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    A mãe, em Manaus, na década de 1950: Neuza não gostava de dormir em cama, mas na rede ou no chão, ouvia os sons os mais inaudíveis, como o de uma mosca, e comia como um passarinho CRÉDITO: ARQUIVO PESSOAL

relato pessoal

O espelho da orfandade

A mãe, o pai, a filha, o irmão – e o impossível da história de cada um

Conceição Freitas | Edição 230, Novembro 2025

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Uma semana antes de minha mãe amanhecer morta, um pesado armário que eu tentava arrastar caiu para a frente. Se eu não tivesse saltado para o lado, aquele caixão de defunto poderia ter me matado. Depois do estrondo, recuei mais quatro passos, me sentei à beira da cama e fiquei observando o móvel que servira de armário de sapatos tombado no chão, com seu grande espelho, agora espatifado.

Nos dias seguintes à morte de minha mãe, três bichos apareceram em casa: uma estranha aranha de cabeçorra quadrada, uma centopeia de dorso vermelho e cem pés pretos, e algo parecido com um minhocuçu de mais de meio metro. Matei dois deles: a aranha desapareceu.

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Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz

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