenha ocorrido. Qual foi a recepcionista que falou isso para você?”, inquiriu Skaf, sem disfarçar a irritação. Tentando fazer a reconstituição do caso, postou-se atrás de uma cadeira, sempre ladeado por Junior, que permanecia imóvel e assustado. “Havia uma aqui e outra aqui”, bateu com as mãos no encosto. “Qual das duas disse que não me conhecia? Essa recepcionista não podia estar ali.” Sugeri a Skaf que falasse com a chefe do cerimonial para verificar o que havia ocorrido. Ele respirou fundo e mandou que Junior tomasse providências. Abrandou a irritação e mudou de assunto, como se nada tivesse acontecido.

Naquela mesma tarde em que o pai me interrogara, encontrei Gabriel Skaf, um jovem de pele e cabelos claros, que guarda semelhança com o avô libanês. Em um café barulhento próximo à avenida Paulista, ele comentou que Skaf é um homem pragmático – não costuma esticar um problema mais do que o necessário. Ouve os filhos com atenção, dá conselhos e os manda seguir adiante. “Ele não é de ficar passando a mão na cabeça. Cobra que todos assumam suas responsabilidades”, resumiu.

Suas melhores lembranças do pai são de Pindamonhangaba – por coincidência a cidade natal de Geraldo Alckmin –, onde a família, além da antiga indústria, tem uma casa de campo. “Quando estamos juntos, saímos para andar a cavalo, nós cinco e ele.” Nesses passeios, o pai procura pelas trilhas mais difíceis. “Sempre vamos pelo caminho mais longo e, quando nos cansamos, ele diz que ao final haverá uma recompensa, uma cachoeira, uma paisagem diferente, um lugar especial”, contou o filho, sorrindo. E continuou sua digressão: “Quando éramos pequenos, ele sempre se referia a um musical de que gostava muito. Não me lembro do nome agora, mas era de um oficial que fugia dos nazistas com a família pelas montanhas.” Deduzi pela descrição que se tratava de A Noviça Rebelde.

Quando deixamos o café, Gabriel fez mais uma revelação, exibindo a mim o celular com intensa troca de mensagens. Os irmãos e o pai se comunicam várias vezes ao dia. Comentam o que sonharam à noite, Skaf manda respostas aos filhos anexando imagens de coraçãozinho. Antes de se despedir, Gabriel disse: “Gosto do que ele faz pela educação. Ele quer que todo mundo tenha escola boa em tempo integral como nós tivemos.”

Skaf é bastante ativo nas redes sociais. Recentemente, postou no Facebook a seguinte mensagem: “Quero mostrar para meu filho que minha página é popular. Por isso, quero que este post tenha duas mil curtidas. Se atingir essa meta, vou postar uma foto minha de macacão e chuquinha. Conto com vocês!” Horas depois, nova mensagem: “Como prometido, segue minha foto de chuquinha e macacão quando tinha um ano de idade. Obrigado a quem participou da brincadeira.” Logo abaixo estava a imagem de um bebê de chuquinha num carrinho, todo sorridente.

 

Apartir dos anos 30, o governo Getúlio Vargas, replicando a Carta del Lavoro de Benito Mussolini, estabeleceu regras para a criação de sindicatos únicos por categoria de atividade, patronais e de trabalhadores, além de federações e confederações de classe. Como forma de cooptar essas entidades, na maioria das vezes com êxito, criou impostos para sustentá-las. No caso dos sindicatos de trabalhadores, há um desconto obrigatório anual equivalente à remuneração de um dia de trabalho. No caso das entidades patronais, foi criada uma contribuição compulsória, que já foi maior e hoje é de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. O dinheiro arrecadado é distribuído entre as confederações e federações empresariais, que, em contrapartida, assumem a responsabilidade de manter serviços sociais e escolas técnicas para os empregados. Assim surgiu o chamado Sistema S – Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sest, Senar, Sebrae.

A indústria e o comércio foram os primeiros setores empresariais a recolher a contribuição sobre a folha de pagamento. Em todos os estados existem hoje unidades do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai), do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

O país se desenvolveu muito e com o passar dos anos o Sistema S se agigantou. A Controladoria-Geral da União aponta que, incluindo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o sistema arrecada anualmente 30 bilhões de reais, equivalente à soma do que gastaram os governos nas obras da Copa do Mundo. O valor é superior aos orçamentos de vários ministérios.

No ano passado, só o Sesi e o Senai foram contemplados com 14 bilhões de reais. O Sesc e o Senac, com 10 bilhões. Os serviços sociais da agricultura e do transporte e o Sebrae receberam os 6 bilhões restantes. A Firjan, do Rio, recebe 1 bilhão de reais, um orçamento maior do que o da maioria dos municípios do estado. A Fiesp controla quase 3 bilhões por ano.

Por lei, os recursos seriam usados exclusivamente em benefício dos empregados e de seus familiares, com atendimento médico e dentário, educação, atividades culturais e esportivas. Na prática as coisas são bem distintas. As entidades acumulam despesas pesadas com propaganda e assessoria de imprensa, não raro a serviço do financiamento de campanhas políticas de dirigentes empresariais. Muitos deles se perpetuam indefinidamente nos cargos.

O campeão da longevidade é Antônio de Oliveira Santos. Na casa dos 80 anos, preside há três décadas e meia a Confederação Nacional do Comércio, a CNC. Assumiu o comando da entidade em 1980, por indicação de Guilherme Romano, médico do então presidente da República, o general João Baptista Figueiredo, e segue no posto graças a um estatuto que permite sua reeleição ilimitada. Outro caso é o de Abram Szajman, em São Paulo. Está desde 1984 à frente da Federação do Comércio, a Fecomércio.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan, também costuma ser lembrada como um exemplo de almanaque de apego ao poder. Na década de 90, um grupo de empresários liderado por Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira desbancou um presidente longevo com a promessa de acabar com a reeleição ilimitada e trazer novos ares para a entidade. Uma vez no cargo, Gouvêa Vieira alterou o estatuto e há dezoito anos se equilibra na cadeira. Foi reeleito no final do ano passado para mais uma gestão. O enredo fluminense costuma ser citado por industriais paulistas ressabiados com a decisão de Skaf quando mudou o estatuto da Fiesp para se reeleger pela segunda vez.

A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, depois da saída do ex-senador sergipano Albano Franco – que ficou no cargo entre 1980 e 1994, com o apoio das federações do Norte e Nordeste –, chegou a um acordo para permitir apenas uma reeleição. Desde então, a entidade já teve dois presidentes: o empresário Armando Monteiro, de Pernambuco, e Robson Andrade, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Em 2011, Andrade foi acusado de pagar 1 milhão de reais ao ex-ministro da Indústria e Comércio, o petista mineiro Fernando Pimentel, por palestras que ele não fez. Pimentel hoje é candidato ao governo de Minas Gerais.

Além de ser um trampolim para a política stricto sensu, tais postos são cobiçados porque costumam vir acompanhados de mordomias, como viagens de primeira classe, carro com motorista e helicóptero à disposição. Também  proporcionam oportunidade para o comércio de pequenos ou grandes favores a aliados e amigos – tudo em conformidade com o traço patrimonialista da sociedade brasileira.

 

Até o começo do governo Lula, as confederações e federações patronais não davam nenhuma satisfação ao poder público sobre o uso desses recursos. Quando Fernando Haddad assumiu o Ministério da Educação, em 2005, o presidente recomendou que ele fizesse um levantamento para saber como o dinheiro do Sistema S vinha sendo gasto. O governo federal tem poderes para exercer a fiscalização, uma vez que o percentual descontado da folha de pagamento é um imposto sobre o salário dos trabalhadores, recolhido pela Receita Federal. Como, no entanto, o dinheiro não entra no Orçamento da União, indo direto para o caixa das entidades patronais, recebe o sugestivo nome de recursos parafiscais. Trata-se, de qualquer forma, de dinheiro público, embora os empresários se recusem a entendê-lo assim.

Haddad mobilizou uma pequena equipe para cuidar do caso. Descobriu-se que a maior parte dos cursos oferecidos aos trabalhadores era cobrada. As atividades que as instituições informaram serem gratuitas eram, na maioria das vezes, ações menores e avulsas, como palestras de uma hora de duração sobre escovação de dentes ou lições de como embalar ovos de Páscoa. Os cursos técnicos, que envolviam investimentos maiores, chegavam a ser até mais caros do que os equivalentes em escolas privadas.

Depois de alguns cálculos, o grupo que havia se debruçado sobre o assunto chegou à conclusão de que os cursos oferecidos por Sesi, Sesc, Senai e Senac tinham um custo por hora/aula mais alto que os ministrados pelas universidades públicas federais, embora a maioria deles fosse mais curta e de qualidade muito inferior. Quando Haddad questionou os empresários, houve um levante. O ministro argumentou que não era possível a indústria e o comércio recolherem uma montanha de dinheiro para o Sistema S e, a despeito disso, serem remunerados pelos cursos que ofereciam. O governo ficou surpreso ao constatar também que a maioria dos empresários nem sequer sabia que seus quadros profissionais tinham direito à formação gratuita.

A CNI chegou a contratar uma assessoria de risco com equipe de 36 jornalistas para enfrentar o Ministério. Numa das reuniões em que governo e empresários discutiram a questão, Armando Monteiro, então presidente da confederação, teve que ser contido para não agredir Haddad fisicamente.

Em 2008, o Tribunal de Contas da União revelou que, de 1,2 milhão de vagas de formação profissional oferecidas pelo Senac, mais de 1 milhão eram pagas. No Senai, a situação não era muito diferente: só 291 mil vagas eram gratuitas, num total de 2,5 milhões.

Inconformados com a ingerência em suas contas, representantes das entidades patronais, entre eles Paulo Skaf, resolveram apelar ao então vice-presidente, José Alencar. Acreditavam que ele, por ser egresso da indústria, os apoiaria. Pediram uma audiência justamente quando o vice ocupava interinamente a presidência, numa viagem de Lula. Alencar assentiu, mas transferiu a reunião para o MEC. Lá, sentou-se à cabeceira da mesa, ao lado de Fernando Haddad. Antes que os empresários começassem a falar, o interino tomou a palavra, colocou a mão sobre o ombro de Haddad e disse, com a suavidade característica: “O presidente Lula gosta muito dos seus ministros. Mas por esse aqui, eu não sei por quê, ele tem um carinho muito especial.” A decisão do governo já estava tomada.

Até 2015, 67% de todos os cursos oferecidos no Sistema S terão que ser gratuitos. Depois de negociações tensas, as lideranças empresariais conseguiram manter a cobrança sobre 33% dos cursos. Ainda assim, com a gratuidade, o Ministério pôde desenvolver o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec, em parceira com escolas do Senai e do Senac, usando muitas das instalações dessas entidades.

Embora o TCU tivesse solicitado informações detalhadas sobre cursos pagos e gratuitos, nenhuma das entidades atendeu a recomendação. No relatório do Tribunal de 2011 há, ainda assim, algumas aberrações. O Senar, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em 2008 dizia oferecer 7,2 milhões de vagas gratuitas aos trabalhadores rurais; em 2011, no último levantamento feito pelo Tribunal, seus cursos passaram a atender apenas 2 milhões de agricultores.

 

O economista Marcos Lisboa é vice-presidente do Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa, uma instituição voltada para o ensino de economia e administração. Recebeu-me na sede do curso, um prédio na Vila Olímpia, em São Paulo, num fim de tarde gelado. Lisboa, que foi secretário de Política Econômica no primeiro mandato de Lula, concluiu recentemente, junto com a economista Zeina Latif, um estudo intitulado “Democracia e crescimento no Brasil”. Nele, são discutidos alguns efeitos da intervenção estatal no desenvolvimento brasileiro. Uma das críticas que fazem refere-se ao rentismo, definido como “a disseminação de privilégios e benefícios para grupos selecionados, e a concessão disseminada de recursos públicos ausentes de controles sociais”. Segundo o estudo, o rentismo no Brasil se manifesta sobretudo de duas maneiras: “Em primeiro, o complexo sistema de impostos e transferências, caracterizado por várias regras de isenções que mascaram os beneficiários de privilégios. Em segundo, mecanismos compulsórios de transferência que não passam pelo orçamento do governo.”

O Sistema S se enquadra no segundo caso. “Não estou dizendo que os cursos sejam ruins ou que o sistema tenha que acabar”, explicou Lisboa. “A crítica que fazemos no nosso trabalho, especificamente em relação ao Sistema S, é sobre a falta de transparência nos gastos. São recursos públicos, cuja utilização não passa pela aprovação do Congresso”, disse, e emendou a pergunta: “Eles estão sendo bem aplicados ou esse volume de dinheiro poderia ser gasto de forma mais produtiva na educação?”

As informações sobre o uso efetivo do dinheiro fornecidas pelas instituições empresariais são precárias. Em 2011, o TCU identificou gastos exorbitantes com folhas de pagamento. O Senac despendeu 34 milhões de reais com sua folha de pessoal naquele ano. O Senai, 43 milhões. Mais surpreendentes foram os gastos do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte, o Senat, com estrutura muito inferior à das duas entidades do comércio e da indústria. Administrado pela Confederação Nacional do Transporte, CNT, até este ano presidida pelo senador Clésio Andrade, do PMDB de Minas Gerais, o Senat gastou 69 milhões de reais com sua folha de salários. Em 2011, o Ministério Público moveu ação contra o senador por desvios de recursos no Senat e no Sest, o Serviço Social do Transporte.

O Senac criou um portal da transparência, mas sem especificar as contas de cada programa. Ainda assim, é possível saber que, no ano passado, o Senac do Acre destinou 541 mil reais à “comunicação social”, quase 100 mil a mais do que gastou com “proteção e benefício ao trabalhador”. Em Alagoas, o sistema previa gastar 21,5 milhões de reais com programas para desenvolvimento do trabalhador. Foram gastos 13 milhões. Em compensação, não economizou na comunicação. Estavam previstos 800 mil, mas a conta fechou em mais de 1 milhão.

No Rio de Janeiro, a situação não é muito diferente. O Senac fluminense gastou 15 milhões com comunicação, próximos aos 18 milhões destinados a benefícios aos trabalhadores. No Senac paulista, em 2013 foram gastos 31,5 milhões de reais com comunicação social e 38 milhões no atendimento básico ao trabalhador.

“Os empresários reclamam tanto de transparência e boa gestão por parte do governo e eles mesmos não parecem fazer as mesmas críticas em relação aos gastos de suas entidades”, disse-me o economista Samuel Pessôa, pesquisador da Fundação Getulio Vargas em São Paulo. No auge da briga do Ministério da Educação com os empresários, ele foi designado mediador da discussão, a pedido do ministro Haddad. “Os empresários vivem pedindo ao governo desoneração de folha, redução do imposto. Mas vá propor a redução do recolhimento para o Sistema S e você vai ver a reação”, ele provocou.

Apesar da ação contra o desvirtuamento do Sistema S, Lula também fez uso político dele. Jair Meneguelli, ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, e velho companheiro dos tempos de sindicato, é presidente do Sesi nacional. Paulo Okamoto, amigo fraternal de Lula, foi acusado de usar verba do Sebrae na época em que presidia a entidade para cobrir gastos de campanha do PT e de Lula, além de despesas de familiares do ex-presidente. Okamoto chegou a alegar que os recursos utilizados eram dele próprio, o que nunca conseguiu provar.  Deixou a entidade ao final do governo e comanda, desde então, o Instituto Lula.

 

Em meados de junho, Paulo Skaf já estava instalado na sede do diretório do PMDB paulista. Parecia animado. Dias antes, havia sido escolhido candidato do partido ao governo do estado com 596 dos 599 votos convencionais, o que demonstrou, em sua opinião, a união em torno do seu nome. Foi uma cerimônia alto-astral, disse-me ele, com mais de 8 mil presentes. “Ouço falar de convenções que pagaram 25 reais para as pessoas participarem”, ele falou, em alusão às notícias de que o PSDB havia remunerado os participantes da convenção que indicou Aécio Neves como candidato à presidência. Acompanhado de quatro assessores de imprensa (um deles, Helena Chagas, ex-ministra da Comunicação de Dilma Rousseff), Skaf levou-me para uma acanhada sala de reuniões decorada com mesa e cadeiras de aparência barata. Observei que era uma queda de padrão em relação à luxuosa sala que ele ocupava na Fiesp e que havia sido reformada durante a sua gestão. Ele riu. “Sabe, eu não ligo para isso, me adapto bem a qualquer circunstância.”

Ele gosta de repetir a história de que foi escoteiro durante seis anos, entre a infância e a adolescência. Viajou pelo Brasil, muitas vezes dormindo no chão, tendo que andar quilômetros para encher o cantil. “Isso faz você perder o luxo”, comentou. Aos 18 anos, prestou o serviço militar, mas, como tinha o 2º grau completo, fez o CPOR, o curso de formação de oficiais da reserva. Disse que lá também passou privações. “Foi uma nova oportunidade. Lembro bem da pista de combate, cheia de obstáculos. Eu passava embaixo de arame farpado, com bombas de gás caindo perto”, rememorou. “Ao final, vinha um oficial com uma cobra.” Fez uma pausa: “Isso precisa ser bem interpretado. Vinha o oficial com uma cobra morta, nos mandava abrir a boca e morder a cobra. Mas cuidado como você vai colocar isso aí.” Seus assessores caíram na risada.

Perguntei a ele se todos os assessores continuariam na sala, porque gostaria de fazer algumas perguntas pessoais, inclusive sobre seu físico. “Você vai perguntar sobre minha barriga de tanquinho?”, antecipou-se, com uma expressão de surpresa ensaiada. Todos gargalharam novamente.

Skaf é um homem de 1,82 metro, de uma magreza de manequim, que o faz parecer mais alto. Qualquer que seja a situação, está sempre arrumado, sem uma dobra na camisa. Ele mesmo compra suas roupas – ternos nas cores cinza ou chumbo, acompanhados de camisas brancas, ou ternos azul-marinho, com camisas de tom azul mais claro, que usa quase sempre sem gravata. Em situações mais informais, veste blazer e calça jeans. “Não tem erro”, explicou-me. Para manter o físico, costuma se exercitar em academia ou praticar natação.

O candidato admitiu não gostar de leitura e não lembra o último livro que leu. Um de seus programas preferidos é ir ao cinema, embora não ande com tempo para isso. Gosta de filmes históricos, como Gladiador, “que passam ideia de coragem e justiça”. Quando conversamos, tinha acabado de assistir a Noé. Contei o que seu filho havia me dito a respeito de Noviça Rebelde. “É um filme lindo, do bem, de pessoas íntegras, com posições fortes”, ele falou, acrescentando que se sente identificado também com o aspecto familiar: “Era uma família grande, meio parecida com a minha, e o pai usava o apito para reunir os filhos, como eu fazia com os meus. E meus filhos também andavam sempre com roupa igual. Eu colocava moletom igual em todos eles quando eram pequenos.”

Os rapazes repetiram o hábito da infância na convenção do PMDB. Havia no auditório um palco e uma passarela, por onde Skaf circulou acompanhado de seus cinco filhos, todos de mãos dadas, vestindo roupas iguais: terno cinza e camisa branca sem gravata. “Essa entrada não foi ideia de marqueteiro, foi minha. Uma coisa espontânea. Na hora do resultado, quando meu nome foi anunciado, eu entrei com meus filhos.”

 

O discurso de Skaf está pronto: veio para quebrar a polarização entre PT e PSDB no estado. “Não sou eu quem está dizendo isso. São as pesquisas que mostram. O retrato, neste momento, é de uma disputa entre mim e o Alckmin. Se eu estou sete vezes à frente do Padilha nas pesquisas, não há como negar que a polarização, agora, é entre PMDB e PSDB. Basta fazer as contas.” No final de julho a situação de Skaf era um pouco menos confortável. O Datafolha lhe atribuía 16% das intenções de voto, e projetava uma vitória de Alckmin no primeiro turno.

Diante das dificuldades de Padilha para decolar, a própria presidente Dilma admitiu, em jantar com o PMDB, que teria dois palanques em São Paulo – o de Padilha e o de Skaf. E deixou clara a sua intenção de apoiar o PMDB caso o empresário vá para o segundo turno. Meses atrás, em encontro na Associação Brasileira da Indústria Química, Abiquim, Skaf havia traçado exatamente este cenário para os presentes: a candidatura de Padilha afundaria e o governo federal pularia para a sua campanha.

As razões que levam Dilma a se aproximar de Skaf são as mesmas pelas quais ele não a quer muito próxima: o índice de rejeição à presidente é altíssimo – na casa dos 35%. Por isso ele diz: “Não enxergo palanque duplo para a Dilma em São Paulo. O PT é nosso adversário, assim como o PSDB.” Skaf não quer perder o voto antipetista no estado. Ao mesmo tempo, ele e Michel Temer sabem que Lula está na gênese não exatamente da candidatura de Skaf, mas de sua viabilidade eleitoral. Sem o assentimento do ex-presidente, nem Maluf nem Kassab, que concorre ao Senado, estariam engrossando o caldo do PMDB paulista.

“Ele, em tese, representa o novo. O candidato que não é um político de carreira”, disse-me um importante líder petista no estado. “Pelo menos para o grande público, ele é visto dessa forma. Sua candidatura ocorre em um momento que as pessoas estão saturadas dos políticos tradicionais, embora ele esteja concorrendo por um partido cujas práticas são as menos recomendáveis.”

Mesmo que não a queira em seu palanque, Skaf em nenhum momento faz críticas à presidente. Diz que os manifestantes estão cobrando do governo federal ações que são da responsabilidade do governo estadual: segurança, saúde, educação, água. Como ele, outras lideranças empresariais que se aventuram na política acabaram cooptadas pelo governo federal. É o caso da combativa senadora pelo Tocantins, Kátia Abreu, ex-DEM, hoje no PMDB. Líder da Confederação da Agricultura, ela hoje representa um elo entre Dilma e o agronegócio.

Roberto Gianetti da Fonseca, que acompanhou Skaf durante anos na entidade, admitiu que, nos últimos seis meses, o empresário não pensava em outra coisa senão na sua candidatura. “Ele abrandou a crítica ao governo. Não reclamava mais do baixo crescimento da economia, do déficit no comércio exterior, da inflação e juros altos. Não era mais o Paulo que brigou pelo fim da CPMF.”

Desde que Skaf se licenciou da Fiesp, sua presidência é ocupada por Benjamin Steinbruch. Em uma tarde, no começo de junho, ele me recebeu na sede da entidade. A atmosfera era totalmente distinta daquela que se respirava no tempo de Paulo Skaf. Não havia assessores circulando esbaforidos, nem jornalistas ligados a marketing de campanha aguardando por uma audiência. Steinbruch acomodou-se na cabeceira da sala de reuniões, acompanhado apenas da assessora de imprensa da Fiesp. Disse-me que tinha “um perfil empresarial puro” e que “o Paulo já cruzou a fronteira”. Não falou em tom de crítica. Ao contrário, considera importante que haja representação empresarial na política. Elogiou o trabalho de Skaf à frente da instituição, principalmente suas ações no Sesi e no Senai.

Perguntei-lhe como avaliava o governo Dilma. O discurso mudou. Steinbruch se revelou à vontade para expor seus pontos de vista. “Eu estou na briga pela melhora da infraestrutura”, disse. “O governo está muito distanciado do setor produtivo. A dificuldade já é de muito tempo.” Sem fazer pausa, prosseguiu sua análise. “Está todo mundo preocupado com a economia. Até os setores que estavam bem estão se retraindo, como o varejo. Ninguém está otimista e esse distanciamento da presidente só piora as coisas.” Emendou em um tom mais duro: “Com o Lula era o contrário, ele era acessível. A Dilma é restritiva, é explosiva. A interlocução dela é ruim. Não tem ministros preparados. Por isso está tudo tão complicado.”

Comentei com Skaf a má avaliação que Steinbruch tinha da presidente e o pessimismo que manifestara com a conjuntura. Ele se ajeitou na cadeira e mostrou pouca disposição em comprar brigas. “Sabe de uma coisa? Acho pouco produtivo esse negócio de ficar comparando as pessoas. O Lula é o Lula, a Dilma é a Dilma. O Lula é um político, líder sindical. Ela é mais técnica. Os estilos são diferentes.” E saiu em defesa do governo. “Eu diria que ela teve pontos positivos e teve problemas, como as reformas estruturais. Mas não são problemas que nasceram com ela. Esses problemas já estavam aí desde a época de Fernando Henrique. Só que agora chegaram ao limite. Fica difícil culpar a presidente pela falta de investimentos na infraestrutura que o Brasil deixou de fazer há trinta anos.”

Anoiteceu e Skaf se preparava para uma reunião com alguns assessores. Perguntei-lhe o que ele esperava da eleição. “Você já viu coisas fáceis terem graça? O difícil é o que tem mais graça. Estou fazendo o que eu gosto.”

Consuelo Dieguez

Repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

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