questões brasileiras

O caos como método

Manter o colapso institucional é o modo de Bolsonaro garantir a fidelidade de seus eleitores

Marcos Nobre
Tem gente que olha para Rodrigo Maia e vê Churchill. Os ministros militares parecem encarnações de Charles de Gaulle. Quando não há oposição real, a oposição migra para dentro do governo
Tem gente que olha para Rodrigo Maia e vê Churchill. Os ministros militares parecem encarnações de Charles de Gaulle. Quando não há oposição real, a oposição migra para dentro do governo ILUSTRAÇÃO: ROBERTO NEGREIROS_2019

O Ibope divulgou de uma só vez os resultados de pesquisas que fez desde janeiro até março sobre a popularidade de Bolsonaro. A avaliação positiva do governo (ótimo ou bom) caiu de 49% para 34%. De forma correspondente, a avaliação negativa (ruim ou péssimo) subiu de 11% para 24%. Os números indicam que ninguém que ocupou o cargo em primeiro mandato, desde Fernando Henrique Cardoso, registrou índice tão baixo em início de governo.

O cientista político André Singer, em sua coluna na Folha de S.Paulo em 23 de março, ressaltou o corte de renda dessa queda. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, a avaliação positiva de Bolsonaro caiu dezoito pontos. Entre quem ganha até um salário, apenas 29% apoiam o governo. Em contraste, somente 8% dos que ganham acima de cinco salários perderam a confiança desde a posse. As pessoas que têm mais confiança no atual governante pertencem a denominações evangélicas, são do sexo masculino, moram na região Sul e ganham acima de cinco salários.

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Marcos Nobre

É professor de filosofia da Unicamp e autor de Imobilismo em Movimento, pela Companhia das Letras, e Como nasce o novo, pela Todavia

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