Se eu fosse vocês, olhava pra mim de novo_2018_(série Pardo é papel; 320 x 480 cm)_Neste autorretrato, o pintor relaxa sobre uma espécie de píer. A padronagem de fundo remete à das piscinas Capri, muito comuns em favelas do país. Feitas de plástico, costumam mesclar diversos matizes de azul, parecidos com os dos ladrilhos portugueses. “Aqui, substituo as cores originais pelo azul-realeza e pelo dourado, tons que expressam riqueza e sofisticação”, diz Maxwell Alexandre
O cria que virou playboy
Como a ascensão social do artista carioca mudou seu modo de pintar
Maxwell Alexandre | Edição 227, Agosto 2025
Depoimento para Armando Antenore
Picasso, mané? Não é tão brabo quanto dizem. Consigo pintar de boa uns quadros como os do maluco. Velázquez, Botticelli, Van Gogh? Molezinha. Posso reproduzir os bagulhos dos caras também. Eu pensava mais ou menos desse jeito até pouco tempo. Imaginava à vera que daria conta de imitar os fodões da pintura, tá ligado? Não enxergava tantas qualidades na maioria da velha guarda que ocupa o panteão da arte. Considerava os sujeitos ruins, chatos, um negócio sem graça mesmo. Visitava museus famosos da Europa, tipo o Louvre, e passava rapidinho por aquela massa de obras antigas. Mano, que preguiça! Eu não prestava atenção em quase nada. As pinturas simplesmente não me emocionavam – sobretudo as realistas, que lembravam bolos de noiva em casamento de grã-fino. Sabe quando o bolo é tão perfeitinho que se torna cafona? Nem as feras vanguardistas, responsáveis por subverter o realismo a partir do século XIX, me animavam muito.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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