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    Vista da região portuária do Rio, o Porto Maravilha, onde está quase concluída a construção de um teleférico; as obras, que são parte do pacote olímpico, dividiram os moradores da favela entre os que vão ficar e os que terão que sair FOTO: EGBERTO NOGUEIRA_ÍMA FOTOGALERIA_2013

questões de política urbana

Os descontentes do porto

Crônica de um movimento por moradia na primeira favela do Rio em época de dispersão política e megaeventos esportivos

Claudia Antunes | Edição 76, Janeiro 2013

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No bar e restaurante Cantinho dos Servidores, de paredes de azulejo e mesas de madeira sem toalha, ainda é possível dividir um prato feito generoso e pagar 6 reais. O lugar fica na rua Sacadura Cabral, que marca a linha do mar existente até pouco mais de um século atrás, quando foi aterrada para a construção do porto do Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara. Num dia claro do início de setembro, um grupo de professores e estudantes de urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro se reuniu ali para almoçar, antes de uma visita de reconhecimento à vizinha favela da Providência. A eles se juntaram dois arquitetos recém-chegados da Dinamarca, um rapaz e uma moça com os rostos corados de calor.

O guia do grupo nas ladeiras que levam à Providência seria o fotógrafo Maurício Hora, nome profissional de Maurício da Costa Moreira Silva, o morador do morro mais conhecido fora dele. Hora herdou os olhos verdes de uma avó portuguesa e, do lado materno, descende de negros que viveram na região portuária até onde sua memória alcança. Já expôs fotos no metrô de Paris e, há quase dois anos, virou personagem de uma história em quadrinhos, Morro da Favela, de André Diniz. Seu pai, Luizinho, chefiou uma boca de fumo na Providência até ser preso e largar o tráfico, no final dos anos 70. Hora trabalhou como mecânico e ourives antes de começar na fotografia.

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